
Há poucos dias comentamos neste espaço que a Reforma Política em gestação no Palácio do Planalto poderá ser enriquecida com uma proposta no Congresso para prorrogar os mandatos de governadores e do presidente da República até 2012. A iniciativa seria em nome da coincidência dos mandatos. Lula ou o PT não deverá propor essa medida, mas qualquer partido da Coalizão sim. Para evitar comentários negativos na reta final das eleições deste ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse, na terça-feira passada, que não pretende discutir a unificação das eleições nacionais, estaduais e municipais e desautorizou representantes do Ministério sondar parlamentares sobre este assunto. Tarso Genro, sem cerimônia, descreveu um cenário em evolução no Palácio do Planalto sobre o assunto, mas negou que o governo patrocinará qualquer proposta de prorrogação de mandatos, embora tenha admitido que o assunto poderá ser discutido na tramitação da proposta de reforma política que o Executivo encaminhará ao Legislativo até novembro. Tarso Genro argumentou que “o melhor caminho para a unificação das eleições seria garantir mandatos de cinco anos, sem direito à reeleição”. A idéia da prorrogação dos mandatos está em cena e poderá contar com apoio da maioria dos governadores, senadores e deputados federais que também poderão ganhar mais dois anos de mandato sem fazer força. É casuísmo prá ninguém botar defeito e tem a feição e a cara de um ato da Revolução Militar de triste memória.
Repercussão
Preocupado com a repercussão do que disse, Tarso Genro explicou: “Se há alguém do Ministério da Justiça fazendo alguma sondagem, o faz por conta própria. Sou totalmente contrário à prorrogação de mandato, porque seria uma traição aos princípios democráticos. Qualquer alteração na Constituição nesse sentido seria antidemocrática”. Pura cascata.
Dúvida cruel
A verdade é que o PT e os aliados não acreditam que a Situação, pelo menos no momento, tenha um nome com densidade eleitoral para ganhar a eleição de Presidente da República em 2010. Se Lula não puder candidatar-se a um terceiro mandato consecutivo, “é melhor cuidar da prorrogação do mandato do Homem até 2012”. Até lá muita água passará pela ponte.
Nobre saída
As eleições deste ano servirão para avaliar a capacidade de o popular presidente Lula transferir prestígio eleitoral e votos para outros candidatos, do PT ou de partidos aliados. Se os resultados eleitorais, nos grandes colégios não forem o que os estrategistas esperam, a saída poderá ser a prorrogação dos mandatos executivos até 2012. Lindo, né?

Finalmente estamos a seis dias da eleição. Já ouvimos os candidatos a prefeito e à Câmara Municipal e pudemos analisar as suas propostas. Agora é possível escolher conscientemente um representante no Poder Legislativo e o chefe executivo. Este para administrar um orçamento de mais de R$ 1 bilhão a partir de 2009. O processo eleitoral terminará no próximo domingo ou no dia 26, se houver segundo turno. De acordo com a última pesquisa do Ibope, a disputa poderá terminar no primeiro turno ou ser levada para o segundo tempo. No entanto, resultado de pesquisa, só depois de encerrados os atos de votação.
O candidato Weliton Prado (PT-PMDB), de acordo com o Ibope, está no segundo lugar, mas cresceu 9 pontos percentuais em relação à última pesquisa. De lá para cá, Weliton recebeu apoio de ministros e do próprio presidente da República. Se estes astros, realmente, transferirem prestígio eleitoral, o candidato do PT-PMDB poderá surpreender no dia da decisão. O candidato do DEM-PDT caiu nas intenções de votos, segundo o Ibope, mas continua firme no páreo com 7% de aceitação. Esse número é decisivo para levar a decisão para o segundo turno. Em todas as sinalizações, o prefeito, candidato à reeleição, foi indicado como participante em um virtual segundo turno. Este cenário está claro no outono tropical.
