
Não é só candidato da base aliada que está de olho na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o próprio Lula autorizou a exploração de sua imagem nas campanhas por candidatos que são de partidos aliados, já tem gente de legendas da oposição também ensaiando o discurso de sintonia com o governo. Em Uberlândia, além de Weliton Prado (PT) e Odelmo Leão (PP), o candidato do DEM, João Bittar, é outro que espera ter a imagem do presidente em sua campanha, a exemplo de 2004. Fontes asseguram que o deputado democrata até já conta com uma carta na manga para ser usada durante o horário eleitoral gratuito da televisão. É esperar para ver.
“Oposição amiga”
Na eleição municipal passada, João Bittar exibiu em seu programa de televisão uma mensagem gravada ao lado do presidente Lula. Foi no segundo turno, quando disputava a Prefeitura com Odelmo Leão. Na época, Bittar era do PL (hoje PR), partido que integrou a base do primeiro mandato petista e que está novamente nesta gestão. Agora, no DEM, seria improvável — porém não impossível — que o mesmo gesto se repita. O DEM é o principal partido da oposição. No entanto, como não é segredo para ninguém, Bittar sempre teve uma proximidade com o governo federal, chegando inclusive a votar com a base em várias ocasiões.
Fidelidade à prova
Que Lula virou fenômeno nas campanhas eleitorais ninguém duvida. E pensar que algum tempo atrás era alvo de muita gente que hoje, se não o bajula, ao menos, evita criticá-lo em público. Não faz muito tempo alguns vereadores de Uberlândia, do alto da tribuna, teciam críticas ao governo federal. O próprio presidente da Casa, vereador Hélio Ferraz (PP), antes de assumir a Mesa Diretora, era um deles. “A política é uma ciência dinâmica, não é uma ciência estática”, argumentou ao ser procurado ontem pela Coluna. Questionado se também usaria a imagem de Lula em sua campanha à reeleição, o vereador foi enfático: “Se precisar...”. “O PP é da base aliada. Na Câmara Federal, o PP é mais fiel [nas votações em plenário] do que o PT”, completou.
“Lulécio”
A eleição deste ano trouxe, em muitas cidades mineiras, um fenômeno desencadeado no pleito de 2006: o Lulécio. Com PT e PSDB mais próximos do que nunca na capital, e com os candidatos buscando pegar carona na popularidade de ambos no interior, ficou difícil não vincular as campanhas às ações dos governos estadual e federal. Criticar as atuações de Lula ou de Aécio pode se tornar um risco para campanha de quem pretende se eleger.
Na foto
A visita do governador mineiro a Uberlândia, ontem, foi uma constatação de que muito candidato não perde a chance de pegar carona numa liderança política. Do aeroporto ao saguão do Centro Administrativo, onde foi a solenidade oficial, choveu candidato. Todo mundo queria sair na foto ao lado de Aécio Neves. Muitos candidatos — anônimos — só não conseguiram porque o cerimonial do governo tratou de separar as autoridades do público em geral.
Lotado
A solenidade de assinatura do protocolo de intenção para instalação do entreposto da Zona Franca de Manaus em Uberlândia deveria acontecer no auditório da Prefeitura, que tem capacidade para 190 pessoas sentadas. Mas, diante da quantidade de convites entregues pelo governo do Estado, e do interesse da Administração Municipal em permitir a participação dos servidores, o evento foi transferido para o saguão do Centro Administrativo (foto). Foram colocadas 350 cadeiras, mas o número de gente que acompanhou em pé, tanto no piso quanto nos andares superiores, foi bem superior. Apesar de estarem em maior número, os funcionários da Prefeitura quase foram esquecidos no discurso de abertura do prefeito Odelmo Leão, que, após citar as autoridades, iniciou sua fala. Mas, pouco depois, fez uma pausa, pediu perdão e direcionou os cumprimentos aos servidores.
| Foto:Confidencial |
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| Rondon Pacheco recebe os cumprimentos do governador Aécio Neves |
Homenagem
O ex-governador Rondon Pacheco teve um momento especial ontem, diante de centenas de autoridades, empresários e populares. No encerramento de seu discurso, o governador Aécio Neves encabeçou um “Parabéns pra você” numa homenagem a quem considera o “maior exemplo de vida política do Estado de Minas”. Rondon Pacheco faz hoje 89 anos.
*walace@correiodeuberlandia.com.br

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de autorizar todos os candidatos de partidos da base aliada a usar sua imagem na propaganda eleitoral vai dar um novo enfoque à disputa deste ano. Imagine nas cidades em que há apenas dois candidatos a prefeito — é o caso da maioria das cidades pequenas mineiras — e ambos são de partidos da base. O eleitor está sujeito a ver, no horário eleitoral gratuito da televisão, o mesmo discurso defendido por candidatos diferentes.
