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Ivan Santos







31-07-2008


Propaganda fantástica



A propaganda eleitoral impressa, de candidatos a vereador, em Uberlândia, já começou a apresentar “programas e propostas” verdadeiramente fantásticos. Numa delas, um candidato à Câmara Municipal promete que, se for eleito, vai “trabalhar para construir metrôs de superfícies que liguem os principais bairros da cidade ao Terminal Central para resolver de uma vez por todas os problemas de transportes urbanos na cidade”. Ontem conhecemos outro “Programa de Trabalho” de outro candidato a vereador. Este promete defender “políticas afirmativas que promovem uma cultura de respeito à diversidade sexual”. Esta proposta, sem dúvida nenhuma, é renovadora, promissora e impressionante. Tem mais: o candidato promete defender “políticas afirmativas que promovam a igualdade racial, o direito das mulheres e incentivos às manifestações culturais”. Este candidato só não explica como serão os “incentivos ao direito das mulheres e às manifestações culturais”. O incentivo é segredo que está oculto em uma mente privilegiada. Outro candidato moderno promete que, se ganhar o direito de representar o povo no Parlamento, vai “trabalhar por políticas públicas direcionadas a atender aos anseios da juventude com cursos profissionalizantes, inserção no mercado de trabalho, atividades culturais e esportivas” e, naturalmente, etc. Candidato moderno precisa garantir que tem capacidade de “lutar por melhorias na saúde do município”. Só educação pode acabar com fantasias eleitorais. Podem crer.

Emoções fortes

Não faltam emoções nas propostas de alguns candidatos a vereador. Há um que informa, a quem interessar possa, que se for eleito vai “mandar a polícia tirar todos os ladrões das ruas da cidade e confinar eles em cadeias de segurança máxima”. Assim, o candidato promete “acabar com a violência em todos os bairros pobres da nossa pacata e ordeira cidade”.

Guerra ao tráfico

Os traficantes que se cuidem. Outro candidato a vereador promete “acabar com a moleza dos traficantes de drogas que estão infelicitando a vida das famílias cristãs e levando o vício maligno até as salas de aulas da cidade”. Como ele fará para acabar com a boa vida dos traficantes é segredo absoluto que a população só conhecerá se ele se eleger vereador.

Lindeza

Também já apareceu um candidato que promete ser “o representante de todas as associações de bairros do município”. Este, se eleito for, vai “colocar no orçamento municipal muitas verbas para criar serviços comunitários com creches e áreas de lazer para bailes e festas em todos os bairros da cidade comandados por associações”. Lindo, né?

*opiniao@correiodeuberlandia.com.br





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30-07-2008


ZPE para Uberlândia



O senador Wellington Salgado apresentou no Senado um projeto de lei autorizativo no qual destacou: “Fica o Poder Executivo autorizado a criar Zona de Processamento de Exportação no Município de Uberlândia, no Estado de Minas Gerais”. Nesse tipo de proposição é bom ponderar que a iniciativa depende, em primeiro lugar, da vontade do chefe do governo. Uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) é um instrumento de redução de desigualdades regionais e intra-regionais e se ancora na Constituição de 1988. Tem que ser compatível com a Política Nacional de Desenvolvimento Regional. Em poucas palavras: ZPE é instrumento criado no Brasil pelo poder público para ajudar a desenvolver regiões pobres do Nordeste e do Norte. Quando este assunto foi discutido na Constituinte, a poderosa bancada mineira esforçou-se para criar uma ZPE em Teófilo Otoni para exportar pedras preciosas lapidadas. O senador Ronan Tito, que era líder do PMDB — partido do governo no Senado e negociador da dívida externa brasileira —, com todo o prestígio que tinha na época, não conseguiu, com apoio da bancada de Minas, viabilizar a ZPE de Teófilo Otoni. Se o senador Salgado conseguir criar uma ZPE em Uberlândia, merecerá aplausos. Afinal, uma ZPE não interessa só a Uberlândia e ao Triângulo Mineiro, mas a todo o Estado de Minas Gerais. Por isto, o senador Salgado deve ter comunicado a iniciativa ao governador do Estado das Gerais, Aécio Neves, e ao prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão.

