
A pesquisa Ibope/CORREIO de Uberlândia/Rede Integração publicada na sexta-feira permite algumas conclusões. Primeiro: Odelmo Leão (PP), com 48% das intenções de voto, pode vencer no primeiro turno, mas, se ocorrer, será por uma diferença pequena.
Segundo: a utilização da imagem do presidente Lula pela campanha de Weliton Prado (PT) surtiu efeito. O deputado petista subiu de 32% para 39%, enquanto Odelmo oscilou 1% positivamente.
Terceiro: salvo algum fato de altíssima relevância, João Bittar (DEM) terá uma votação inexpressiva para uma liderança que chegou ao segundo turno da eleição municipal de 2004.
Quarto: caso a disputa vá para o segundo turno, a briga tende a ser acirrada entre Odelmo e Weliton.
Na simulação de 12 de setembro, o prefeito apareceu com 49% contra 38% de Prado. Diferença de 11 pontos num eventual segundo turno. Na pesquisa da semana passada, a vantagem em favor do prefeito caiu para seis pontos, com Odelmo, sendo citado por 48%, e Weliton subindo quatro pontos percentuais ao ser lembrado por 42% dos 602 entrevistados.
Além dos números
Além da obviedade numérica, a pesquisa permite concluir ainda que a campanha esquentará na derradeira semana. Por um lado, a militância petista, entusiasmada pelo crescimento de Weliton Prado, deverá pôr a banda na rua. Por outro, os correligionários de Odelmo Leão redobrarão os esforços para tentar resolver a disputa no primeiro turno. Weliton deverá apelar de forma ainda mais incisiva para a estratégia de colar na imagem do presidente Lula. Quem sabe novos depoimentos para a TV ou mesmo uma visita à cidade ainda na primeira etapa. Odelmo deverá atacar com o apoio do governador Aécio Neves, que, com maior possibilidade, poderá vir a Uberlândia pedir votos para o aliado. Não seria surpresa o aparecimento de alguma denúncia de última hora, aquelas em que se conta o pecado sem revelar a fonte da informação.
Aprovação nas alturas
Não é difícil ligar o crescimento de Weliton Prado (PT) na última pesquisa Ibope à estratégia de colar a imagem do candidato à do presidente Lula. A mesma pesquisa revela que a aprovação do governo Lula em Uberlândia é melhor do que a média nacional, divulgada na semana passada pelo levantamento CNT/Sensus. Na pesquisa Ibope contratada pelo CORREIO, 78% dos entrevistados consideraram a administração do presidente boa (49%) e ótima (29%). Na pesquisa nacional, o governo federal obteve 68% de aprovação e a figura do presidente, 77%. Apenas 5% dos uberlandenses consideraram a gestão Lula ruim (1%) e péssima (4%). A liderança do prefeito Odelmo Leão, candidato à reeleição, nas pesquisas também está refletida na aprovação de seu governo. Do total de entrevistados, 68% consideram a atual administração municipal boa (47%) e ótima (21%). O índice de desaprovação é baixo, 6%, sendo 3% ruim e 3% péssima. Já o governador Aécio Neves é aprovado por 55% que consideram a gestão do Palácio da Liberdade boa (42%) e ótima (13%). A desaprovação chega a 15%, entre ruim (7%) e péssima (8%).
Pesquisa furada
Na última semana as atenções se voltaram para a pesquisa Ibope para prefeito de Uberlândia. Nos bastidores, no entanto, circulou um levantamento de intenções de voto para vereadores. A suposta pesquisa não foi registrada na Justiça Eleitoral e, mesmo se fosse, não deveria merecer grande atenção. É praticamente impossível saber por meio de pesquisa quem será eleito para a Câmara Municipal. No máximo é possível ter uma idéia dos mais lembrados. Eleição proporcional segue uma equação complexa, por conta do coeficiente eleitoral. Ou seja, o sujeito pode ser muito bem votado e ficar fora, caso a soma dos votos do partido não atinja o patamar mínimo para garantir uma cadeira no Legislativo. Em Uberlândia, esta conta deve girar na casa dos 16 mil votos.

Levantamento feito em 134 cidades, entre elas 50 das 53 que poderão ter segundo turno, mostra que os três maiores partidos (PT, PMDB e PSDB) deverão manter a hegemonia nas eleições deste ano. Do total de municípios avaliados, o PT tem candidato em primeiro lugar nas pesquisas ou tecnicamente empatado em primeiro em 64 localidades. O PMDB aparece na frente em 57 cidades e o PSDB, em 41. Hoje o PT governa 29, o PMDB 24 e o PSDB 24 municípios dos 134 relacionados. Somados, estes municípios correspondem a 40,8% do total de eleitores do País. São mais de 52 milhões de pessoas. O estudo abrange capitais, como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, e cidades do interior, como Montes Claros, Campinas, Pouso Alegre, Santos e Varginha. Na região, o levantamento contempla Uberlândia e Uberaba. O critério para escolha das cidades foi o tamanho e a disponibilidade de pesquisas de opinião com credibilidade.