Lula lá e cá
Em Uberlândia, o uso da imagem do presidente Lula poderá ser explorado tanto pelo candidato do PT, Weliton Prado, quanto pelo prefeito candidato à reeleição, Odelmo Leão, do PP. Quando assumiu a então condição de pré-candidato, Odelmo fez questão de frisar nas entrevistas à imprensa que seu partido era da base do governo federal. Coisa que não era dita nos três primeiros anos de mandato. A primeira-dama e coordenadora de campanha Ana Paula Junqueira disse que ainda não há estratégia definida, mas admitiu que o fato de o PP ser da base aliada pode ser aproveitado na campanha. “Todo trabalho desenvolvido pelo prefeito vai ser mostrado”, disse.
Fora do cartaz
As divergências internas no PT de Belo Horizonte, fruto da tentativa de manter a aliança com o PSDB na disputa pela Prefeitura, são uma prévia do cenário a ser desencadeado em 2010. Em entrevista ao blog das Eleições, do portal Uai, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, fez duras críticas ao prefeito Fernando Pimentel. “O prefeito conseguiu uma façanha que o mais duro adversário do PT não ousaria pensar: desapareceu com o Partido dos Trabalhadores em Belo Horizonte”, disse, com relação às peças de campanha do candidato Márcio Lacerda (PSB) que não fazem nenhuma referência ao PT, que indicou o vice na chapa. Patrus e Pimentel são os mais cotados do PT para disputar o governo de Minas.
Queda-de-braço
Se a aliança, mesmo informal, entre PT e PSDB em BH falhar nas eleições de outubro, a pré-candidatura do atual prefeito Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2010 pode subir no telhado. Se o candidato defendido por petistas e tucanos for o vencedor na capital, então o ministro Patrus Ananias é que terá mais dificuldades para fazer seu nome prevalecer. Por enquanto, o ex-prefeito Patrus Ananias, que não fará nenhum esforço na campanha de Márcio Lacerda, tem mais a comemorar do que seu “companheiro” de partido. Lacerda é o terceiro nas pesquisas divulgadas até o momento.
Sem maioria
Quem também deve estar preocupado com o desempenho da candidatura de Márcio Lacerda é o governador Aécio Neves (PSDB), que, com Pimentel, foi o articulador da aliança que acabou ficando apenas na informalidade, mas que deu pano para a manga. A alegação dada por ambos para defender uma candidatura única foi a de que a iniciativa atendia a um apelo da população, medido em pesquisa. A candidatura Lacerda, portanto, atendia ao “desejo de continuidade” demonstrado no levantamento. Mas, se a candidatura naufragar, vai ser difícil explicar o que aconteceu. Por enquanto, a maioria dos belo-horizontinos que gostaria de manter o perfil administrativo na capital ainda não se manifestou.

Enquanto muito candidato por aí tenta, enfim, emplacar o pontapé inicial em sua vida política, um uberlandense das antigas aproveita o aconchego de seu lar e a distância das ruas para contar sua trajetória política. O ex-deputado Homero Santos tem dedicado o tempo a organizar documentos, relembrar fatos e histórias de seus mais de 50 anos de vida pública. Aos 78 anos e vivendo na Capital Federal, Homero Santos prepara um livro de memórias. A iniciativa começou há cerca de dois meses e conta com uma equipe de profissionais que o ajuda na elaboração de todo o material. Por enquanto ainda não há data para que o livro seja finalizado e publicado.
Coração cruzmaltino
Se fará parte do livro ou não, é uma outra história. O fato é que a última atuação política do ex-deputado uberlandense Homero Santos, apesar de ter acontecido em nível de bastidores, vai deixar muita gente satisfeita. Especialmente os torcedores do Vasco da Gama. Considerado um vascaíno nato, Homero Santos havia prometido que só voltaria a assistir aos jogos do clube depois que o então presidente Eurico Miranda fosse “derrubado”. Para isso não ficou só na torcida. Segundo um parente próximo, foram vários telefonemas para amigos, parentes e contatos no Rio de Janeiro articulando a queda do “caixa d’água”. Com a posse de Roberto Dinamite, Homero voltou a ter seus momentos de descontração na frente da televisão.
Concorrido
A solenidade de assinatura do protocolo de intenções para a instalação de um entreposto da Zona Franca de Manaus em Uberlândia, na próxima quarta-feira, é, até o momento, o evento mais concorrido do ano. Políticos, empresários e representantes de outros segmentos têm procurado o cerimonial da Prefeitura para saber se pode participar do evento. Um dos motivos da procura é que os convites foram enviados pelo governo do Estado, portanto, quem não foi oficialmente convidado quer saber se está ou não na lista e se ainda tem chance de estar presente. O auditório da Prefeitura, onde será a assinatura do protocolo, tem espaço para 190 pessoas sentadas.