A justificativa

Salgado explicou no projeto: “As Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) vêm sendo utilizadas, em diversos países, como importantes instrumentos de transformação de áreas carentes de maior dinamismo econômico, a partir da agregação de valor aos produtos provenientes de suas atividades”. É o caso de Uberlândia, no entender do senador.

Isenção de tributos

Numa ZPE, as empresas industriais produzem para exportar e não pagam alguns impostos, entre os quais: Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Imposto de Importação; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins); PIS/Pasep; Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), entre outros tributos federais.

Matéria polêmica

Wellington Salgado é político experiente, conceituado na Câmara Alta do Parlamento da República e dispõe de vários assessores técnicos no PMDB — maior partido da coalizão — que podem orientá-lo na defesa do projeto. O senador Salgado sabe que não é fácil aprovar uma lei autorizativa no Congresso. A proposição dele tem conotação político-eleitoral? Tem não!





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29-07-2008


Criminalidade e política



Noticiário policial não é minha praia. No entanto, para acompanhar o processo político moderno no Brasil, a organização da criminalidade entra como fator importante na análise ou observação de qualquer estágio de comportamento político. Neste contexto, a denominada “criminalidade” cada vez mais espanta a sociedade com tamanha capacidade de organização. Dados recentes levantados pelo mapa eleitoral de 2004 e divulgados, na semana passada, pelo “Jornal do Brasil” indicam que mais de 10% dos vereadores em atuação na cidade do Rio de Janeiro contaram com apoio de organizações criminosas para se elegerem. As informações foram colhidas pela CPI das Milícias, na Polícia Federal e na Polícia Civil por meio do cruzamento de informações do TRE, com os nomes de parlamentares eleitos no último pleito e os endereços das urnas que renderam mais votos a cada um dos eleitos. O “JB” identificou seis vereadores beneficiados por alta concentração de votos em currais eleitorais instalados em áreas que estão sob poder de milícias ou do tráfico de drogas. De acordo com o levantamento feito pelo “Jornal do Brasil”, quatro vereadores obtiveram mais da metade dos votos na eleição passada em currais das milícias da Zona Oeste. Outros dois se favoreceram com votações majoritárias em áreas dominadas pelo tráfico, nas Zonas Sul e Norte. Esse tipo de informação é indicativo da omissão do Estado Nacional em matéria de segurança pública no Brasil. Cuidado, pessoal! Esse bicho é perigoso, pega e mata.

Crime e poder

O “Jornal do Brasil”, que iniciou uma série de reportagens sobre a interferência do tráfico, das milícias e do clientelismo no processo eleitoral por meio da formação de currais de assistência social. As matérias já publicadas são relatos impressionantes. As milícias do Rio imitam os paramilitares que supostamente combatem as Farc na Colômbia.

Mau exemplo

O “JB” contou a história do vereador Jerominho (PMDB) — atualmente na cadeia. Em 12 das 97 zonas eleitorais do Município, ele conquistou 82,68% dos 33.373 votos com os quais se elegeu. Jerominho é acusado de ser membro de uma quadrilha de milicianos. O mapa do TRE demonstrou o poder de votos de candidatos beneficiados pelo tráfico ou por milícias.

Prisioneiros

Para o cientista político Marcos Figueiredo, “hoje na cidade do Rio de Janeiro, algumas pessoas se sentem no direito de fazer o que querem e parte dos moradores tem plena consciência desta situação, mas está coagida. Se não obedecer será expulsa”. A aberração em toda esta história é a omissão do Estado que devia garantir segurança aos cidadãos.