A propaganda eleitoral no rádio e na TV terminará na quarta-feira. Até lá poderá haver mudanças. O candidato do PP-PSDB, que dissera que não compareceria a debates no primeiro turno, mudou de idéia e já se prepara para enfrentar os adversários diante das câmeras da TV Integração. Para isto prepara-se intensivamente. É bom lembrar que na eleição que levou Paulo Ferolla à vitória, segundo as pesquisas da época, o candidato da oposição, Geraldo Rezende (PMDB), liderava com folga nas pesquisas. Foi ao debate com ares de prefeito-eleito. O candidato da situação, Paulo Ferolla, virou o jogo no debate final e mudou o placar em poucos minutos. No dia D ganhou a eleição. É sempre bom recordar fatos passados que servem de lição no presente.
Autoconfiança
O PT age na campanha eleitoral em Uberlândia com autoconfiança suprema. Recebe apoio do governo federal. Talvez, por isto, recusou na propaganda gratuita de rádio e TV os aliados do PMDB. O candidato do PT, com apoio federal, ignorou líderes do PMDB como Zaire Rezende, o senador Wellington Salgado e o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Estes, bem avaliados e conhecidos na cidade, foram simplesmente deixados em um córner.
Disputa difícil
Nesta altura do campeonato eleitoral é possível identificar os times mais bem posicionados no campeonato para a disputa final. Como já dissemos, o candidato do PP-PSDB soma mais pontos em Uberlândia; em segundo lugar está o candidato do PT-PMDB e em terceiro, o do DEM-PDT. Estes são os três aspirantes a disputar a partida final. Um deles será o campeão no dia 5 de outubro ou, no mais tardar, no dia 25.
Mutabilidade
Por enquanto, quem escreve para o público só pode fazer projeções baseadas em pesquisas de opinião pública. Não dá para arriscar resultado final em árdua disputa. Posições de pesquisas podem mudar de repente. Porém, para que haja transformações radicais é preciso que haja fatos que comovam a opinião pública. Nesta altura do campeonato, com os principais jogadores no campo, é melhor esperar o fim da partida.
Do olho no futuro
Uberlândia aparece, hoje, no processo político como importante centro de decisões. Afinal a cidade é a segunda em Minas, Estado de grande tradição política nacional e pode influir decisivamente nas eleições gerais de 2010. Não é sem motivo que o PT nacional usa até o prestígio político do presidente da República para tentar ganhar a eleição aqui. O governador Aécio Neves também atua em Uberlândia, de olho no futuro.

O combate à corrupção no Brasil não parece ser prioridade no atual governo. Quem diz isto não é um mortal comum como este escriba. É Transparência Internacional (TI), em relatório divulgado nesta semana. No relatório, a TI comentou: “O combate à corrupção parece ter estancado no Brasil nos últimos anos”. Este é o destaque no relatório anual da organização Transparência Internacional que indicou ser “a percepção de corrupção — que reflete como os cidadãos, em diversos países, vêem o combate a esse mal. Nesse combate, o Brasil permaneceu em 3,5 pontos, intocados em relação ao do ano passado, em uma escala que varia de 0 a 10”. Nas ruas, os cidadãos brasileiros não dão muita importância a fatos ou cenas da corrupção que parece endêmica. Esta realidade destaca-se nas eleições, quando diversos candidatos acusados de atos de improbidade e falta de ética recebem consagração nas urnas e se elegem para representar o povo no Parlamento, seja este federal, estadual ou municipal. As notícias de ações corruptas divulgadas intensamente por veículos de comunicação de massa não merecem atenção da população que, aparentemente, não dá importância a atitudes sem ética no processo político. Segundo a TI, “a corrupção no do Brasil é ilustrativa nas Américas do Sul e Central onde 22 dos 32 países da região — incluídos no levantamento — indicam problemas de corrupção. Alguns são identificados como de corrupção crônica desenfreada”. Este cenário não é salutar.
Judiciário
Na análise para as Américas, a TI qualificou os resultados como “tendência infeliz para a região, nos últimos anos” e destacou: “Os esforços anticorrupção parecem ter estancado, o que é particularmente perturbador à luz dos programas de reformas de muitos governos”. A sociedade organizada no Brasil não se levanta contra essa situação.