Segurança
Somente hoje é que os ansiosos e apreensivos que não receberam o convite vão saber se poderão participar da solenidade. É que estava previsto para ontem à tarde a chegada na cidade da equipe do governo de Minas responsável pela parte de produção, cerimonial e segurança. Como o evento terá a presença de dois governadores de Estado — Aécio Neves (MG) e Eduardo Braga (AM) —, é provável que o acesso seja controlado e limitado.
Papagaio
Além da questão de segurança, outro item deve ser levado em consideração na solenidade oficial. Apesar de ser uma atividade administrativa, o caráter político não tem como ser evitado em ano eleitoral. E, certamente, o que não vai faltar durante a presença do governador mineiro é candidato posando de “papagaio de pirata”.

Na quinta-feira, a Coluna divulgou a polêmica envolvendo uma das candidaturas na disputa pela prefeitura de Nova Ponte. O prefeito Lindon Carlos Resende da Cruz (PP) alega que foi traído pelo companheiro de partido e ex-prefeito José Divino da Silva, que acabou ficando com a vaga de candidato em seu lugar. Na versão defendida pelo prefeito, que está no primeiro mandato, a Executiva estadual do PP interveio no partido em Nova Ponte devido a uma manobra do ex-prefeito, que foi indicado presidente local e o impediu de lançar-se na disputa, já que teria maioria dos votos na nova comissão provisória. Ontem, o ex-prefeito, que não foi localizado pela Coluna no mesmo dia, deu sua versão, afirmando que “não houve nenhuma puxada de tapete”.
Acordo
José Divino da Silva confirmou que havia trocado o PP pelo PRTB para disputar o cargo de deputado estadual em 2006, mas frisou que só retornou ao antigo partido porque havia um acordo com o atual prefeito. José Divino afirma que conversou com lideranças regionais do PP com cargos na Executiva estadual e nacional do partido, além do próprio Lindon Carlos, sobre as pretensões na eleição de 2008. “Na época ficou acertado que o candidato [a prefeito] seria eu”, disse. Para a Coluna, Lindon Carlos havia dito que não houve nenhum acordo, formal ou informal, com José Divino. Mas o ex-prefeito garante que o acordo foi o que o motivou a manter os planos de disputar a prefeitura. “Senão, não havia motivo para voltar para o PP.”
Nova comissão
Em menos de seis meses, o PP de Nova Ponte sofreu duas intervenções. O ex-prefeito admitiu que, numa delas, pediu a mudança da Comissão Provisória Municipal, mas afirmou que a maioria dos membros não era ligada a ele. José Divino disse ainda que a alteração se fez necessário porque o próprio prefeito teria quebrado uma negociação anterior. “Em janeiro, ele [Lindon Carlos] foi a Belo Horizonte, levou deputados de outros partidos e mudou a direção do PP, com gente dele para eu não ser candidato”, disse. Em maio, José Divino então procurou a Executiva para que a comissão municipal fosse novamente alterada. “Fizemos uma chapa de consenso, com meu nome, o nome do prefeito e de gente do seu grupo. A maioria é da confiança dele”, afirmou.
Convenção
Sobre o fato de não ter dado chance ao atual prefeito de tentar a reeleição pelo PP, José Divino assegura que não houve nenhum impedimento. “Ele tinha o direito de tentar a reeleição, mas tinha que pleitear a candidatura. Ele não colocou seu nome em apreciação e nem apareceu na convenção [partidária]”, disse. “Então eu entrei com meu nome. Foi chapa única na convenção... Depois ele entrou na Justiça querendo anular a convenção. Ninguém puxou o tapete dele. Ele é que foi na calada da noite em BH e mudou a diretoria.” “Tudo isso aconteceu porque ele [Lindon] descumpriu o que tinha acertado.”
Propaganda limitada
Divergências políticas à parte, a eleição em Nova Ponte neste ano teve outro ingrediente extra. Desta vez, uma tentativa de equilibrar a disputa e evitar os abusos. Um termo de ajustamento de conduta proposto pelo Ministério Público Estadual e aprovado por partidos, candidatos e coligações restringe a propaganda eleitoral. Apesar de os vereadores não terem aprovado nenhuma mudança no Código de Posturas do Município, o termo proíbe a propaganda em muros e assemelhados. O uso de cavaletes fica limitado a cinco para cada candidato a vereador e 20 para os candidatos a prefeito. As placas de até 4 m2 estão liberadas, mas têm que ser fixadas dentro de imóveis particulares, com a devida autorização, e sem a utilização de muros, tapumes, fachadas e paredes. Os carros de som só poderão sair às ruas das 10h às 20h, mas antes terão de ser aferidos pela Polícia Militar. A multa para cada item descumprido é de R$ 2 mil, que serão revertidos para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Nova Ponte.
