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Musicais







28-08-2008


O Voto



Após a palestra de MV Bill em Uberlândia na semana passada, um fato me chamou atenção especial. Foi feita uma fila para que o rapper e escritor autografasse seu mais recente livro, “Falcão, Mulheres e o Tráfico”. Enquanto eu aguardava para fazer uma entrevista, vale lembrar que o CORREIO de Uberlândia era o único veículo de mídia presente, ouvi duas pessoas conversando. “Fica esperto que, quando você for tirar a foto, eu vou levantar o santinho.” A dupla representava um candidato e, claro, que MV Bill estava inocente na história.

Este é só um exemplo do que candidatos e seus apoiadores fazem nessa época. Todos querem aparecer a qualquer custo, de reunião de bairros a batizado, você sempre pode encontrar um no seu caminho. São tantos, em tantos lugares. Mas, responda-me, você acredita que se um político recebesse um salário mínimo haveria tantos candidatos? A mesma Constituição que nos dá o direito de votar não permite que nenhum brasileiro ganhe abaixo de um salário mínimo, e nós sabemos que isso não é respeitado.

“Isso nunca acontece”...e quando acontece é culpa do outro. E as promessas e planos de governo? Todas repetidas, histórias que ouço desde que me entendo por gente: o fim das filas, a melhoria do atendimento na saúde, mais educação. E ninguém promete mais corrupção e é o que mais se noticia.

Frases como “você me conhece” chegam a me dar arrepios. E a forma como eles nos abordam? Como verdadeiros amigos de infância e o que mais me impressiona é que a maioria da população parece concordar com isso. A mim, particularmente, já foram feitas várias promessas de diversas frentes. Eles buscam as coisas do seu interesse e investem naquilo. No meu caso, já ouvi propostas de: festival de rock municipal, estúdio de graça para ensaio e gravação, apoio para eventos locais, patrocínio para projetos e por aí segue...

Sem contar aqueles que nos pedem votos para os outros. Por essas e por outras é que, nesta semana, quando meu sobrinho de 6 anos me perguntou em quem eu votarei, eu mantive a resposta de todas as eleições anteriores: em ninguém. E não considero que esta seja uma atitude apolítica. Dizem que você tem que conhecer e confiar em quem vai votar. Não se esqueça que grande parte deles é mestre na arte da manipulação.

Não perdi as esperanças. Sei que existem raras exceções no meio. O pai de um amigo é candidato em outro Estado. Eu votaria nele porque pela educação que deu ao filho é impossível que seja um mau administrador. Eu não barganho meu voto e creio que você também não deve barganhar o seu.

Não se trata de um manifesto em prol do voto nulo, nada disso. Mas quem opta por este recurso também não deve ser visto como um mau cidadão. No dia-a-dia há mais formas de sê-lo, como não jogar lixo no chão, respeitar as filas, tratar os outros com educação e respeitar o direito da livre escolha.

*Adreana Oliveira
Editora Online
adre@correiodeuberlandia.com.br





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21-08-2008


O samba de Flávio Oliveira



Advogado com larga experiência no Direito do Trabalho, Flávio Oliveira se divide entre o samba e a carreira jurídica, ora compondo ou fazendo shows pelo Estado do Rio de Janeiro, ora dando aulas e fazendo palestras. Nascido no dia 3 de junho de 1953, no bairro de Bonsucesso, este carioca mostra a que veio. Logo aos 9 anos de idade, começou no Conservatório Nacional de Música, onde aprendeu a tocar acordeom e piano. A partir daí, não conseguiu mais parar: estudou violão, cavaquinho e banjo, instrumentos que executa com desenvoltura. Nas suas andanças cultivou amizades e parcerias musicais de relevância, entre elas: Guilherme Nascimento, Miro Barbosa, Darcy da Mangueira, Guilherme de Brito, César Veneno, Chico Salles, Noca da Portela, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, Délcio Carvalho, Nelson Sargento e outros. Seu talento foi sendo reconhecido e suas músicas apreciadas, principalmente nas escolas de samba por onde passou.

Na Vila Isabel, ingressou em 1995, ao vencer o samba de quadra em homenagem a Martinho da Vila, quando então passou a fazer músicas para diversos artistas do mundo do samba. Posteriormente, transferiu-se para a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, onde, juntamente com o seu parceiro Miro Barbosa, venceu o samba-enredo de 1996, “Aurora do Povo Brasileiro”. No mesmo ano, em parceria com Henrique Damião e Maurílio Faria, venceu o concurso de samba-enredo da escola de samba São Clemente, com o tema “Se a canoa não virar a São Clemente chega lá”. Em 2000, passou a integrar a ala de compositores da escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro.

No início de 2001, com a parceria de Josimar Monteiro e Waldir Torres, foi dirigir a Roda de Samba da Velha Guarda da Mangueira, evento que é realizado todos os sábados, a partir das 16h, no Barracão Cultural da Mangueira.

Com mais de 20 anos de atividade musical, várias músicas gravadas e participação na formação de diversos grupos musicais, desde a década de 70, Flávio Oliveira, atualmente, canta em inúmeras casas de espetáculo do Rio de Janeiro. Sambista respeitado entre as escolas, mestre admirado na seara jurídica, Flávio Oliveira consegue conciliar o samba e o Direito, sem desafinar ou dar nota fora. É nosso personagem do samba de hoje, é jóia rara da MPB. Salve a cultura popular!