Confiança baixa
As pesquisas da TI mostraram que a América Latina tem o pior nível de confiança no Poder Judiciário: quase três em cada quatro latino-americanos entrevistados em 10 países declararam que acreditam que existe corrupção nos organismos do Poder Judiciário. Esta concepção é desastrosa para qualquer sociedade democrata no mundo.
Nota ruim
Alguns países avançaram na adoção de instrumentos legais contra a corrupção. No Brasil, as iniciativas do poder público neste sentido são fracas, segundo o relatório da Transparência Internacional, que procurou destacar o que chamou de “relação fatal” entre pobreza, instituições decadentes e corrupção. A nota dada ao Brasil – 3,5% em 10 - é péssima!

A pesquisa do Ibope, divulgada na quinta-feira passada pela Rede Integração e ontem pelo CORREIO de Uberlândia, indicou que o prefeito Odelmo Leão, candidato à reeleição, continua na frente. Na pesquisa divulgada no dia 12 de setembro, Odelmo tinha 47% e nesta, 48%. Ganhou um ponto. A novidade foi o desempenho de Weliton Prado, candidato do PT, que passou de 32% na pesquisa anterior para 39% na atual. Cresceu 7 pontos percentuais, impulsionado por ministros e pelo presidente Lula, no Programa de Rádio e TV. O candidato João Bittar ficou nos 7%. A diferença do primeiro para o segundo colocado é, segundo o Ibope, de 9% e a margem de erro, 4 pontos percentuais. Ainda de acordo com o Ibope, somados os 3% dos candidatos minoritários e os 7% de João Bittar, o quadro sinaliza a possibilidade de a decisão ficar para segundo turno. Naturalmente, se depender do comportamento dos eleitores indecisos que somam 6% nas intenções de votos. A propaganda eleitoral no rádio e na TV termina na próxima quarta-feira e, até lá, a campanha dos dois principais candidatos deverá intensificar-se. O PT joga pesado em Uberlândia para conquistar o segundo mais importante colégio eleitoral em uma cidade estratégica no influente Estado de Minas Gerais. A visão política do PT e do presidente Lula está centrada na eleição de 2010 quando será escolhido o presidente da República, o governador do Estado, dois terços do Senado e renovadas a Câmara Federal e a Assembléia Legislativa. Com 400 mil eleitores, Uberlândia virou alvo estratégico.
Esperança no ar
O cenário atual indica que se a decisão eleitoral em Uberlândia ficar para o segundo turno, dificilmente o candidato João Bittar vai se coligar com o petista Weliton Prado. Se não apoiar Odelmo Leão, o mais certo é que Bittar ficará fora da campanha de segundo turno e o eleitorado dele, de perfil conservador, pode ter peso importante no segundo turno.
Outra visão
Fora do Ibope circulou na cidade, na tarde de quinta-feira, a pesquisa de um conceituado Instituto de Pesquisas da cidade, que apontou Odelmo Leão como vencedor no primeiro turno. Na reta final ainda haverá um divisor de águas: o debate na Rede Integração, programado para a próxima semana. Quem se sair melhor nessa contenda poderá subir no pódio na reta final.
Emoção
Nos próximos programas, se Odelmo não mudar a propaganda, é porque confia que sairá bem no Dia D. Weliton, aparentemente, já gastou a munição pesada que tinha com armas com ministros e o líder do PT, presidente Lula – político mais popular do Brasil. A tendência atual indica que Prado, no final, poderá apelar para a emoção a fim de atrair indecisos.

