
O grupo Galocantô é, na atualidade, uma das maiores sensações nos terreiros de samba do Rio de Janeiro. Têm uma musicalidade nativa cheia de malemolência, com ares de favela e a malícia dos grandes pagodeiros, como: Zeca Pagodinho, Beto sem braço, Arlindo Cruz entre outros. O “Galo” é formado por músicos experientes e alguns profissionais liberais que num certo momento da vida optaram pelo samba.
Rodrigo Carvalho, o Biro, é cantor e compositor. Sempre frequentou rodas de samba, da Lapa a Madureira. Começou profissionalmente como corista em gravações e shows de Beth Carvalho. Gravou também com Bandeira Brasil, Serginho Meriti e Wanderley Monteiro. Nas quadras das escolas de samba, interpretou sambas-enredo em disputas no Império Serrano, onde foi campeão com Arlindo Cruz e na Vila Isabel, com Moacyr Luz. Como compositor, foi finalista na Beija-Flor de Nilópolis e também na oitava edição do Festival de Música da Escola Villa-Lobos com a música “Fina Batucada”, parceria com Fred Camacho, e que hoje dá nome ao primeiro CD do Galocantô.
O Gamarra é o cavaquinista do conjunto. Integrou, com Léo Costinha, o grupo Além da Razão, que comandava as rodas de samba da rua Joaquim Silva. Formado em publicidade, trabalhou na TVE Brasil, mas a paixão pela música falou mais alto. A música “Galã de Xerém”, de sua autoria com Edu Tardin, gravada no CD “Fina Batucada” é um verdadeiro sucesso por onde quer que o “Galo” passe. Léo Costinha é o dentista que optou pela percussão do Galocantô. Lula Matos é percussionista e compositor. Foi criado no bairro da Lapa. Tocou com Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila, Monarco, Nélson Sargento, Walter Alfaiate, Wilson Moreira e a Velha Guarda da Mangueira. Como compositor, tem parcerias com Ivan Milanês, Adilson Bispo, Wanderley Monteiro, Carica e Luizinho SP. Seus sambas foram gravados em São Paulo por T. Kaçula e pelos grupos Estatuto do Samba, Relíquia e Panela Preta. Marcelo Correia faz parte da nova e promissora safra dos sete-cordas do samba carioca. Já tocou com vários sambistas de destaque entre os quais Dudu Nobre.
Por fim Edson Cortês, o Dinho, que no conceito dos companheiros é “o mais rodado”. Compositor e percussionista de mão-cheia, gravou com o Fundo de Quintal em 2003 a música “Tudo por 1,99”, em parceria com Wantuir e Haroldo Cezar. Bom malandro, sabe dizer no pé e é craque na feijoada.
Falei um pouco da sensação do samba carioca no momento: O Galocantô é samba da melhor qualidade para quem aprecia a mais brasileira das músicas. É pedra preciosa do samba. Viva o Galocantô, salve a cultura popular!
Por Vitor Hugo