Busca










Pensando Bem







23-08-2008


Profecias auto-realizáveis



Desde muito pequeninos, nossos pais nos passam suas crenças e valores. Provavelmente, grande parte dessas crenças é herança de crenças que seus pais - nossos avós - passaram-lhes, e sobre as quais nem nossos avós nem muito menos nossos pais pararam para pensar, mas por serem crenças tão antigas, tornaram-se paradigmas. Os paradigmas funcionam para nós como verdades absolutas, das quais não se pode duvidar e muito menos questionar, pois se assim o fizéssemos, deixariam de ser paradigmas.  Se formos fazer uma análise cuidadosa de nossa forma de pensar, iríamos descobrir uma infinidade de crenças que nos foram  passadas, quase todas por nossos pais e familiares e sobre as quais não ousamos discordar ou sequer pensar. Muitas dessas crenças relacionam causa e efeito, estabelecendo que se algo for assim, produzirá um determinado efeito. Não haveria maiores problemas se as relações de causa e efeito relacionadas por eles fossem verdadeiras. Por se tratar de crenças que nossos pais trazem e sobre as quais também jamais pensaram ou ousaram discordar, a repetem aos filhos como se fossem verdadeiras. Assim, a relação errônea de causa e efeito estabelecida,  por originar de nossos pais que nos amam e aos quais amamos, passam a ser identificadas como corretas, nos induzindo a estabelecer que aquilo que é apenas um erro, uma ilusão ou uma irrealidade como uma verdade.

 Quantas vezes escutamos que se não comêssemos o que nossos pais queriam que comêssemos iríamos ficar doentes; que se andássemos com os pés descalços também ficaríamos doentes; que se tomássemos sorvete em dia frio  ficaríamos resfriados; que se não estudássemos iríamos ficar burros; que se desobedecêssemos nossos pais iríamos para o inferno; que se não fizéssemos o que nossos  pais exigiam papai do céu iria nos castigar; que se não ajudássemos nossos pais no que eles nos pediam para ajudar, caso morressem, a culpa seria nossa; que se não escovássemos os dentes, ficaríamos banguelas; que se chupássemos balas nossos dentes ficariam cariados; que se não ficássemos perto de nossos pais quando saíamos juntos com eles de casa iríamos nos perder e a cigana iria nos levar. Tudo isso, a princípio, é falso, mas passaram a ter valor de verdade e  mesmo quando adultos, corremos o risco de resfriarmos se tomamos sorvete em dia frio.

 Existem também as crenças relacionadas com as idades. Nos passaram que bebês e crianças estão sujeitas a algumas doenças  tais como sarampo, catapora, poliomielite e que se não  forem vacinadas poderão desenvolver uma dessas doenças e correr o risco de morrer. Também nos passaram que os adultos são mais fortes e ainda que cometam alguns excessos têm mais dificuldades em adoecer. Já para os idosos, estabeleceu-se que correm o risco de desenvolver uma série de  patologias tais como osteoporose, mal de Parkinson e Alzheimer, ou que terão seus órgãos tais como coração, pulmão e rins comprometidos pela idade e que serão debilitados. Nada mais falso que tudo isso, mas induz as pessoas ou quem está com elas a se condicionarem e esperar que  essas dificuldades ou patologias ocorram, não causando espanto pois estão dentro das expectativas. No âmbito da estatística catastrófica se diz que tantos milhares de pessoas morrerão esse ano de ataque cardíaco; que outros milhares morrerão de acidente de automóvel até dezembro; que tantos outros morrerão de patologias diversas nos próximos seis meses; que tantos milhares de pessoas serão assassinados até o final do ano; que na próxima década mais da metade dos brasileiros serão obesos  e por aí a fora. Nada mais falso que todas essas afirmações, mas criam expectativas e abrem possibilidades na mente das pessoas para que essas profecias se realizem. Chamamos à concretização disso tudo de profecias auto- realizáveis, uma vez que ocorrem não porque iriam ocorrer e alguém adivinhou, mas porque nos  foi estabelecido como regra e crença e nossa mente é fiel e obediente e concretiza aquilo em que acreditamos.
* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor - Prof. Associado
- Instit. de Psicologia – UFU - Email: cvital@mailcity.com  Tel.034-9158-9012





Comentários (4)