DEM perde espaço
Se, por um lado, o levantamento mostra uma tendência de liderança nacional para PT, PMDB e PSDB, por outro aponta um enfraquecimento do Democratas (antigo PFL). Dos 134 municípios, hoje o DEM governa apenas sete e está à frente ou empatado em primeiro nas pesquisas em 26 cidades. Em Uberlândia, por exemplo, o candidato democrata, João Bittar Júnior, está em terceiro desde o início da campanha, sendo que, da primeira para a segunda pesquisa Ibope, caiu de 15% para 7% nas intenções de voto. Por aqui, o antigo PFL sempre foi objeto de disputas internas com histórico de intervenções nos diretórios. Quem acompanha a política local lembra do embate pelo comando da legenda entre o ex-vereador Adalberto Duarte e o ex-deputado Leonídio Bouças. Em 2007, quando mudou de PFL para Democratas, o partido promoveu uma reestruturação nos diretórios em todo o Brasil. Em Uberlândia, o partido foi entregue a João Bittar, o que provocou descontentamento de pefelistas históricos e uma debandada de lideranças, como o vereador Felipe Attiê e o secretário municipal de Finanças Aldorando Dias. Há quem diga que o desempenho ruim de Bittar nas pesquisas tem origem no fato de ele não ter um grupo forte o apoiando.
Bittar e Odelmo?
Os ataques da campanha de João Bittar contra a do petista Weliton Prado têm alimentado uma “teoria” de que, num eventual segundo turno, o candidato do DEM poderá apoiar o prefeito Odelmo Leão (PP). Quem sustenta esta hipótese sugere, inclusive, o nome do responsável pelas conversas entre os dois grupos. O interlocutor seria o candidato a vice-prefeito Sérgio Lúcio de Almeida (tenente Lúcio). Ou seja, o acordo prévio de apoio mútuo entre Bittar e Prado no segundo turno estaria indo por água abaixo. A versão pode ser sustentada pelo fato de que, até outro dia, Lúcio era da base do prefeito na Câmara. Se voltarmos um pouco mais no tempo, veremos que Bittar também foi membro do grupo — no passado chamado Movimento Democrático de Uberlândia (MDU) — que hoje é a base de apoio do candidato do PP. Mas se há teóricos de um lado, também há os que atuam do outro. Fontes ligadas à candidatura de Weliton garantem que os ataques de Bittar ao petista fazem parte do jogo e que “parceria” no segundo turno continuaria de pé. Esta versão é mais difícil de ser sustentada, na medida em que o próprio Bittar teria descartado o apoio ao petista. Por outro lado, não falou se apoiaria Odelmo. O fato é que a briga entre petista e democrata fortalece ainda mais o prefeito candidato a reeleição e faz aumentar a possibilidade da campanha ser decidida ainda no primeiro turno.

A pesquisa Ibope/CORREIO de Uberlândia/Rede Integração publicada na sexta-feira revela uma polarização entre os candidatos a prefeito Odelmo Leão (PP) e Weliton Prado (PT). A vantagem do primeiro para o segundo continuou em 15% sendo que ambos subiram 5% cada. Odelmo tem 47% das intenções de voto e Weliton 32%. A margem de erro é de 4%. O resultado é positivo para os dois primeiros. Principalmente para Odelmo que, no cenário de momento, com pouco mais de 3% venceria ainda no primeiro turno. Já escrevi outro dia que os aliados do prefeito trabalhavam com a possibilidade de resolver a eleição em 5 de outubro mesmo antes da pesquisa Ibope. Os números devem levar mais motivação para quem aposta nesta estratégia. Neste contexto, o desafio de Weliton será crescer tirando votos de Odelmo e não de João Bittar (DEM), como indicou o estudo. Aliás, como o número de indeciso continuou em 10%, e Bittar caiu 8% saindo de 15% para 7%, fica claro que a migração dos votos do Democrata foi, na mesma proporção, para Weliton e Odelmo.
Colando em Lula
Com o segundo lugar aparentemente assegurado, o candidato Weliton Prado precisará trabalhar para garantir a necessidade de um segundo turno. Deverá manter a estratégia de aliar a sua imagem ao presidente Lula. Neste sentido, Weliton colocou no ar há poucos dias no programa eleitoral gratuito um depoimento onde o presidente pede o voto para o colega petista de Uberlândia. Resta saber qual o peso deste apoio. A pesquisa Ibope, cuja coleta de dados ocorreu no início da semana, teve pouco tempo para mensurar essa novidade. A capacidade de Lula transferir votos dos indecisos para o petista local deverá ser medida de forma definitiva na última pesquisa Ibope, prevista para a semana que antecederá a eleição.