*cultura@correiodeuberlandia.com.br





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14-08-2008


Literatura marginal



Evandro Vieira. Músico, escritor, operário do rock e um auto-intitulado “vagabundo bem-sucedido”. Hoje, nos vocais do quebra-queixo, ele lança seu segundo livro, “Grosseria Refinada”, lançado com apoio da Secretaria de Estado de Cultura do DF pelo Fundo da Arte e Cultura (FAC). Ele começou a enveredar pelas letras, não importa se de alto ou baixo calão, em “Esfolando Ouvidos – Memórias do Hardcore de Brasília”, lançado em 2006. O rock dos anos 80 de Brasília pode até estar bem documentado, mas os anos 90 deixam a desejar e este é um território que Evandro quer explorar.

Se em “Esfolando...” ele contou em primeira pessoa, o que passou com bandas como Raimundos, DFC, Vernon Walters, Filhos de Mengele, Macakongs 2099, entre outras, em “Grosseria...” ele traz um pouco mais seu mais literário e menos biográfico.

São 12 contos distribuídos em 102 páginas que viajam por uma Brasília que muitos desconhecem e traz personagens como o Galinha Preta, que é quase uma figura onipresente no underground candango. Um pouco antes de “O Trabalho do Galinha Preta” tem uma história que envolve figurões da alta – e podre – sociedade em “Perfume de Vigarice”. Porém, nenhum dos contos me chamou tanto a atenção quanto “Alma de Estrela”. É o tipo de história que pode acontecer, ou melhor, deve acontecer com nove entre 10 aspirantes ao mundo do estrelado pop. Quando você está no auge da carreira, todos querem estar ao seu lado, é sinal de status. Basta uma queda para que a “nova sensação” assuma o seu posto. E a partir daí, você será mais uma vez um ilustre desconhecido, não importa se no underground ou no mainstream.

Sexo, alcoolismo, violência, bandidagem e rock and roll, está tudo ali, dentro da “capanga” que Evandro carrega nos festivais que freqüenta. Sua aparição mais recente foi no Porão do Rock, em Brasília, ali que é quase sua casa. Enquanto o circuito não abriga sua banda, ele segue em vôo-solo divulgando suas histórias e, com certeza, coletando novas. Ele avisa: “’Grosseria Refinada’ não passa de literatura barata, com explícita influência de filmes que exploram a violência gratuita, de pornografia suave, de quadrinhos adultos e da cultura hardcore”, e mais adiante, “é possível que você se ofenda, mas não espere que eu peça desculpas. Isso não vai rolar!”. Para saber mais, converse com o autor: evandro.esfolando@hotmail.com

*Adreana Oliveira
Editora
adre@correiodeuberlandia.com.br





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07-08-2008


O samba e a polícia



O ineditismo de “Pelo Telefone” sempre foi questionado como primeiro samba a ser gravado. Certo é que a composição registrada em novembro de 1916 pelo compositor Ernesto dos Santos, o Donga, foi o grande sucesso do Carnaval de 1917.

Esta música faz referência, pouco elogiosa, à carreira de um certo delegado. Aliás, o chefe de polícia citado na letra existiu e chamava-se Aurelino Leal, que hoje é nome de rua na Ilha do Governador. Outro compositor que citou a polícia em pelo menos três de suas composições foi João da Baiana. Ele abordaria a corporação carioca em “Batuque na cozinha”, na pouco conhecida “Malandro Pasteleiro” e “Quando a polícia chegar” cantada por Clementina de Jesus e regravada por Cristina Buarque.

É certo que estudar o samba e suas letras é deparar-se com uma perseguição oficial às manifestações populares que imperavam no Rio de Janeiro, especialmente o samba, candomblé e carnaval, no início do século passado. A letra de “Delegado Chico Palha”, música gravada por Zeca Pagodinho, faz uma clara referência a essa realidade. Ismael Silva, um dos fundadores da Escola de Samba Estácio de Sá, a primeira do gênero, diria que, um de seus motivos ao fundar a agremiação era o de criar um espaço onde o povo pudesse cantar, dançar e brincar à vontade, “sem apanhar da polícia”.

Candeia é um dos maiores compositores do Brasil. Mas o autor de obras-primas como “Preciso me Encontrar”, “Pintura sem Arte” e “Dia de Graça” foi, segundo muitos, um policial truculento. Este comportamento foi diretamente responsável por uma tragédia: numa batida de carros, Candeia saiu do veículo atirando nos pneus do caminhão envolvido. O revide do motorista o deixaria numa cadeira de rodas até o fim da vida. Fato conhecido, bem mais leve, deu-se numa sinuca do Catete: Candeia, fazendo a ronda rotineira, exigiu os documentos de dois jovens, Paulo César e Moisés. Após examinar os papéis, liberou-os e continuou a ronda. Passados alguns dias, na quadra da Portela, Paulo César lembraria o episódio a Candeia, deixando-o lívido, sem graça mesmo, na frente dos amigos, conta o pesquisador João Máximo. Para vergonha ainda maior do policial, o compositor Casquinha saiu gritando pela quadra da Escola: “Pessoal, pessoal, o Careca arrochou o Paulinho na sinuca!”. O fato, de qualquer forma, não teria maiores conseqüências, afinal de contas, Candeia e Paulinho da Viola seriam, futuramente, grandes amigos. Curiosidades da vida, amenidades do samba. Salve a cultura popular!

*cultura@correiodeuberlandia.com.br




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