Comentários




ANDREA
01-09-2008
Olá senhor Psicólogo,Dr. Em saúde mental.........PORQUE A PÓLIO FOI IRRADICADA DE NOSSO PAÍS? ACHO QUE PORQUE OS PAIS COMEÇARAM A VACINAR SEUS FILHOS QUANDO CRIANÇAS PARA QUE NÃO FOSSEM ACOMETIDOS DE TAL DOENÇA E NÃO POR CRENÇA. AS CRIANÇAS SÃO VACINADAS ASSIM QUE NASCEM JUSTAMENTE POR TEREM BAIXA IMUNIDADE E NÃO POR PARADIGMA OU CRENÇA. VOCÊ TEM FILHOS? NÃO VACINOU-OS? MEU SOBRINHO QUASE MORREU DE CATAPORA INFECCIOSA, POIS NÃO HAVIA TOMADO ESSA VACINA.POSSO TE GARANTIR QUE NÃO VIVÍ UM PARADIGMA....




Andrea Bastos
03-09-2008
PORQUÊ o senhor Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor etc... só posta os comentários que lhe agradam?




Carla Moura
11-09-2008
Nunca paramos pra pensar como agimos e decidimos nossas vidas, acreditando em todas essas crenças e fazemos isso de um modo tão condionado e inconsciente que nos atrapalha a buscar a verdadeira felicidade interior. Parabéns por um texto tão pequeno e tão gigante em seu significado.




prof dr claudio ferreira
11-09-2008
agradeço a todos que me honram com a leitura dessa coluna. quero esclarecer que o debate é saudável e que todos os comentários postados pelos leitores sao publicados pela adminstraçao do jornal O Correio, desde que dentro da política de respeito e com a devida identificao. grande abraço prof dr claudio ferreira










16-08-2008


A Idéia de minha mãe




A idéia de uma flor contém todos os elementos da perfeição. É linda, de beleza permanente e imutável, não murcha, não morre, não tem começo, nem meio nem fim, sendo assim eterna. É onipresente em sua plenitude, uma vez que em qualquer lugar, em qualquer tempo e em cada pessoa, pode ser evocada em toda a sua perfeição e plenitude. Não depende de nada, pois traz em si a característica da perfeição. Para que seja percebida, precisa tornar-se matéria e passar por suas leis. No entanto, a materialização  da idéia da flor se dá de forma limitada, pois se concretiza na flor do jardim ou na floricultura da esquina ou em um vaso em nossa casa. Essa flor materializada mostra seus limites ao ter dono, depender de água para não murchar e, por melhor que seja cuidada, terá começo, meio e fim e irá morrer.

A flor do jardim traz em si a plenitude da beleza da idéia da flor, mas não a expressará em todos os momentos de sua existência. Assim, a materialização da flor estabelece limites à perfeição da idéia de flor, mas se torna necessária para a percepção pelo ser humano, condicionado dentro das leis dos sentidos, para ver e sentir a beleza das cores e o odor exalado da flor.

Perdi minha mãe há uma década e meia. Morreu com  84 anos em uma casa simples  em uma cidade no sul de Santa Catarina. Seus últimos anos foram de intenso sofrimento para si e de muito trabalho para meus irmãos que moravam próximo. Sua existência humana foi condicionada por muitos fatores tais como fome, sede, doença, higiene e necessidades materiais. Por mais de 70 anos desde sua adolescência, quando teve o primeiro de 12 filhos, dos quais fui o último, e sua fase adulta e parte da velhice cuidou de seus filhos, netos e outras pessoas, ajudando  a muita gente.

Nos últimos anos de vida, voltou a ser cuidada como quando bebê e criança, agora não mais por seus pais e sim por alguns de seus filhos. Toda a sua existência foi marcada por dependências, oscilações, necessidades e desafios. Todas as dificuldades que se apresentaram  em sua vida as superou com galhardia.  Foi uma grande batalhadora.

Vivi com meus pais até  aproximadamente os 11 anos.  Principalmente depois que deixei de conviver com eles, estudando interno em um seminário católico, minhas preocupações com  eles e as deles comigo aumentaram. As comunicações eram difíceis na época, o que agravava o problema. Eu somente os via duas vezes por ano. Nos outros meses do ano não tinha notícias deles nem eles de mim, o que agravava as preocupações e mostrava nossa dependência mútua. Nos anos que antecederam  a morte de minha mãe eu já morava em Uberlândia fazia quase uma década e tive muitos sobressaltos em função de seu estado de saúde  e do meu pai que, aos poucos, foi se deteriorando.