Igualdade
Situação parecida à de Nova Ponte foi adotada no município de Novo Gama, em Goiás. Lá, o Ministério Público Eleitoral foi até mais radical. Os candidatos a vereador (189, ao todo) e a prefeito (6) terão direito a apenas cinco carros de som e duas carreatas até o fim da campanha. A intenção foi trazer igualdade na disputa e reduzir o peso econômico da campanha. Quem tinha uma estrutura mais reforçada terá que se conter, enquanto outros com menos cacife para a disputa viram a chance de aparecer nas mesmas condições. Pelo menos em termos de visibilidade. O que os olhos não vêem, a Justiça não tem como punir.

| Foto:Omar Freire/Imprensa MG |
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| Governador de Minas, Aécio Neves, estará em Uberlândia na próxima quarta-feira |
Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e do Amazonas, Eduardo Braga, estarão em Uberlândia na próxima quarta-feira, 30, para assinatura do documento para implantação do entreposto da Zona Franca de Manaus no Município. O evento vai acontecer no auditório da Prefeitura, às 16h. Um pouco antes, o prefeito Odelmo Leão vai receber os governadores em seu gabinete. Será uma oportunidade rápida para discutir eleições. Aécio Neves já avisou que ficará mais distante dos palanques no interior, mas, devido à proximidade com o prefeito Odelmo Leão, poderá assumir, publicamente, seu apoio.
Menos candidatos
A maioria dos partidos em Uberlândia teve mais dificuldades para escolher seus candidatos a vereador neste ano do que no pleito municipal passado. Seja por falta de interesse, de puxadores de votos, chapa pesada ou outro motivo qualquer, as listas encolheram. Segundo levantamento feito pela Coluna, desconsiderando o fato de estar ou não numa coligação, ao todo 16 legendas lançaram menos candidatos a vereador agora do que na eleição de 2004. Nessa relação estão incluídos os cinco grandes partidos da cidade — PMDB, PSDB, DEM, PP e PT. O Democratas, por exemplo, que teve 22 candidatos a vereador na eleição passada, agora terá apenas seis. O PMDB, de 30 concorrentes antes, agora lançou 16. Entre os pequenos, o PRP foi o que mais regrediu, de 14 candidaturas em 2004, agora terá apenas uma.
Cai a média
A queda no número de candidaturas a vereador vai de encontro ao crescimento de vagas na disputa. Em 2004, foram registradas 417 candidaturas para a Câmara de Uberlândia, num total de 20 vagas. Neste ano são 362 registros e uma cadeira a mais de vereador a ser preenchida. A média, portanto, caiu de 20,8, há quatro anos, para 17,2 candidatos por vaga em 2008. Confira no quadro abaixo a evolução das candidaturas por partido, sem considerar as coligações.
Candidaturas
Partido 2008 2004
DEM 6 (4H e 2M) 22 (16H e 6M)
PCdoB 9 (5H e 4M) 3 (2H e 1M)
PCB 0 0
PCO 0 0
PDT 33 (27H e 6M) 18 (14H e 4M)
PHS 1 (1H) 2 (2H)
PMDB 16 (11H e 5M) 30 (21H e 9M)
PMN 2 (2H) 17 (12H e 5M)
PP 17 (11H e 6M) 26 (17H e 9M)
PPS 37 (27H e 10M) 31 (21H e 10M)
PR 13 (13H) 14 (12H e 2M)
PRB 10 (10H) -
PRP 1 (1H) 14 (11H e 3M)
PRTB 13 (8H e 5M) 8 (5H e 3M)
PSB 40 (27H e 13M) 30 (21H e 9M)
PSC 31 (22H e 9M) 20 (16H e 4M)
PSDB 23 (18H e 5M) 26 (21H e 5M)
PSDC 10 (8H e 2M) 20 (16H e 4M)
PSL 32 (21H e 11M) 7 (5H e 2M)
PSOL 4 (3H e 1M) -
PSTU - 3 (2H e 1M)
PT 19 (15H e 4M) 32 (24H e 8M)
PTdoB 2 (2H) 12 (8H e 4M)
PTB 12 (8H e 4M) 19 (15H e 4M)
PTC 4 (4H) 12 (11H e 1M)
PTN 3 (2H e 1M) 8 (7H e 1M)
PV 24 (21H e 3M) 30 (21H e 9M)
Total 362 (271H e 91M) 417 (310H e 107M)
*H — Homens
M — Mulheres
*walace@correiodeuberlandia.com.br

Eleição tem dessas coisas. Atrás de um gesto de amizade pode estar escondido seu maior adversário. Quem um dia lhe abriu as portas amanhã pode batê-la na cara. Os métodos de se fazer política nem sempre são os mais adequados, mais transparentes, mais éticos. Entretanto, como existe uma grande distância entre imoralidade e ilegalidade, práticas que podem ser malvistas aos olhos populares, geralmente, ganham o respaldo na hora em que há o questionamento jurídico. Um exemplo é o nepotismo. Contratar parentes não é crime, não é ilegal. Mas trata-se de prática imoral e que vai contra muitos princípios que um agente político deve seguir, como a impessoalidade. Outro exemplo são as disputas pelos partidos. Quanto mais alto o nível de apadrinhamento um político tiver, mais chance terá de deter o comando de determinada legenda em sua base eleitoral.