Momento difícil
Quem não tem o que comemorar, ao menos por enquanto, é o candidato Democrata João Bittar Júnior. Começou com 15% e caiu para 7%. Para um candidato com histórico vitorioso em eleições proporcionais e que chegou ao segundo turno da eleição para prefeito em 2004, o momento é difícil. Quem conhece Bittar, garante que ele não jogará a toalha antes do último round. Fará o que for necessário para, ao menos, voltar ao patamar inicial e continuar sendo figura importante nas alianças para um eventual segundo turno. Neste sentido, as críticas, antes direcionadas ao prefeito Odelmo, agora são direcionadas, prioritariamente, ao ex-aliado Weliton Prado. No programa de rádio de sexta-feira, o locutor da coligação “Agora é vez do povo” citou o fato de um candidato a vereador de Belo Horizonte usar a imagem de Weliton e disse que o Ministério Público questiona a iniciativa, supostamente autorizada pelo petista de Uberlândia. O comentarista arrematou: “agora esta, candidato a prefeito de Uberlândia tendo problema com a Justiça da Capital”. Em seguida, a crítica foi para a inexperiência administrativa do adversário petista. A estratégia é a mesma de 2004 quando o embate para ir ao segundo turno foi entre Bittar e Gilmar Machado (PT). A diferença é que agora quem está em desvantagem é Bittar.

Até o fim desta semana, o CORREIO de Uberlândia e a Rede Integração publicarão a segunda pesquisa Ibope de intenção de voto para prefeito. O estudo é aguardado com ansiedade. Será a primeira pesquisa eleitoral com credibilidade cuja coleta de dados ocorreu após a veiculação dos programas eleitorais gratuitos de rádio e TV, marco do início efetivo da campanha. Os dados também servirão como acompanhamento de desempenho das próprias coordenações de campanha. Na primeira rodada, publicada pelo CORREIO no dia 15 de agosto, Odelmo Leão (PP) tinha 42%, Weliton Prado (PT), 27%, e João Bittar (DEM), 15%. Os demais candidatos ficaram abaixo de 1%. Será que haverá oscilações importantes neste espaço de pouco mais de 20 dias? No levantamento de agosto, brancos e nulos, não sabe e não respondeu somaram 15% dos 602 entrevistados. A menos de 30 dias da eleição, o número de indecisos terá diminuído? As respostas servirão para aplacar a curiosidade do eleitorado em geral e, eventualmente, provocar ajustes nas estratégias de campanha principalmente de quem aparecer em desvantagem.
Voto matemático
Um amigo me disse outro dia que definirá em quem votar para prefeito de Uberlândia usando a matemática. Fará as contas de quanto deixará de gastar com base nas promessas de campanha de cada candidato. Pretende avaliar quanto economizará com as isenções de impostos e redução de tarifas públicas e abaterá as taxas municipais que deixarão de existir caso este ou aquele candidato vença. Vai contabilizar ainda os gastos que tem hoje para cuidar da avó e as despesas com a creche do filho. Já avisou à esposa que também cortará do orçamento doméstico para 2009 as despesas com convênio médico e aluguel. Pragmático, este meu amigo disse que votará na base do ‘quem der mais leva’. Consciente, disse que, se o candidato escolhido não cumprir alguma promessa, mandará a fatura das eventuais despesas para a Prefeitura. Já pensou se todos pensassem como este meu amigo? Aliás, acho que preciso selecionar melhor minhas amizades.
Estratégias de momento
Nos programas eleitorais da última semana, o tom das críticas entre os candidatos começou a se elevar. Por enquanto, como era de se esperar, Weliton Prado e João Bittar, potenciais aliados num eventual segundo turno, estão mirando o prefeito Odelmo Leão. Resta saber, se a estratégia será mantida, caso Odelmo continue liderando com folga as pesquisas e haja uma aproximação entre segundo e terceiro colocados. Por esta hipótese, a principal briga passaria a ser entre Prado e Bittar pelo direito de estar no segundo turno, como ocorreu em 2004 entre Bittar e Gilmar Machado (PT). Na época, a disputa gerou atritos explícitos entre os candidatos a ponto de Gilmar, mesmo contra a decisão do partido, negar apoio a Bittar no segundo turno. Há quem aposte que a pré-aliança entre Weliton e João Bittar suportaria até eventuais críticas mútuas em nome do jogo eleitoral. Mas também há quem acredite ou, ao menos, torça para que a animosidade do passado reine novamente. Coisas de campanha.