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28-07-2008


Lula e as campanhas eleitorais



O presidente Lula, no começo do processo eleitoral deste ano, informou à nação que não participaria de campanhas de candidatos a prefeitos de partidos da base de apoio ao governo federal. Naturalmente, se na cidade dois aliados se confrontassem. A diferença é que Lula é político pragmático, com luz e comportamento próprios, que fala o que pensa e age como quer. Na semana passada, Lula surpreendeu os políticos quando liberou os ministros para ajudar seus correligionários, candidatos a prefeito, em qualquer estado, mas limitou a participação de dois deles: Dilma Rousseff, da Casa Civil, que só poderá apoiar publicamente a candidata do PT em Porto Alegre, e José Múcio, das Relações Institucionais, que foi liberado para apoiar candidatos a prefeito do PMDB em Pernambuco. Todos os outros ministros estão liberados para subir no palanque que quiserem, em qualquer Estado da Federação. Lula voltou a afirmar que, no primeiro turno da eleição, não subirá no palanque de ninguém. Até disse que intensificará as viagens pelo Brasil e exterior para “tratar de assuntos de interesse do Brasil”.

Nos bastidores, em Brasília, há comentários que garantem: Lula subirá, no primeiro turno, no palanque de Marta Suplicy, em São Paulo, e no de Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo porque estas duas cidades representam o mapa político do PT e do próprio Lula. Não será novidade se o presidente esquecer o que prometeu e apoiar publicamente, no primeiro turno, alguns candidatos do PT. Será sinal claro de que, no segundo turno, o presidente se empenhará em campanhas a favor de candidatos do PT ou aliados. Em São Paulo, os adversários de Lula são: Gilberto Kassab, do DEM, que disputa a reeleição e Geraldo Alckmin, candidato do PSDB. Estes são “inimigos”. Na hipótese de Paulo Maluf se classificar para o segundo turno, o petista Luiz Inácio Lula da Silva  poderá subir no palanque dele porque Maluf é aliado do governo e do PT em Brasília. Em política, os fins justificam os meios nas decisões fatais.

Estratégia eleitoral

A estratégia promocional recomendada pelo PT aos candidatos do partido a prefeito, em todo o Brasil, é a aproximação com o presidente Lula. As obras dos municípios que receberam recursos repassados pelo governo federal ou foram financiadas por bancos estatais devem ser apresentadas aos eleitores como “obras do Lula e do PT”. Esta é uma jogada de marketing para ligar o candidato à popularidade de Lula.

Preocupação

No fim da semana passada, Lula demonstrou preocupação com a imagem do governo nas campanhas eleitorais. Por isto recomendou aos ministros que promovam intensa divulgação das obras do governo nos municípios, principalmente, as de interesse social. A decisão do presidente Lula de limitar a participação de Dilma Rousseff e de José Múcio foi para não agravar ou desgastar a imagem do governo na opinião pública.

Estúdio especial

Em Brasília, discretamente, ministros e secretários especiais do governo federal ligados ao PT já começaram a gravar participação em campanhas eleitorais municipais. As gravações para os programas de TV, no horário gratuito, são gravadas em um estúdio montado pelo Partido dos Trabalhadores para produzir a propaganda da “cumpanheirada”. Ainda ninguém sabe se o presidente Lula também gravará mensagens eleitorais.

Bateu, levou

Ciente da jogada de marketing com obras financiadas pelo governo do PT em Uberlândia, o prefeito Odelmo Leão preparou-se para responder rapidamente a qualquer provocação sobre obras construídas pela Prefeitura nos últimos três anos. A batalha na mídia eleitoral que começará na segunda quinzena de agosto promete ser movimentada, vigorosa e emocionante. Odelmo Leão preparou-se com antecedência para o que der e vier.

