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Papo Geraes







30-08-2008


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Ela é jovem, bela, arrojada. Vaidosa, tem uma aparência sempre muito bem cuidada, fruto da paixão que desperta e que retribui a todos que a amam. Ao mesmo tempo é sóbria, elegante, charmosa.

Seu carinho e aconchego não distinguem filhos naturais dos adotivos, porque traz desde seu nascimento essa característica de saber ser querida. De receber de braços e coração abertos e de se permitir ser amada por quem lhe quiser  bem.
Está sempre se modernizando, mudando sua arquitetura, paisagem e estrutura,  mas não perde de jeito nenhum todo esse seu  jeito encantador  de ser.

Uma mocinha irrequieta que nem parece ter 120 anos, porque vive em efervescência, pulsando, inspirando, olhando e apontando para frente. Para cima, para os lados.

Não dá para dizer com clareza o que ela tem de tão especial. Mas que ela tem um fascínio próprio, diferente, tem sim.
Quantos vieram para ficar aqui por um tempo no desafio passageiro das atividades profissionais e, quando este período venceu, resolveram esticar por conta própria, porque a ligação que aconteceu se tornou maior.

Sua topografia plana lhe dá uma dimensão de metrópole porque seus limites se ampliam na extensão dos horizontes. Seu ritmo movimentado fortalece essa percepção. Mas o que a faz realmente digna de uma verdadeira capital é a incrível capacidade realizadora de seu povo. Dos que nasceram aqui e dos que a elegeram para aqui viver, amar e servir.
Uberlândia é terra de gente que sonha, que ousa, que viaja, mas, sobretudo, é de gente que faz. Que executa, que realiza, que oferece e promove oportunidades para quem não se acomoda e vai além.

Já foi mais meiga e serena, mas como tudo na vida que se desenvolve e expande, também paga o preço de seu crescimento.
Tem problemas sim. E muitos. Tem desigualdades, tem injustiças, tem defeitos, tem insegurança, tem inúmeros desafios a superar.

Mas tem sempre gente disposta a tentar resolvê-los. E, quando não consegue, vêm outros com essa mesma disposição. Porque  aqui a vida não pára e tudo está sempre em renovação.
Uberlândia 120 anos,  assim desse jeito encantador todo seu de ser.  Ela é o que é, porque todos que vivemos aqui a estamos fazendo assim. Nela tem um pouquinho de cada um de nós. E terá sempre as marcas da forma com que a tratarmos. Com que a cuidarmos, com que fizermos dela, a nossa cidade.
Porque o que dá vida e beleza a Uberlândia é a forma com que manifestamos o amor que sentimos por ela.





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23-08-2008


É demais o time dos demais...



Têm pessoas que se acham demais. Acima de tudo e de todos. Poderosos. Agem motivados não só pela ambição do tanto que querem, como principalmente para se colocarem em destaque.
Ao menor sinal de que seu poderio corre o risco de ser diminuído entram em pânico. A probabilidade de serem alcançados provoca o desespero de se igualarem na vala mundana dos comuns. De deixarem de ser demais, para se tornarem apenas mais. Mais um como tantos, como todos.

Estão sempre insatisfeitos com o que têm porque a referência de quem se acha demais são outros demais acima deles. Vivem em conflito permanente lutando para estar acima dos comuns e para chegar mais próximos daqueles que, por terem exatamente suas mesmas ambições, querem distância deles.

Não é difícil identificá-los porque como não cabem em si, não se acham, se mostram. Adoram estar em evidência em todo tipo de mídia, porque nada mais crítico para eles do que a ausência da exposição de suas supremacias.
Por mais cuidado que tomem, e pode até ser que em determinados momentos tenham realmente vontade de serem diferentes, suas atitudes e gestos fatalmente vão revelar a dimensão de suas vaidades e egoísmo.
Interessante é que o time dos que se acham demais tem sempre uma tendência de atuar junto. Nada mais comum do que uma roda dos demais irradiando arrogância e superioridade. Claro que na mesma categoria. Demais sênior com demais sênior e demais iniciante com demais iniciante. Porque uma coisa que um demais não agüenta é desrespeito hierárquico. Cada qual no seu nível.

Melancólica é a decadência de um demais por uma razão que fugiu de seu controle. Busca desesperadamente se apegar numa probabilidade de evidência qualquer e, se não consegue, se apega na lembrança. Aí é um tal de foi isso, teve aquilo, recusou não sei o quê, tem perspectiva de fazer um negócio inacreditável e por aí afora.
Por mais que muitos não entendam, e os amigos do círculo mais próximo até critiquem, costumo ter paciência, tolerância e estômago com eles. E olha que não é por uma questão de afinidade como podem pensar alguns afoitos é pura solidariedade, tolerância e compreensão.