Tomaram o partido
A sucessão municipal em Nova Ponte poderia ser mais um caso típico de polaridade, comum em cidades pequenas em que dois grupos disputam o poder local. Mas, o que era para ser regra se tornou exceção. O município talvez seja o único de Minas – quem sabe até do País - em que o prefeito em primeiro mandato não tentará a reeleição não porque desistiu, mas porque teve o partido tomado. Literalmente. Com isso, a eleição na cidade continuará sendo disputada por dois candidatos, mas fruto de um só grupo que disputaria unido e que se dividiu.
Rasteira política
O prefeito de Nova Ponte, Lindon Carlos Resende da Cruz, tinha planos de tentar um segundo mandato neste ano. Já tinha até organizado a convenção de seu partido, o PP, e garantido os votos que lhe dariam apoio à sua candidatura. Mas, antes que seu nome fosse aprovado pelos correligionários, a Executiva estadual do PP interveio e destituiu toda a comissão provisória municipal, nomeando novos membros. Por trás da manobra estava o ex-prefeito José Divino da Silva que também tinha planos de se candidatar a prefeito, mas via no caminho o atual administrador, que é do mesmo partido. Como na política dois corpos também não podem ocupar o mesmo espaço, a alternativa foi tirar o “concorrente” do caminho. Se Lindon não abriria mão da disputa, o jeito encontrado foi tirar-lhe o partido, o que impediria a candidatura.
Barrado no baile
A intervenção no PP de Nova Ponte foi feita com o aval de caciques do partido, até mesmo de gente influente do Triângulo, segundo aponta o próprio prefeito da cidade. Lindon Carlos até chegou a ser um dos membros indicados para a nova comissão provisória municipal, constituída em 14 de maio. Mas, a maioria dos integrantes é ligada ao ex-prefeito José Divino da Silva. Resultado: na convenção realizada em junho os correligionários do PP escolheram Divino como o candidato a prefeito. A Lindon, restou uma tentativa de reverter a decisão da convenção na Justiça. Como as questões internas dos partidos — mandos e desmandos — são problemas que os juízes eleitorais não podem interferir, prevaleceu a candidatura aprovada na convenção.
Traição
O caso de Nova Ponte chama a atenção por alguns fatos peculiares. Em 2004, Lindon Carlos foi eleito prefeito com o apoio de José Divino, que havia administrado a cidade por duas vezes. Em 2006, José Divino se candidatou a deputado estadual e contou com o apoio do atual prefeito. Foi o candidato mais votado na cidade, mas não se elegeu. Em 2007, José Divino deixou o PRTB e se filiou ao PP. “Achei que ele tinha vindo [para o partido] para me apoiar, mas foi para me dar uma rasteira”, disse Lindon Carlos, insinuando que a manobra foi premeditada. “Se soubesse que daria problema não teria ficado no PP”, disse.
Malas prontas
José Divino da Silva terá como adversário na disputa pela prefeitura de Nova Ponte Reginaldo Carneiro, do PSL. Reginaldo foi o vice-prefeito nas duas vezes em que Divino administrou a cidade. O candidato, que também já teve desentendimentos com o antigo parceiro de chapa, terá o apoio do atual prefeito e do grupo que defendia sua candidatura. Lindon Carlos promete subir no palanque e fazer de tudo para tentar eleger seu sucessor. “Vou participar de corpo e alma”, afirmou o prefeito, que após a eleição já avisou que deixará o PP. E ele garante que não estará sozinho. “Já existem seis prefeitos da região que também estão indignados com a decisão da Executiva e vão sair do PP”, disse.