Alguns jornalistas, nos dias atuais, não sabem que pauta-prévia, ainda em uso em algumas redações, foi um instrumento introduzido no jornalismo brasileiro pela ditadura militar. Foi criação de um censor para facilitar a triagem prévia da produção de matérias informativas nas redações. Nesta semana tive o desprazer de ver um modelo de pauta-prévia, supostamente criado por uma escola de jornalismo para preparar futuros repórteres. Com a mesma cara da pauta da ditadura, o “modelo” indicava: “nome do pauteiro, retranca (indicativo da matéria), local e data da entrevista, nome do personagem a entrevistar e dicas para coleta de informações, assim: tema e sinopse, hora da entrevista previamente marcada” e outras informações sobre o personagem principal: “idade aproximada, cor da pele, vestuário habitual, cabelos grisalhos, gordo, sexo e bigode sem tintura”! Na sinopse, o pauteiro relacionou as perguntas que o repórter deveria formular. Estas, naturalmente, aprovadas previamente por alguém, com autoridade pré-definida no centro do poder temporal. As indagações, mais ou menos assim: “O senhor acha isto? O senhor acha aquilo? O senhor aprecia água gelada? O senhor joga bingo escondido”? Neste nível, outras perguntas dignas do iluminismo caboclo. A pauta-prévia do passado foi instrumento de robotização de jornalistas. A do presente é moderna e tecnicamente bem elaborada por destacados comunicadores do infinito, mas é semelhante à pauta da ditadura militar.
Censura prévia
Por meio da pauta-prévia, o censor da ditadura controlava previamente toda matéria noticiosa a ser produzida por repórteres. O pauteiro era o astro que definia o que era ou não objeto de cobertura jornalística. Assim, sob comando do censor, o pauteiro só programava cobertura de matérias aceitas pelo regime de exceção que controlava jornais, rádios e TVs.
Despotismo
Pauta-prévia foi instrumento ditatorial que transformou repórteres em marionetes executoras de ordens expedidas por controle remoto. Serviu de orientação a jornalistas incapazes de interpretar contrastes e confrontos sociais e premiou os profissionais afinados com o regime. A pauta-pré-definida foi genial criação da ditadura militar. Continua viva hoje.
Entulho
A criatividade e o conhecimento da técnica de produção de notícias são fatores indispensáveis a jornalistas bem preparados para o exercício profissional. Estes precisam de informações prévias, não de pauta pré-definida por controle remoto. Este tipo de pauta, após a Constituição de 1988, é entulho autoritário que deveria estar no lixo da história.

Escrevi, na semana passada, que não acredito em resultado de pesquisa de intenção de votos para candidatos a vereador. Recebi manifestações em contrário à minha declaração. Discordar é democrático. Reafirmo que não confio em pesquisa para prever elegibilidade de vereador. O que alguns institutos fazem, para reduzir a ansiedade de candidatos, é somar nomes, pesquisa após pesquisa, e acumular resultados de citações de eleitores em várias situações e bairros da cidade. Este tipo de procedimento é agregação de informações, não pesquisa de intenções de votos. Nas andanças e contatos com eleitores, em organizações como associações e entidades de serviço social, os próprios candidatos fazem levantamentos nos contatos que mantêm com milhares de pessoas e concluem que podem alcançar votação que possa garantir-lhes resultado positivo na eleição. Isto é exercício de faz-de-conta, não pesquisa de intenções de votos obtida por procedimentos científicos. É empirismo puro. No passado, no período de propaganda eleitoral, alguns grupos de apoio a partidos políticos montaram sondagens de campo nas ruas ou por telefone e chegaram a conclusões que nem sempre se confirmaram nas urnas. Com a experiência de várias eleições, partidos e candidatos usam o método de agregação de informações para concluir, por “achismo”, que este ou aquele candidato a vereador tem ou não possibilidade de se eleger. Isto não é pesquisa científica de intenções de votos de eleitores. É faz-de-conta.
Visibilidade
Em Uberlândia há uma realidade que ao longo de anos passados se confirma: vereador no exercício do cargo conta com maior possibilidade de reeleger-se por causa da visibilidade pública durante quatro anos de mandato e por serviços prestados a pessoas, entidades de ação social e uso do cargo para se promover na sociedade municipal.
Improvisação
Não é fácil a um candidato de última hora se eleger apenas por desempenho na propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Uma candidatura a vereador precisa ser construída ao longo de quatro ou mais anos com serviços prestados ao público. Partido não ajuda candidato a vereador conquistar votos populares. Esta é realidade nua e crua.
