
Desde muito pequenos; desde quando nos apercebemos como gente, ouvimos nossos pais falarem que para nos curar de doenças, mesmo um simples resfriado, assim como para nos livrar de dor e mal-estar, devemos usar algum tipo de remédio. Ouvimos isso por muito tempo e essa afirmação se transformou primeiro em verdade e depois em crença na nossa mente. E assim a profecia se concretiza: toda vez que temos problemas de dor ou doenças tomamos remédio e temos a sensação de cura ou alívio do mal-estar. Temos inclusive os famosos chás ou mesmo xaropadas que nossas avós faziam e ensinaram para nossos pais e para nós. Basta tomarmos um desses remédios caseiros e a maioria dos problemas de saúde e dor desaparecem.
Talvez nunca tenhamos parado para pensar, mas não nascemos para ficarmos doentes. Temos dois grandes aliados em direção à permanência no estado de saúde. O primeiro é nossa mente que dita com suas crenças a forma saudável ou doente de funcionar de nosso corpo. O segundo são nossas células que, dentre suas funções, têm a capacidade de autocura. No caso da mente, ela dá forma às características de nosso corpo, quer para a saúde, quer para a doença. Os placebos provam que as doenças são criações de nossa mente e que ela tem o poder de cura quando o doente acredita que determinado procedimento ou medicamento vai curar. A única diferença realmente é que a mente acredita, ainda que o medicamento seja falso. Se a mente tem capacidade de criar uma enfermidade, também pode curar. No caso da célula, ela zela pela manutenção da saúde de nosso corpo. Toda vez que o corpo adoece, a célula deveria curá-lo e o corpo voltar ao estado saudável. Por que normalmente tanto a mente quanto as células falham na manutenção da saúde e/ou processo de autocura?
Vejamos:
Em relação à mente, nossos pais vão destruindo nossa capacidade nata de harmonia e equilíbrio em relação à saúde e bem-estar quando estabelecem falsas crenças insistentemente. Por exemplo, quando dizem que se ficamos doentes devemos tomar remédios ou buscar um médico, estão nos induzindo a renunciar a nossa capacidade de manutenção da saúde e autocura, buscando a solução fora de nós mesmos. Quanto mais acreditamos que a solução para a manutenção de nossa saúde ou o retorno a um estado de saúde quando estamos doentes está fora de nós mesmos, renunciamos a um poder que nos foi dado e elegemos um poder substituto que é a medicina com toda sua parafernália. Isso é tão grave que quando nos tornamos adultos nem sequer imaginamos que nossa mente tem esse poder e sempre que temos algum problema na área de saúde, pensamos na solução via medicina e não via mente. Com isso nos tornamos escravos de médicos, hospitais e remédios e nos sentimos incapazes de lidar com nossas doenças. Os medicamentos intoxicam, eliminam sintomas e não curam, pois quase sempre a verdadeira patologia não está na doença que está sendo tratada.
Em relação à célula, ela tem pelo menos três funções básicas. A primeira é a auto-reprodução. Como mudamos de células ininterruptamente, uma célula gera outra célula. A segunda função da célula é exercer as funções de especialização para as quais está programada, ou seja, uma célula do pâncreas tem que produzir insulina como uma de suas funções. E a terceira função da célula é a autocura. Isso quer dizer que qualquer que seja a doença ou patologia a célula tem capacidade de recuperação. No entanto para a célula exercer adequadamente essas três funções, ela precisa de um combustível adequado que é a alimentação. As células precisam de aproximadamente cinqüenta elementos essenciais e cinqüenta elementos complementares. Todos esses elementos constituem o combustível para seu ótimo funcionamento.
Como historicamente damos à nossa célula um combustível adulterado, pois não contém todos os elementos que ela precisa, ela tende a não exercer adequadamente nenhuma de suas funções. Assim, ainda que não encontremos muitas vezes outra solução para nossos problemas de saúde do que os medicamentos que podem gerar um alívio imediato, precisamos resgatar em nossa mente e corpo a capacidade de manutenção da saúde, mudando as falsas crenças e paradigmas da mente e nutrindo adequadamente nossas células com complementos alimentares, uma vez que é impossível fornecer todos os elementos essenciais que a célula precisa por meio da alimentação normal que comemos.
· Psicólogo, dr. em Saúde Mental, Psicanalista e escritor.