Somente com a morte  dela é que consegui perceber a diferença entre a idéia da minha mãe e a materialização  dessa idéia em forma de minha mãe Elza. Por grandes dificuldades passou minha mãe nos seus 84 anos e também trouxe muitas preocupações para as pessoas que a amavam. Isso acontecia na verdade porque ela estava submetida às exigências e necessidades da matéria que são limitadas e sujeitas a tantas  variações. Em muitos momentos, sua condição material mesmo assim a aproximou muito da perfeição da Idéia que concretizava, mas também, por estar condicionada aos limites da matéria, muitas vezes esbarrou nos próprios limites.

A morte do seu corpo a libertou da matéria e abriu espaço para que eu pudesse introjetá-la a partir da Idéia de minha mãe que é perfeita, imutável  e eterna. A tenho agora em forma de Idéia de minha mãe, livre de todas as dependências da matéria. A sinto como perfeita, plena, constante, viva, eterna, cheia de amor inesgotável em minha mente me protegendo a todo instante como manifestação de Deus. Tenho uma mãe perfeita dentro de mim a me dar amor e a me guiar em todos os momentos e lugares em que estiver. Essa idéia não se desgasta nem se esgota. Todos os seus filhos e netos também podem usufruir dessa Idéia perfeita, tendo todos os benefícios que a perfeição e a eternidade nos podem dar.

Assim, da mesma forma que a Idéia da flor, por trazer em si a grandeza da perfeição e a longevidade da eternidade não depende das circunstâncias da matéria para expressar sua plenitude, a Idéia de minha mãe expressa agora sua perfeição e harmonia sem qualquer entrave das limitações da matéria.

* Psicólogo, Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado
- Instit. de Psicologia-UFU-Email:
cvital@mailcity.com 

 

 





Comentários (2)



Comentários




vilson alves de oliveira
16-08-2008
é bem verdade, quando perdemos a mãe ou o pai fica sempre a sensação de impotencia e muita triste, porém esquecemos que passaremos pelo mesmo processo.




Celso Scheffer
17-08-2008
Parabens escritor. Em sua palavras transmite o respeito e a honra a suas raizes. A humanidade esta sedenta de palavras de luz como as suas, fica bem claro que suas flores e folhas estão verdejantes e frutificantes, somente que honra sua raizes pode ser uma arvore frondosa, que oferece sombra fersca e guarida. suas palavras são luzes que iluminam a alma dos leitore. Parabens Claudio. Catarinense como Eu. Dr. Celso Scheffer. www.ipth.com.br










09-08-2008


Tributo a Angola



Passei os treze últimos dias do mês de julho recluso em uma fazenda próxima à cidade de Juiz de Fora, um bom trecho com estrada de terra em péssimo estado de conservação. Um local distante, rústico, onde nem os celulares nos deixavam conectados com o mundo, mas com uma natureza exuberante, lindas árvores, belas flores, aroma de mato, animais e pássaros e onde o tom principal era a paz e a harmonia. Esse parece ser um ambiente adequado para alguns dias de férias, mas fui lá para estudar. Foram 12 dias de imersão em estudos aprofundados versando sobre saúde, bem-estar, harmonia e cura, com um professor profundo conhecedor do assunto. Poderia falar de muitas experiências extraordinárias que vivi nesses dias, mas, por questão de espaço, quero focar alguns dos participantes do curso. Havia pessoas de vários países. Mais de uma dezena dos participantes eram de Angola. A princípio tudo soava estranho para mim com essas pessoas, desde a cor da pele, todos negros, até o nome de alguns, tais como Teca, Mazina e Zissala, ou alguns sobrenomes mais diferentes ainda, como Camba, Manfuana ou Pululu.

Desde criança sempre ouvi falar de Angola, o domínio português com todas as conseqüências funestas, a Unita e tantas lutas internas e mortes, até sua independência. Sabia também que era um país da África, mas não tinha sequer tido o cuidado de olhar no mapa sua localização naquele continente e saber que fica na costa ocidental. Não lembrava que sua capital é Luanda. Sempre ouvi falar da produção de petróleo e da pobreza de boa parte da população, mas não sabia que o país é banhado pelo oceano Atlântico e fica de frente para o Brasil e que, provavelmente, há muitos séculos fazia parte do mesmo continente que o Brasil. E eu nunca tinha convivido alguns dias com angolanos, quiçá tivesse conversado com um deles. Pois essas pessoas que vieram de Angola diretamente para participar do curso do qual também participei foram uma das grandes surpresas do evento, pela simplicidade, pela amizade, pelo companheirismo e pela alegria.