O deputado federal Gilmar Machado (PT) tem aproveitado o recesso parlamentar na Câmara para fazer o que não havia conseguido há quatro anos, nesse mesmo período. Então candidato a prefeito de Uberlândia, o parlamentar se concentrou na própria campanha, deixando as demais atribuições em segundo plano. Agora, sem a pressão de uma candidatura, tem se dedicado a acompanhar o andamento de projetos em Brasília referentes ao Triângulo e ainda participar da campanha eleitoral em outras cidades. Pelos seus cálculos, vai apoiar candidaturas em pelo menos 40 cidades do Triângulo e Alto Paranaíba e mais outras 20 de regiões mais distantes do Estado, como Zona da Mata.
Recuperando espaço
Onde tiver candidato do PT, o deputado Gilmar Machado quer estar presente. Será sua prioridade nesta campanha. “Dessa vez quero reconquistar meu espaço na região e no Estado”, disse. Em 2004, por causa da campanha, o petista se privou de participar da disputa em outros municípios. Em contrapartida, outros deputados que não estavam diretamente envolvidos na disputa não perderam tempo e saíram em tour eleitoral pelo Estado. Foi o caso de Weliton e Elismar Prado. O resultado veio em 2006. Gilmar sentiu que esse afastamento lhe custou votos preciosos, tanto é que sua votação caiu em relação à eleição nacional anterior. Em 2002, ele foi o quinto deputado do PT mais votado para a Câmara, com 109 mil votos. Quatro anos depois — e uma eleição municipal no meio —, Gilmar ficou na 12a posição entre os mais votados do partido, com 82 mil votos.
Na espera
Apesar dos compromissos com candidaturas em outras cidades, Gilmar Machado, que ainda é o nome de maior referência do PT de Uberlândia, garante que vai participar da campanha do deputado Weliton Prado, candidato a prefeito. “Só estou esperando a definição do Weliton para ver como será essa participação”, disse. Um ponto, pelo menos, o deputado vê com cautela: “Em 2004, o PT tinha rompido com o PMDB”, disse sinalizando a necessidade de o partido ter o cuidado de definir um programa de governo que se enquadre nos próprios ideais do PT e ao mesmo tempo esteja em consonância com o PMDB, agora um aliado.
Licitações
Na condição de vice-líder do governo no Congresso, Gilmar Machado tem tido mais facilidade para acompanhar o trâmite de projetos que o próprio parlamentar definiu como prioritários. Dois deles estão nessa relação: as obras de duplicação das BRs 050 e 365. Segundo aponta, os processos de licitação para as duas rodovias que cortam Uberlândia terão início em agosto. Nesta etapa, serão dois trechos licitados para a BR-050, entre Uberlândia e Araguari, num total de 50 quilômetros, e outros três lotes de obras a serem licitadas para a BR-365, de Uberlândia até o Trevão, em cerca de 95 quilômetros.
Previsão e temor
A previsão do deputado é que as obras na 050 e na 365 comecem até o fim do ano e sejam concluídas até 2010, ou seja, ainda no governo Lula. “Do Trevão até Itumbiara foi um ano e meio de obras”, disse Gilmar Machado. Entretanto, nunca é demais relembrar que situação bem diferente teve outro trecho de duplicação da BR-050, entre Uberlândia e Uberaba, onde as obras se arrastaram por uma década.
Reforma política
O governo federal promete encaminhar depois das eleições municipais o projeto da reforma política para o Congresso. Diante do impasse e da disputa de paternidade dos deputados, que não chegaram a nenhum lugar com o projeto antigo, o governo resolveu tomar a iniciativa do debate. O novo texto, no entanto, vai tratar das mesmas questões que o anterior: fidelidade partidária, voto misto, lista fechada, financiamento público de campanha e fim das coligações proporcionais. Algumas alterações serão feitas para que os mesmos erros não sejam cometidos. A novidade ficará por conta do fim da reeleição. Essa, aliás, deverá ser a nova polêmica.
Reforma política 2
A intenção é que as novas regras prevaleçam a partir da eleição de 2010, evitando mexer no tempo de duração dos atuais mandatos. Já quem for eleito para os mandatos seguintes poderá permanecer mais ou menos tempo no cargo, dependendo do acordo a ser fechado. Pelo menos, uma briga é praticamente certa: depois de ver dois mandatos consecutivos do PT, a oposição dificilmente vai engolir o fim da reeleição. A menos que, até lá, na época de ser votado, o futuro candidato do governo ganhe popularidade suficiente para deixar tucanos e democratas preocupados a ponto de perceberem que correm o risco de, por três mandatos seguidos, permanecerem na condição de oposição.