Não custa nada agüentar por um pequeno tempo quem se acha demais.
Triste mesmo é a sina deles. Terem de agüentar e suportar a si mesmos por toda uma vida.





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16-08-2008


Abrir mão



A luta que toda pessoa enfrenta para superar obstáculos e alcançar objetivos mais ambiciosos é sempre dura e difícil. Os sacrifícios, esforços e renúncia que são exigidos daqueles que buscam se destacar pelas suas performances geram sempre a esperada contrapartida financeira como forma de recompensa. Mesmo que aos olhos dos invejosos e mesquinhos isso possa ser motivo de comentários, nada mais natural do que aquele que produz mais ganhar mais.

O problema é a exagerada ênfase na correlação entre contribuição e remuneração que acaba sendo formada ao longo da carreira profissional. Uma atribuindo referência à outra. Como se uma fosse sempre dependente da outra. Em que a medida de avaliação de desempenho pessoal seja sempre a capacidade de apresentar os ganhos obtidos com o fruto da competência empregada. O aspecto financeiro predominando ante a satisfação e realização pessoais. E as pessoas sendo reconhecidas pelo status e aparência que ostentam, pelo que criam e exibem, pelo valor com que conseguem “vender” suas utilidades. 

Com isso, ao longo da vida forma-se um círculo que, por determinados períodos, pode ser até estimulante e motivador, mas que cria um vazio profundo. Quanto maior a dedicação e recompensa, maior o status alcançado e, conseqüentemente, a necessidade de mantê-lo.

Talvez possa soar absurdo para muitos porque nem sempre a vida permite que a recompensa material venha para todos no mesmo nível de contribuição e dedicação com que se dedicam as suas atividades. Mas chega uma hora na vida em que desafiador de verdade é abrir mão, é não precisar conquistar mais para ter sua capacidade reconhecida. E ter coragem e atitude para romper essa dependência massacrante e dominar a ambição de ter mais, de ganhar mais...

Dar mais ênfase e satisfação ao que verdadeiramente faz sentido na sua vida do que aquilo que os outros lhe atribuem. Em que onde se está é muito menos importante do que como se está.  Em que tem muito menos importância o nome da grife  e muito mais relevância o  conforto e utilidade daquilo que se usa.

É a hora em que o elefante agradece o amendoim que o tratador lhe dá depois de uma exibição bem-sucedida e resolve que a avaliação da sua performance não será da platéia que paga para lhe ver, mas daquela para quem sempre é alvo das atenções: sua família, seus amigos, seu círculo de relacionamento. Abrir mão da recompensa de ter mais em troca da recompensa de viver mais e melhor. 

 





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09-08-2008


A angústia dos pais



Certamente, a criatura humana é uma das que mais tempo ficam dependentes dos pais quando do seu nascimento.
Durante toda a infância e também por uma boa parte da adolescência, que agora tem retardado, os filhos necessitam e usam os pais para quase tudo.

Por mais trabalho que dê essa fase, ela possibilita uma relação muito mais segura aos pais, que podem utilizar toda sua experiência e influência para proteger e encaminhar suas “crias”.
A questão é que o ser humano é uma criatura que não se forma só por si, nem pelas ligações daqueles a quem está intimamente ligado. Complementa a criação de si mesmo com o uso dos mecanismos que tem ao seu alcance, autônomo para decidir e finalizar a obra de formatar seu jeito de ser. Claro que influenciado pela sua formação, pelos exemplos e ensinamentos de seu convívio familiar, do seu círculo de relacionamento e ambiente, mas autônomo em relação à sua escolha.
À medida que o universo de seu relacionamento é ampliado, cresce a exposição aos meios que o influenciam. Neste mundo digital, cada dia mais convive com pessoas que não conhece, muito provavelmente nem chegará a conhecer, mas que ditam, sugerem e provocam comportamentos, muitas vezes confrontando suas origens.
A concorrência dos agentes externos influenciadores se multiplica e confunde, oferecendo tentações, provocando conflitos e atritos.

A explosão da tecnologia com sua extraordinária capacidade de disseminação da informação trouxe a total falta de controle daquilo a que o jovem é submetido. Os pais, por mais que queiram e tentem, não conseguem protegê-los como na infância, também porque o que valeu para uma geração não tem o mesmo sentido e referência para outra. A cada dia, o mundo é novo em tentações e desafios. Os filhos acabam muito mais expostos aos meios a que têm acesso do que às orientações paternas.