Sabemos que o povo brasileiro é considerado um povo alegre, mas essa gente é tão alegre quanto nós, se não mais. A presença deles facilitou o aprendizado e tornou mais agradável a estadia. Mas o que me chamou mais a atenção nessa gente foi o espírito de determinação e fé. Alguns deles passaram em suas vidas por situações extremamente difíceis em função da guerra interna entre o governo e a Unita há algumas décadas. Talvez a necessidade e a falta de alternativa; talvez o espírito de luta; talvez o sangue negro; talvez séculos de exploração e o respeito aos brancos exploradores; talvez a reverência ao explorador; Talvez o respeito do explorado; talvez a capacidade de adaptação às intempéries; talvez apenas um profundo sentimento de humanismo e fraternidade, tudo isso tenha feito desses homens e dessas mulheres pessoas tão doces, tão confiantes, tão amigas, tão harmônicas. Alguns depoimentos emocionados feitos durante todo o curso, em que foram relatadas situações de extremo perigo para si e para familiares, mostraram a confiança e garra dessa gente em conseguir continuar a amar, quando teriam todos os motivos humanos para odiar; continuar a viver, quando tudo parecia indicar a morte como último consolo; continuar a lutar, quando a ótica míope indicaria resignação às condições impostas pelos exploradores; continuar a sorrir, quando todos os motivos justificariam lágrimas. Essa gente me fez lembrar outro africano, famoso e identificado com as lutas contra a discriminação racial na África do Sul, Nelson Mandela. Essas pessoas, contra todas as previsões da mente mortal, conseguem ver o mundo com os olhos de Deus e, por isso, vêem somente perfeição, harmonia e onde tudo, absolutamente tudo, é bom e a única arma existente, e única por se bastar, é o amor. Eu aprendi a amar essas pessoas, assim como todos os outros participantes do curso e os trago fortes como família dentro da minha mente.

* Psicólogo, doutor em saúde mental, psicanalista e escritor. Autor, dentro outros, do livro “AIDS e Exclusão social”, Lemos Editorial. Professor-adjunto do Instituto de Psicologia-UFU. Fone: 3213-8665.
cvital@mailcity.com





Comentários (2)



Comentários




Marcos José de Souza
10-08-2008
O seu texto veio alimentar o meu espírito de identidade com a nação africana e ampliar o meu desejo de conviver em naquels terras como professor de Língua Portuguesa (envolvendo aqui as três áreas: texto, literatura e língua). Na próxima semana participarei do Seminário Internacional Acolhendo Línguas Africanas, a ser realizado na Uneb - campus Salvador e o seu recado alimentou-me de mais africanidade, cujos elementos vc expõe ali. Um abraço, daqui de Fátima, nordeste da Bahia, ao sul da cachoeira de Paulo Afonso.




Luís Eduardo Veiga
11-08-2008
Cláudio, parabéns pelo seu lindo artigo. Como participante do curso, faço minhas as suas palavras. Um abraço. Luís Eduardo Veiga - advogado em São Paulo.










02-08-2008


O dinheiro liberta?



Se fôssemos fazer essa pergunta para muitas pessoas, provavelmente de cada 10, nove responderiam afirmativamente. De maneira geral, as pessoas associam o dinheiro ao consumo e à possibilidade de ter quase tudo o que seja vendável e que se queira. Também imaginam viagens maravilhosas, pessoas muito interessantes em volta e uma vida tranqüila sem essas preocupações de quase todos os mortais relacionadas com o ganha-pão de todo dia e as dificuldades que isso acarreta.

Olhando por esse prisma, difícil não se concordar que o dinheiro traga uma sensação de liberdade, uma vez que muitos desejos podem agora ser satisfeitos, exatamente porque se tem dinheiro. Com muito dinheiro, pode-se comprar lindos automóveis, comidas saborosíssimas, roupas elegantes, barcos fantásticos, jatinho executivo, apartamentos deslumbrantes e por aí a fora. Todos esses bens dão uma sensação de poder e liberdade. No entanto, quando condicionamos nossa liberdade e felicidade a circunstâncias ou bens externos a nós caímos numa armadilha, pois nosso bem-estar passa a depender de muitos fatores. O sábio sabe que não é tão difícil assim conseguir essas conquistas, se não as condicionar a fator externo e se tiver plena consciência que ser livre e feliz depende única e exclusivamente de si mesmo e de sua mente.