Não bastasse a restrição da propaganda eleitoral na eleição deste ano, os candidatos a prefeito não parecem preocupados em colocar a estrutura na rua durante toda a campanha. Dos seis concorrentes à Prefeitura de Uberlândia, apenas Odelmo Leão (PP) e João Bittar (DEM) estão com o comitê montado e funcionando. Weliton Prado (PT) está à procura de um espaço na região central da cidade. João Batista Fonseca (PSOL), Gilberto Adeniê Cunha (PSTU) e Maurício Lúcio Mendes (PRTB) só devem inaugurar os comitês a partir de agosto.
Parte burocrática
O primeiro mês de campanha eleitoral foi dedicado à preparação propriamente da estrutura. Muita gente deixou para a última hora a contratação de profissionais de marketing e de agências, locação de espaço físico e confecção de material de propaganda. Além da legislação rigorosa, o que também retardou as atividades de campanha foi a emissão dos CNPJs e a entrega pelos partidos dos recibos fiscais específicos para a eleição. Sem esses documentos, os candidatos não podem abrir contas bancárias e começar a receber as doações. Mas, como julho é o mês mais fraco em termos de atividade de campanha, quem ainda não colocou a cara na vitrine e não está com sua estrutura montada, ainda terá tempo de sobra para recuperar o atraso.
Data para começar
Para muita gente, a campanha só começa mesmo a partir do dia 19 de agosto, com a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Até o eleitor desinteressado vai notar a presença dos candidatos, que sem pedir licença vão “invadir” sua casa no horário do telejornal para convencê-lo de quem é o mais apto a assumir a Prefeitura e as cadeiras na Câmara. Quando essa rotina for implantada, a campanha, efetivamente, ganhará corpo.
Cartilhas
O cartório eleitoral já tem à disposição dos candidatos a cartilha elaborada pelo TRE de Minas que mostra todas as medidas a serem adotadas em relação à prestação de contas de campanha. O manual vai facilitar o sistema, que, neste ano, será feito em três etapas: uma prestação final e duas parciais – em agosto e em setembro.
Comitê financeiro
Terminou ontem o prazo para que os partidos registrem os comitês financeiros de campanhas na Justiça Eleitoral. O comitê financeiro é responsável pela arrecadação e aplicação dos recursos de campanha e por distribuir os recibos eleitorais a cada candidato do partido. Cabe ao comitê orientar os candidatos sobre os procedimentos financeiros durante a campanha eleitoral. Todo partido que lançar candidato tem que ter seu comitê, seja um só para as duas eleições ou um comitê para a disputa a prefeito e outro para as vagas de vereador. A legislação não aceita a constituição de comitês de coligações. Em Uberlândia, todos os partidos fizeram o registro dentro do prazo, porém, na documentação de um deles, foi detectada uma falha, o que não impediria a abertura da conta bancária para movimentação.

O diretório do PSB em Uberlândia apresentou ontem as argumentações na tentativa de manter a coligação proporcional com o PHS, que é alvo de um pedido de impugnação. O departamento jurídico do PSB sustenta que os três novos membros da Comissão Provisória do PHS, indicados pela Executiva estadual e que pediram a impugnação da coligação, não possuem filiação partidária. “Entendo que eles não têm legitimidade para agir perante a Justiça Eleitoral”, disse a advogada do PSB, Renata Silva Alves. Uma certidão emitida pelo Cartório Eleitoral da 335a Zona Eleitoral, com data de 14 de julho de 2008, confirma que os três membros da atual Comissão Provisória Municipal do PHS não estão filiados a nenhum partido político.
“Fato estranho”
O PSB uberlandense também questiona a maneira como a notícia sobre a mudança no comando do PHS local foi apresentada. Segundo a advogada do partido, no pedido de impugnação feito pelo PHS não consta nenhum documento comprovando a intervenção no diretório municipal. E, mesmo que houvesse essa interferência da Executiva estadual, ao indicar pessoas que até então não estariam filiadas ao partido, a convenção do PHS que decidiu pela coligação não poderia, portanto, ser anulada pelas mesmas. A convenção foi feita pela comissão destituída. “Outro fato estranho é que o advogado do [candidato] Odelmo Leão é também o advogado da Comissão Provisória do PHS”, disse Renata Alves.
Ficha suja
A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) promete divulgar no próximo dia 22, em sua página na internet, os primeiros nomes de candidatos que respondem a processos na Justiça. O procedimento já era para ter sido adotado, mas teve que ser adiado por causa da greve dos Correios, que prejudicou a comunicação entre a AMB e os juízes eleitorais.