· Autor, dentro outros, do livro “AIDS e Exclusão social” Lemos Editorial. Professor-adjunto do Instituto de Psicologia-UFU . fone: 9158-9012
cvital@mailcity.com

O que leva as pessoas a buscar o auxílio de um sacerdote ou um pastor ou um psicólogo relaciona-se com carências afetivas parentais. Nossos pais exercem uma importância extraordinária em nossa vida. Em muitos momentos, a necessidade de carinho e proteção dos filhos é tão intensa que idealizam seus pais, emprestando a eles poderes que na verdade não têm. A idéia de Deus, dentro da psicanálise, é originada da idealização das figuras parentais. Isso é verdadeiro até para aquelas pessoas que foram abandonados por eles e sentem tristeza e às vezes raiva, por não ter recebido o amor que queriam e precisavam. Mas seguramente em algum momento, diante da necessidade, idealizaram a figura de seus pais.
Pelo ciclo biológico, os pais morrem antes dos filhos. Além disso, em vida, os pais nunca conseguem satisfazer a todas as expectativas dos filhos, principalmente em termos de carinho e proteção. Historicamente as pessoas, diante dessa lacuna afetiva, buscavam figuras substitutivas para compensar essa necessidade. O vínculo desenvolvido entre os líderes das igrejas com seus fieis facilitou o deslocamento da figura dos pais para a do líder. As inseguranças e limitações naturais do ser humano o empurram em direção a alguém que possa diminuir a insegurança daí originada. As religiões surgiram no lastro dessa necessidade. O papel que os pais deveriam fazer e não fazem por impossibilidades pessoais ou por fatalidades, os líderes religiosos assumiram. Isso explica porque as pessoas são tão receptivas às orientações dos lideres religiosos, quer para o bem, quer para o mal. Quando alguém elege outra pessoa como seu líder, deposita um voto de confiança que, em determinadas situações, pode chegar a ser incondicional.
Quanto maior a necessidade e a insegurança de alguém, maior a vulnerabilidade a esse tipo de liderança. Assim, líderes religiosos de todas as Igrejas, exercem um papel importante de suporte a seus fieis. Como em qualquer outra atividade, a importância exige preparo e responsabilidade pois terão grande influência sobre outras pessoas, tanto para o bem quanto para o mal.
Esse papel protetor paternal foi exercido por muitos séculos pelos líderes religiosos com seus fieis, sem maiores dificuldades. No entanto, a partir do início do século dezenove, mas principalmente no século vinte, a medicina aos poucos foi se apoderando do papel de suporte para as inseguranças e sofrimento psíquico humano, desempenhado pelos líderes religiosos.
Com isso a medicina e com ela outras profissões próximas tais como a psicologia, se apoderaram da função de ajudar as pessoas em suas dificuldades e conflitos psicológicos. Quem determina a existência de doenças é a medicina. Isso interfere na crença das pessoas em relação às patologias. Minha mãe sempre gostou de comidas gordurosas, comia muito bem, morreu com 84 anos e nunca teve problemas de colesterol ou de pressão porque nem sabia que esse tal de colesterol existia. Na verdade o que a matou foi um erro médico. No entanto, historicamente, ficou difícil contestar as afirmações “científicas” uma vez que a ciência, e com ela a medicina, sempre se constituíram em um grande poder, legitimado pelo poder político.
Em conseqüência, o que era feito dentro do princípio do altruísmo e do amor, agora passa a ser regido pelas regras do capitalismo. Por detrás do discurso da ajuda aos pacientes feito pelos profissionais, há um interesse pessoal de ganhar dinheiro. Isso não é um mal em si mesmo, mas muda completamente o foco e os princípios que norteiam o trabalho. O mais grave disso é que nem sempre as intervenções “técnicas” feitas pelos psicólogos têm maior eficiência do que as intervenções “leigas” feitas pelos pastores e outros líderes religiosos. Muitas vezes, o resultado de tratamentos com anos de duração com psicólogos, não trazem uma relação custo e benefício ao paciente que se justifique, enquanto que os “conselhos” de lideres religiosos podem ser mais efetivos. As considerações aqui feitas não diminuem a importância dos psicólogos ou dos lideres religiosos no suporte psicológico ao sofrimento humano, desde que ambos exerçam suas atividades com preparo, seriedade e ética. Mas não se pode negar que, da doença do mercantilismo de que são acusados alguns religiosos, os “científicos” já padecem há muito tempo.
* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor.Autor, dentro outros, do livro “AIDS e Exclusão social” Lemos Editorial. Prof. Adjunto Instituto de Psicologia-UFU . fone: 9158-9012
Email: cvital@mailcity.com

Uma leitora perguntou o que a metafísica tem a dizer sobre o pós-morte. Leitores são uma fonte inesgotável de inspiração em seus comentários. Sou grato a todos. Vamos lá. Acompanhem meu raciocínio.