Mas nem todos concordam que a idéia de liberdade se relaciona a dinheiro para comprar tudo o que se quer ou para se locomover confortavelmente de um lugar para outro. Algumas pessoas conseguem entender que o conceito de liberdade não está associado ao ter, e, sim, ao ser. Entendem também que quanto mais se tem financeiramente, mais se depende do dinheiro. Percebem que o conceito de liberdade é subjetivo e como tal depende de condições internas e não externas do sujeito. Nelson Mandela, famoso sul-africano negro que lutou contra o regime de segregação racial daquele país por sua militância em prol da liberdade, passou parte de sua adolescência e de sua vida adulta preso por mais de duas décadas.

Em nenhum momento se sentiu preso, pois havia entendido que os verdadeiros grilhões estavam na mente e não nas grades da prisão. Tenho um grande amigo que, de tanto usar da liberdade para conseguir dinheiro e prazer, acabou numa prisão nos EUA por tráfico de drogas. De maneira amarga e dolorosa, dentro da prisão iniciou um processo de libertação e, na primeira oportunidade de ser solto, recusou-se à liberdade. Somente quando teve certeza da libertação interna é que aceitou ficar livre das grades, pois sabia, de antemão, que, enquanto não conseguisse uma total libertação em sua mente, tão logo saísse da prisão, as suas tendências e seus vícios o levariam fatalmente a cometer os mesmos atos que o levaram para a cadeia. Todo o processo foi intrapsíquico. Ele conseguiu entender que o grau de liberdade que usufruímos depende da mente e não dos bens materiais, até porque ele tinha muitos bens materiais.

Sei também de um médico anestesista, extremamente estudioso, que dedicou parte de sua vida a ser um bom profissional e ter qualidade de vida juntamente com sua família. Ganhava bem menos do que desejava, até que passou a desenvolver um negócio legal e honesto que, em poucos anos, o levou a ganhar mensalmente valores econômicos muito elevados. Era tanto dinheiro, que, por mais que gastasse, o dinheiro não acabava. Na busca de liberdade e usufruto dos bens materiais, separou-se de sua família, passou a ter uma vida boêmia, envolveu-se em litígio envolvendo máfia e mulheres e acabou assassinado. Havia se tornado escravo de seus desejos a partir do dinheiro que tinha. Sem se dar conta, quanto mais se libertava, mais escravo se tornava. Quando eu soube do que havia acontecido com esse médico, entendi imediatamente o que Cristo disse: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

Assim, não limite sua vida a uma busca frenética por dinheiro e prazer. Cultive sua família, as pessoas que te amam e você ama. Não deixe as exigências dos sentidos tomarem as rédeas da sua vida, pois, se assim o for, quanto mais livre você achar que estiver sendo, mais escravo se tornará.

* Psicólogo, doutor em Saúde Mental, psicanalista e escritor. Autor, dentro outros, do livro “AIDS e exclusão social” — Lemos Editorial. Prof. adjunto do Instituto de Psicologia-UFU.
Fone: 9158-9012
Email: cvital@mailcity.com 
 





Comentários (6)



Comentários




Jorge Amorim
04-08-2008
Dr. Cláudio, Parabéns pela matéria, colocações perfeitas, principalmente com relação ao cultivo da família, que é um bem de valor inestimável e quem a tem já é um "rico" dos mais bem sucedidos. O que vier além disso será apenas bonificações. Um abraço Jorge Amorim




Paulo Scarabelot
06-08-2008
Interessane tuas considerações. Na verdade tbm penso assim. É rico quem tem o necessário, disse alguém. Muitos, com muito dinheiro não conseguem viver muito. Gde abço.




Paulo Scarabelot
06-08-2008
Gostei das tuas considerações. Também penso desse jeito. Grandes fortunas, qdo não são bem conduzidas, levam a desastres. Gde. abço.




Marcia
09-08-2008
Concordo plenamente com tudo, é uma pena que as pessoas demorem tanto a enchergarem este fato.




Francisca Caninde B. Santos
10-08-2008
Parabéns Dr. Claudio, seus artigos são excelentes.África e Brasil pertencem ao mesmo bloco da pangea ,somos irmãos em Cristo,embora com cores diferentes.12 dias refletindo sobre temas interessantes, conhecer outras pessoas de outro continente deve ser gratificante.Novas apredizagens,para ensinar outras pessoas, que estão precisando mudar suas vidas.Continue difundindo essas novas idéias e conhecimentos.




rosiany coelho
27-08-2008
Caro colunista, gostei de seu texto que me fez compreender, refletir.pois ando gastando muito sem pensar em meus projetos. Obrigada pela lição de casa.
















.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletronico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Correio.