E o mais difícil para os pais que, desejando o melhor para os filhos, tentam fazer tudo para eles é aceitar que é exatamente a exposição deles ao risco que criará seus mecanismos de defesa. Os anticorpos nascem do convívio com as bactérias.
A angústia dos pais de jovens na atualidade é que a eles só é possível apontar os rumos. A escolha dos caminhos é responsabilidade e decisão exclusiva dos filhos.
Para esses pais, no dia a eles dedicado, o melhor presente que gostariam de receber é que seus filhos façam as melhores escolhas para suas vidas...





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dr claudio ferreira
09-08-2008
Meu amigo Celso! parabens pela materia! Costumo dizer para meus alunos que um homem e uma mulher para ter um filho deveriam fazer "doutorado em paternidade e maternidade" de tao complexo que é educar. mas fica que vc da o caminho no artigo: amor e diálogo sempre saos os melhores remedios. grande abraço claudio










02-08-2008


Sapo embrulhado com arame farpado



Por razões especiais e particulares, algumas pessoas adquirem ao longo de suas vidas uma capacidade extraordinária de engolir sapos.  Decorrência, talvez, da natureza do seu temperamento ou de um autocontrole adquirido diante das inúmeras e diferentes experiências vivenciadas.

A realidade é que uma grande maioria, sem nunca descobrir o porquê — e também sem se preocupar com isso —, consegue o que para outras é praticamente impossível: administrar situações de conflito de forma serena e equilibrada. Sem cuspir fogo nas suas palavras e atitudes administram o processo interno de ruminância que vai reduzindo a acidez das ofensas, injúrias, injustiças, punhaladas pelas costas até que se tornem palatáveis e depois, de forma natural, possam ser expurgadas silenciosamente no processo de digestão.

Muitas dessas até conseguem chegar ao estágio de engolir sapos, mesmo quando eles vêm embrulhados em arame farpado.
O interessante é que, na medida em que adquirem essa tolerância, quando o lógico seria os outros poupá-los, pela lisura de seu comportamento, tanto mais são abastecidas de desrespeito. Como se a dignidade de engolir sem reclamar se transformasse num antídoto que diminui ou elimine a maldade, a mesquinhez e a indelicadeza de quem cria os sapos, os alimenta e distribui.

O que se vê, então, é que para os tolerantes sapos com arame farpado, para os intolerantes cuidados, atenção e concessões.
É o inverso sobrepondo ao digno; o interesse ao mérito; o incômodo ao respeito; o melhor ao mais exigente.
É o lado menor do ser humano que se toca muito mais pelo medo e pela ordem, do que pelo valor e consideração.
O educado é sempre o último a se servir e também a ser servido. O que espera é o que fica para depois. O que se cala é o que nunca é ouvido. O que respeita é o que menos é respeitado. O que é bom vira bobo...
Até que chega a hora em que essa virtude de tolerar e administrar inconsistências  se aproxima e se confunde perigosamente com passividade.
Em que começa a existir o risco do sapo não ser engolido, de se tornar tão grande e volumoso que pode engolir quem deveria engoli-lo.

O dia de chutar o balde. O dia em que não é simplesmente mais um dia, mas “o dia”.
O dia em que a gente pára e pensa. Pensa e repensa.
O dia em que a gente vê e enxerga. Lê e compreende. Escuta e entende. Em que o que faz sentido, não é o que desejamos que fizesse, mas o que verdadeiramente é o que é.

A reação nessa hora, até por classe, continua sendo aceitar. Aceitar que as pessoas que criam e embrulham os sapos com arame farpado e, sorrateiramente, nos oferecem nas suas atitudes vão continuar fazendo parte do nosso convívio. Só que agora vão saber por nós que as reconhecemos como as vemos e não como pensam que são. Que para nós  não passam de ser o que nos oferecem: sapos embrulhados com arame farpado.





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ANDERSON NEGRETTO
05-08-2008
Infelizmente são poucas as pessoas que aprederam ao longo de suas vidas a engolir sapos. Atualmente é só sair as ruas de qualquer cidade do Brasil para ver e medir o termômetro, dos pedestres e dos motoritas, que a cada dia que passa estão mais agressivos, mas espero viver o suficiente para assistir uma mudança de comportamento nas pessoas, espero que nesse tempo infinito elas mudem e passem a ser mais tolerantes com o próximo.
















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