*opiniao@correiodeuberlandia.com.br





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27-07-2008


Fórum quer ouvir candidatos



O Fórum de Competitividade de Uberlândia prepara uma audiência para ouvir, no fim de agosto, todos os candidatos a prefeito de Uberlândia. Não será um debate. O Fórum quer conhecer o Programa de Governo de cada candidato a administrador de Uberlândia de 2009 a 2012. Os professores, pesquisadores e empresários que participam do Fórum entendem que qualquer dos candidatos a prefeito do Município pode vir a ser o futuro prefeito. Por esta razão decidiram ouvir todos eles por pelo menos uma hora. Não para contestar ou criticar o programa de cada um, mas para ter uma visão clara das propostas e intenções que apresentam como candidato. O encontro será aberto. Serão convidados representantes de jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão. Participam do fórum professores e pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), do Centro Universitário do Triângulo (Unitri), da Faculdade Católica, da Uniminas, da Uniub, da Politécnica e da Esamc e empresários. O Fórum tem caráter permanente e atua com o objetivo de estudar, elaborar e discutir produtos e procedimentos que resultem na modernização da produção de bens econômicos e serviços em Uberlândia e no Triângulo. O Fórum não tem cor política nem defende filosofia exclusiva. Também não tem compromisso com partido político ou candidato. Respeita ideologias e todas as diferenças sociais, políticas ou econômicas. O encontro com os candidatos foi idealizado com uma finalidade: saber o que cada um deles propõe para Uberlândia.

Oportunidade

Neste ano eleitoral, por causa das limitações impostas pela Lei Eleitoral, os candidatos terão poucas oportunidades de apresentar seus projetos, suas proposições e seus programas administrativos a setores que influem na formação da opinião pública. Uma coisa é a campanha de marketing nas emissoras de rádio e de televisão; outra é o Programa de Governo.

Jogo do passado

No passado, alguns candidatos procuravam envolver os adversários em crimes, vícios e corrupção de toda espécie para enfatizar-lhes a incapacidade, a incompetência e a falta de honorabilidade para assumir um cargo executivo e gerenciar recursos públicos. Hoje essa fórmula não produz mais efeito eleitoral e pode desgastar acusados e acusadores.

Programa definido

Hoje, para ter sucesso, um candidato a cargo executivo precisa mostrar bom senso, capacidade gerencial, firmeza de caráter, personalidade e habilidade para superar boatos e armadilhas de adversários. Hoje em dia, um candidato a prefeito não se elege só com ideologia e boa vontade. Precisa apresentar programa definido no qual os eleitores acreditem.





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Raí Ribeiro.
27-07-2008
Interessante o "forum para ouvir candidatos" isto mim leva a voltar no tempo e recordar as eleiçoes de 1994 para deputado quando eu na condiçao de presidente da associaçãode amigos do bairro são jorge realizei o programa "conhecendo o candidato "quando todos os candidatos a deputado federal e estadual por uberlândia foram convidados a participar entre eles o hoje prefeito, odelmo leão. Isto mim deixa orgulhoso por ter dado um exemplo ao futuro de democracia. O Mauricio Ricardo era diretor do "jornal correio"´na época, quem duvidar pesquise.










26-07-2008


Reforma Tributária Parou



A Reforma Tributária, apresentada no Congresso pelo governo federal, está emperrada. Não ata nem desata. Já dissemos neste espaço que a proposta não caminharia em 2008 por ser este ano de eleições municipais. Não deu outra. Ninguém no Congresso fala mais em Reforma Tributária. No governo de Fernando Henrique, a iniciativa de promover uma reforma fiscal e tributária resultou na criação de mais impostos, taxas e contribuições. No atual governo, a intenção é a mesma. Após a Oposição derrotar no Senado a proposta de reformulação da CPMF (Imposto do Cheque), o governo estimulou a Base Aliada a aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS) — na prática, a recriação da CPMF. Recriar um imposto quando se discute uma reforma tributária para desonerar a produção é incoerência. Deixamos aqui um comentário para reflexão: neste ano, ninguém mais falará em reforma tributária porque depois de outubro haverá reuniões políticas para rearticular as bases municipais e preparar a campanha de 2010 para eleger governadores, deputados estaduais, federais, dois terços do Senado, governadores dos Estados e o presidente da República. A articulação nos partidos políticos para as eleições de 2010 começará em 2009. Então, se a Reforma Tributária não for discutida e aprovada até maio de 2009, o governo, que não quer reforma tributária nenhuma, ficará para o futuro incerto e não sabido. Não é pessimismo. É a realidade do exótico processo brasileiro. Então é preciso relaxar pra gozar.