Resquícios do mensalão
A onda de barrar os candidatos que têm ficha suja já começou a incomodar candidaturas no Triângulo Mineiro. O Ministério Público Estadual de Uberaba entrou com um pedido de impugnação do registro da candidatura do prefeito Anderson Adauto (PMDB) sustentado em fatos de sua vida pregressa. Segundo cita o MP, o candidato, que é réu em processo que corre no STF sobre o escândalo do mensalão, “não ostenta condições de elegibilidade capazes de credenciá-lo a disputar o cargo de prefeito municipal de Uberaba. Sua vida pública pretérita mostra-se incompatível com o direito de ser votado. Dar de ombros para a vida passada e o histórico político do impugnado implica prestigiar a cultura da impunidade, em total sacrifício dos postulados da probidade e moralidade administrativa”.
Esforço concentrado
A Câmara Federal já começou a enviar telegramas aos deputados convocando para duas semanas de votações no início de agosto, logo após o recesso parlamentar. Haverá sessões deliberativas no período de 4 a 7 e de 11 a 14 de agosto. Ou seja, em duas ocasiões as sessões acontecerão na segunda-feira, dia em que tradicionalmente a Casa fica vazia. Como agosto é o mês que as campanhas eleitorais começam efetivamente a ganhar as ruas, o esforço concentrado proposto pela mesa diretora da Câmara corre o risco de ficar só na intenção. A conferir.
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O desfecho da disputa política envolvendo as instâncias municipal e estadual do PHS e que pode resultar no cancelamento da coligação PHS/PSB em Uberlândia ainda deve levar alguns dias. Somente na próxima semana é que vence o prazo de sete dias para que o partido faça a contestação dos dois pedidos de impugnação apresentados na Justiça Eleitoral. Um deles é contra a coligação que disputará a eleição para vereador. O outro é contra o único candidato do PHS à Câmara Municipal. Os dois pedidos são de autoria da nova Comissão Provisória Municipal do PHS. A comissão antiga foi destituída no início do mês por não ter respeitado orientações da Executiva Estadual.
Quebra de hierarquia
A tendência é que a coligação PSB/PHS seja desfeita e o PHS fique de fora das eleições em Uberlândia. Pelo menos oficialmente. Ao analisar o caso, o juiz responsável pelo julgamento vai se embasar no estatuto de cada partido. Se houve quebra de hierarquia, como apontam as evidências que levaram à intervenção no diretório municipal, a participação do partido numa coligação contrariando o comando estadual deverá ser anulada. Aí vai sobrar também para o único candidato do PHS inscrito na chapa. Já o PSB, que contava com a coligação para manter seus 39 candidatos inscritos, teria que disputar a eleição proporcional sozinho e reduzir a lista para 32.
Arquivado
Um terceiro pedido de impugnação, que na verdade se trata de notícia de inelegibilidade apresentada por uma eleitora contra um candidato a vereador do PPS, foi arquivado. Ao examinar a informação levada pela eleitora — sobre uma ação penal privada envolvendo a autora e o candidato e que se encontrava trancada —, o Ministério Público Estadual concluiu que tal notícia não era motivo para impugnar a candidatura. O parecer foi acatado pelo juiz eleitoral Edson Magno, que considerou o fato uma questão pessoal e arquivou o processo.
Deferimentos
Os primeiros deferimentos de candidaturas devem sair na próxima semana, quando o juiz eleitoral Edson Magno vai iniciar os julgamentos dos pedidos de registro. Por enquanto, vários partidos ainda estão providenciando documentações e outros itens, como fotografias, que não foram anexados no ato do registro. Segundo o juiz, a princípio, não há nenhum caso insanável.
Inacessível
O eleitor de Uberlândia ainda não tem acesso às informações individuais dos candidatos a prefeito, vice e a vereador. Até ontem à tarde, nenhum cadastro de candidato havia sido disponibilizado no site do Tribunal Superior Eleitoral. Uberlândia é uma das poucas cidades do Estado que ainda está com o quadro “zerado” no sistema. O detalhe é que, mesmo não visualizando os processos nem a totalização dos candidatos já lançados no sistema, é possível pesquisar o perfil desses mesmos candidatos. As informações estão na pasta “Estatística” e mostra o número de candidaturas por sexo, grau de instrução, faixa etária, cargo e estado civil.
Reforma? Agora?
Prometida por governos anteriores, inclusive pelo próprio presidente Lula em seu primeiro mandato, a reforma tributária volta ao centro das discussões no Congresso. Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), disse que a matéria está entre as suas prioridades para o segundo semestre. Mas, em ano eleitoral, uma matéria deste peso e que por natureza cria polêmica e divergência, corre novamente o risco de acabar como das outras vezes: empurrada para o ano seguinte, ou para a legislatura posterior. Situação semelhante vive outra reforma, a política, que o próprio governo prometeu elaborar o texto básico e mandá-lo para o Congresso. Com os deputados concentrados nas eleições municipais será difícil encontrar tempo e disposição para avançar nessas reformas, que, de tanto prometidas, já caíram no lugar-comum. A gaveta.