Deus é eterno e, por ser eterno, não tem nem começo, nem terá fim. Deus tudo criou e, por ser fonte inesgotável de harmonia e paz, o único criador, emana dEle um poder infinito, universal, apenas um que é o poder do amor. Tudo o que realmente existe foi criado por Deus. Por isso, tudo o que Ele criou é perfeito, pois Deus deixaria de ser perfeito se sua condição criasse algo que não fosse Sua semelhança.
Todos somos perfeitos. O mal não existe como um poder paralelo ou entidade má, dentro da realidade divina imutável. O mal apenas se torna um poder quando em nossa mente damos vida a ele e o alimentamos, o que acontece de modo inconsciente. Começa, então, o mal a ter vida própria e a procurar controlar nossa mente, comportamento, o bem-estar, até a nossa saúde, mas será sempre criação de nossa mente humana. A busca por espiritualidade por meio da metafísica nos permite detectar as artimanhas do mal batendo à nossa porta em busca de entrada para então nos subjugar.
A perfeição da essência humana é como um leão na pedra esculpida. O artista sábio ao olhar para a pedra bruta já vê perfeitamente o leão e apenas vai retirar o que não o pertence, em vez de esculpi-lo na pedra. Quando olhamos para a pedra bruta e não vemos o leão como o artista o vê, isso faz com que duvidemos de sua existência, como se o único poder de amor e de harmonia, expresso por meio do leão, visível apenas como idéia, não existisse. Em verdade, Deus é a causa e o ser humano, o efeito. Como um grande Sol, Deus é a essência e cada ser humano é um raio de luz. Por ser Sol, Deus jamais conhece o mal, a escuridão e o pecado. Se contestássemos essa verdade e chamássemos Deus para ver a escuridão, Ele jamais a veria, pois sua presença expulsa as trevas. Imagine o leitor um dia ensolarado e você dentro de um galpão muito grande com milhares de furos no telhado, entrando a luz como milhares de raios. Cada raio é independente, mas todos os raios são originados do mesmo Sol. Assim é o ser humano. Se somos o efeito de Deus, Sua existência somente se justifica com a existência do ser humano. Assim o ser humano, existindo como efeito de Deus, tem a idade de Deus por compartilhar com ele a eternidade. Também por ser Amor, com A maiúsculo, Deus não castiga, pois tudo o que dEle provém faz parte da grande harmonia e paz, sustentada pelo poder de Deus, e constantemente presente em nós.
Se a luz emanada do Sol, Deus, nos legitima como eternos, não tem sentido se falar em pós-morte, pois jamais morreremos. O que morre é o corpo, pertencente ao mundo relativo e estamos nos referindo ao mundo absoluto. Aliás, sempre que nos prendemos às exigências dos cinco sentidos nos afastamos do mundo absoluto, regido pela lei da abundância, do Amor, e da vida sem fim. O preço do domínio dos sentidos nos aprisiona na lei da escassez, da degeneração, da perda gradativa de nossa habilidade funcional. Assim, quanto mais nos prendemos às exigências do corpo, menos próximos ficamos do absoluto. Quanto mais nossos sentidos nos dominam, mais somos possuídos por sentimentos negativos, tais como raiva, egoísmo, tristeza, ódio, inveja, competição, ciúme e medo. Logo a desarmonia se instala dentro de nós não mais como passageira, mas como inquilina e logo iremos colher os frutos dessa intrusa possessiva. Dar vazão a esses sentimentos nos leva à destruição. Quanto mais liberdade, mais independência, mais cedermos aos sentidos materiais, tanto mais prisioneiros estaremos da matéria e de suas limitações. Esse talvez seja o grande paradoxo da vida humana.
As doenças, todas sem exceção, tÊm origem nessa desarmonia gerada por alguns tipos de sentimentos. A harmonia se origina do amor e da perfeição e como tal não pode gerar imperfeição como a doença. Ainda que não saibamos, a dor, a doença e o pecado são a expressão dessa desarmonia em nossa mente. Estamos vivendo num mundo com informações contraditórias, valores conflitantes e exigências absurdas. O consumo de medicamentos tem aumentado assustadoramente, mas nunca se esteve tão longe de eliminar a dor e as doenças. O pós-morte, à luz da metafísica e em termos absolutos, não existe. A morte faz desaparecer a personalidade humana, que existiu como ilusão dos sentidos.
• Psicólogo, dr. em saúde mental, psicanalista e escritor. Prof. adjunto do Instituto de Psicologia-UFU.