Desentendimentos

No momento, sobre reforma tributária, há sérios desentendimentos entre o governo federal, os governos dos estados e as prefeituras. Estas defendem um Pacto Federativo para que o governo da União libere mais recursos para os municípios. Os governadores dos estados industrializados não aceitam a cobrança do ICMS no destino porque temem perder receitas preciosas.

Indenização

Os governadores dos estados querem que o Congresso crie, na Reforma Tributária, um fundo para indenizar as unidades federadas que registrarem perdas em decorrência da aprovação da cobrança do ICMS no destino. A criação do ICMS federal para evitar a guerra por renúncia fiscal nos estados é outro ponto de discórdia até hoje insuperável.

Reforma geral

Alguém já disse que todo sistema tributário pode ser comparado a uma casa residencial. Quando uma torneira começa a pingar, é preciso consertá-la. Depois de algum tempo é preciso reformar o piso, reformar e repintar as paredes. Todo sistema tributário também precisa de reformas para modernizar-se. Difícil é escolher a cor da tinta e o tipo da cerâmica.





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25-07-2008


Ministros nos palanques



O presidente Lula decidiu, na terça-feira passada, que os ministros do governo podem participar de campanhas eleitorais de candidatos a prefeito, em qualquer Estado do País. Estão todos liberados, com exceção de José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, e Dilma Rosseff, da Casa Civil. José Múcio só foi autorizado por Lula a participar de campanhas de candidatos do PMDB em Pernambuco e Dilma Roussef só apoiará a candidata do PT à Prefeitura de Porto Alegre, Maria do Rosário. A decisão do presidente libera os ministros Patrus Ananias (Combate à Fome) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) para comícios em favor dos candidatos do PT em Minas e, naturalmente, em Uberlândia. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, se quiser, poderá comparecer ao Triângulo para apoiar candidatos ou coligações com o PMDB. É absolutamente improvável que Hélio Costa apóie campanhas de candidatos do DEM por ser este um dos partidos considerados em Brasília como de “oposição radical” ao presidente da República. Candidatos do DEM poderão receber apoio de líderes nacionais do partido que não estão impedidos de participar de campanhas a favor de candidatos “democratas” em todo o Brasil. Neste ano, segundo analistas de comportamento humano, será “muito difícil” atrair pessoas para aplaudir candidatos em comícios sem a participação de artistas populares. Ministro de Estado não é artista para atrair eleitores que não parecem dispostos a ouvir discursos em comícios como antigamente. O mundo mudou.

Decisão de Lula

Na prática do processo político atual, o presidente Lula liberou ministros e secretários para que possam participar de campanhas eleitorais no Brasil. A liberação para que os auxiliares diretos do governo possam subir em palanques nestas eleições dividia opiniões no Planalto, mas lá só um dá a palavra final: Luiz Lula da Silva.

Ministro na campanha

A participação de ministros nas campanhas foi tratada como assunto de interesse nacional na reunião de coordenação política conduzida pelo presidente da República. Compareceram, entre outras autoridades, os ministros Tarso Genro (Justiça), Múcio, Dilma, Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e Luiz Dulci.

Prefeito candidato

O partido do prefeito de Uberlândia — o PP — é da Base de Apoio ao presidente Lula. Por isto o ministro Márcio Fortes, que liberou recursos para sanear o bairro Morumbi e outras obras em Uberlândia, não está impedido de vir à cidade para apoiar o prefeito candidato à reeleição. Odelmo Leão também conta com o apoio do governador Aécio Neves.

*opiniao@correiodeuberlandia.com.br





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24-07-2008


Lula é o senhor das obras



No primeiro debate promovido em São Paulo pela TV Bandeirantes, na segunda-feira passada, compareceram oito candidatos, mas o astro cintilante foi o presidente Lula. A candidata do PT, Marta Suplicy, aproveitou a ocasião para afirmar, “sem medo de ser feliz”, que todas as obras inauguradas em São Paulo, nos últimos cinco anos, foram financiadas pelo governo do presidente Lula. Sem Lula não teriam sido construídos conjuntos residenciais populares financiados pela Caixa Econômica Federal, escolas nem creches. As obras sociais e as de saneamento básico foram financiadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a geração de novos empregos nas empresas privadas só foi possível porque Lula liberou dinheiro para financiar o desenvolvimento econômico. Isto no entender da ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy. Lula também, no entender de dona Marta, financiou postos de saúde, liberou recursos do SUS para manter a assistência de saúde aos pobres, financiou escolas superiores federais e particulares com recursos liberados  pelo ProUni; financiou a construção de corredores de transportes, enfim, foi o responsável por todos os programas sociais executados em São Paulo. O candidato do DEM, partido adversário do governo federal, Gilberto Kassab, preferiu não retrucar. Passou o tempo tentando explicar que era ele o candidato que tem apoio do governador José Serra (PSDB) e não Geraldo Alckmin (PSDB). Foi um espetáculo de cinismo e desinformação.

Estratégia do PT

No debate, a candidata Marta Suplicy revelou a estratégia de marketing eleitoral do PT neste ano: todos os candidatos petistas, principalmente os das capitais e das cidades de porte médio, devem ligar-se ao presidente Lula para conquistar os votos dos eleitores que ainda acreditam que todo o poder emana de Lula e em nome dele é exercido.

Lula, o inspirador

Segundo Marta Suplicy, Lula foi o inspirador e financiador de obras de urbanização de favelas em São Paulo. Todas as obras sociais executadas e inauguradas por Kassab foram financiadas por Lula com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula criou o PAC do Emprego para garantir trabalho remunerado aos pobres da Paulicéia Desvairada.

Modernidade

A estratégia da Suplicy, que procurou vincular todas as obras sociais inauguradas em São Paulo nos últimos anos, ao presidente Lula, poderá ser seguida por outros candidatos do PT no Brasil neste ano, principalmente nas cidades com grandes problemas na educação, habitação, transportes urbanos e segurança pública. Esta modernidade é singular, especial! 





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23-07-2008


Problemas eleitorais



A Justiça Eleitoral do Brasil tem pela frente em 2008 vários desafios a enfrentar. A eleição deste ano ocorrerá no mesmo dia e ao mesmo tempo em 5.548 municípios nos quais parte dos prefeitos tem direito de se candidatar à reeleição sem se afastar do cargo. A lei proíbe o uso da máquina administrativa de trabalhar e colocar recursos à disposição do prefeito-candidato à reeleição. A dificuldade será aplicar a lei para evitar os abusos cometidos por quem detém o poder nos municípios. Por isto os juízes eleitorais, principalmente os dos municípios pequenos, terão dificuldade para impedir que funcionários de prefeitura que ocupam cargos de  confiança ou estáveis que ocupam cargo de chefia se engajem na campanha em favor do chefe.  A ação de servidores públicos na campanha eleitoral em favor do prefeito-candidato é proibida, mas a favor dos adversários do prefeito, pode? Se não pode, onde está o direito do cidadão, funcionário da Prefeitura, de escolher livremente um candidato e trabalhar por ele? Esta indagação carece de resposta. A recomendação dos comandantes do processo eleitoral é que os partidos políticos organizados e a própria população fiquem atentos a essa questão e denunciem a participação de servidores públicos na campana eleitoral. Mas servidor público, em tempo de eleição é cidadão de segunda categoria? Na campanha eleitoral deste ano, a Justiça Eleitoral deverá enfrentar no trabalho muitas situações difíceis de resolver. Quem viver, verá.

Abusos

Com o início oficial da campanha eleitoral deste ano, a Justiça preparou-se para evitar abusos. Os cartórios eleitorais estão abertos para receber denúncias. E é neles que os eleitores, por meio dos partidos ou do Ministério Público Eleitoral, podem fazer denúncias de abusos cometidos por candidatos em campanha eleitoral irregular no município.

Educação política

A maioria dos eleitores do Brasil não tem educação política. É grande o número dos que não sabem quais são as atribuições de prefeitos e vereadores. Por esta razão a massa eleitoral acredita que candidato a vereador pode construir obras e organizar serviços públicos. A falta de educação política nas escolas ou nos partidos é danosa à democracia.

Pela ditadura

O economista norte-americano Fischlow disse recentemente que o Brasil precisa aplicar recursos maciçamente em educação, nos próximos 15 anos, se quiser ocupar um lugar de destaque no mundo. Esta recomendação serve de advertência aos partidos políticos interessados na solidificação da democracia. Eleitor despolitizado não ajuda solidificar a democracia.





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22-07-2008


Jogada eleitoral mineira



Uma pesquisa de intenções de votos na capital do Estado, divulgada pelo Ibope na semana passada, revelou que a candidata do PC do B à Prefeitura Jô Morais lidera com 17%; o candidato do PMDB, Leonardo Quintão está com 14% e o do PT-PSB, que tem apoio informal do governador Aécio Neves e do prefeito Pimentel, está em terceiro lugar com 8%. Pesquisa no início de campanha não expressa resultado eleitoral final. Quando foi candidato à Prefeitura de BH, Célio de Castro (PT) tinha 2% e ganhou a eleição. O candidato Márcio Lacerda, pupilo de Ciro Gomes (PSB), precisa do apoio vigoroso do PT de Lula e do governador Aécio Neves para virar o jogo a seu favor porque é o candidato menos conhecido em Belo Horizonte. O apoio do governador ao ex-secretário do Desenvolvimento do Estado é informal porque o PT não quis misturar-se com tucanos na campanha. Talvez para manter pura e casta a identidade petista. Aécio Neves não se importou. Na realidade, o governador aplicou na eleição de Belo Horizonte a estratégia de campanha do general prussiano Karl von Clausewitz: atrair um comandante adversário para dividir o inimigo. Foi o que fez Aécio com o prefeito petista da capital, Fernando Pimentel. Ambos se associaram para defender a candidatura do socialista Márcio Lacerda e a cúpula do PT bombardeou o acordo. Hoje o governador mantém o apoio de palavra a Lacerda, mas não botou o bloco tucano na rua para defender o candidato do PSB-PT, que navega à deriva no sopé da Montanha do Curral Del Rei.

Alheamento

Sobre a pesquisa do Ibope em BH é preciso fazer uma reflexão séria: o candidato do governador e do prefeito Pimentel com toda a divulgação na imprensa tem 8%. Os líderes têm 17% e 14% na pesquisa. O que surpreende é que o "não voto" alcançou na pesquisa, 49%. Está caracterizado o alheamento da população em relação às eleições deste ano.

PT fora

Qualquer que for o resultado da eleição em Belo Horizonte, o futuro prefeito da capital não será do PT. Ao tucano Aécio Neves é indiferente que o prefeito de BH seja Jô Morais, Leonardo Quintão ou Márcio Lacerda. Ruim seria se o sucessor de Pimentel fosse Patrus Ananias, Luiz Dulci ou Virgílio Guimarães, que daria peso ao PT na disputa estadual em 2010. 

Promessas

Neste ano, a Tigrada de Uberlândia circula silenciosa, aparentemente, alheia ao processo eleitoral. Os candidatos preparam-se para aparecer no mês que vem, no rádio e na TV, quando começar o horário da propaganda gratuita. Quem não tiver o que mostrar ou o que dizer, ficará perdido na braquiária a ver navios no cerrado. Promessa vazia já era. Não cola mais. 





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