Preço do voto
Para alguns candidatos, a disputa deste ano servirá como lição a seguir no futuro. Para outros, a aspiração a uma cadeira na Câmara Municipal continuará a ser mero resultado de sorte, como ganhar na Mega-Sena. O eleitorado brasileiro não conhece militância política e, na hora de votar, gosta de levar algum tipo de vantagem. Voto no Brasil tem preço.
*opiniao@correiodeuberlandia.com.br

A campanha eleitoral em Uberlândia, nos últimos dias, esquentou exatamente onde não se esperava: na oposição. O candidato do DEM-PDT, que teoricamente se uniria ao do PT-PMDB em um virtual segundo turno, partiu para o ataque. Denunciou o candidato do PT-PMDB como envolvido em falsidade ideológica por permitir que candidatos a vereador em outras cidades, particularmente em Belo Horizonte, usassem o nome dele em propaganda eleitoral. Foi uma reação surpreendente entre dois candidatos da oposição. A reação inesperada pode anular uma virtual união em um, ainda não descartado, segundo turno. Candidatos do PT, pelo Brasil afora, usam determinada estratégia psicológica para conquistar eleitores. Essa jogada consiste em informar ao eleitorado que o Presidente Lula dispõem de bilhões de reais para financiar obras e serviços sociais nos municípios se o prefeito eleito em 2008 for do PT. Esta é parte da estratégia da “Onda Vermelha”, lançada para servir de apoio ao projeto de eleger o Presidente da República e governadores em 2010. A “Onda Vermelha” já começou e tem por fim alertar à Tigrada de que Lula é o único político que pode salvar o Brasil do mal olhado e acabar com a pobreza com o decreto que eleve estatisticamente os pobres à classe média. Os eleitores, bombardeados nos programas eleitorais da “cumpanheirada” e por declarações do Chefe, podem acreditar que tudo que reluz é ouro na Terra Brasilis. Maravilha moderna é vermelha! Ou não?
Terrorismo
Uma estratégia impactante parece em marcha. Grupos ligados ao poder total na República, com intenção de impressionar a sociedade, usa porta-vozes para espalhar boatos de privatização do petróleo do pré-sal, de universidades federais e da Amazônia, com apoio direto de alguma potência estrangeira controlada no tempo e no espaço por um espírito do mal.
Ambição
Onde a ambição política é grande, a ordem é espalhar boatos, embaralhar as cartas do jogo, tumultuar, para que os adversários cometam impropriedades que resultem em fracasso eleitoral. Uberlândia, segundo o jornal “Folha de São Paulo”, é alvo preferencial do PT que teria reservado R$ 6 milhões para ajudar a eleger o futuro prefeito daqui.
Surpreendente
Jogadas pré-eleitorais à parte, ninguém explica a virada de tom na campanha do candidato do DEM-PDT. Esperava-se que esse grupo se esforçasse para ajudar o PT-DEM a levar a disputa local para o segundo turno, mas o que se viu desde a semana passada foram críticas contundentes contra o candidato do PT-PMDB. Fogo amigo na oposição

Se algum curioso quiser saber o que é tráfico de influência, basta consultar um dicionário de termos jurídicos ou ler o artigo 332 do Código Penal que encontrará informações mais ou menos assim: “É crime praticado por particular contra a administração em geral. Consiste em solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. A pena prevista é de reclusão, de dois a cinco anos e multa. A pena aumenta se o agente alegar ou insinuar que a vantagem é também destinada ao funcionário”. No processo político, além do tráfico de influência existe o exercício de poder em causa própria. Esta prática é igualmente danosa ao erário e ao sistema democrático. Há poucos dias comentamos neste espaço sobre a reserva de mercado político exercida por vereadores que usam estruturas do Poder Legislativo e assessores para cabalar eleitores durante os quatro anos do mandato. Nesse tempo distribuem subvenções, a entidades assistenciais em troca de votos. Pois bem: quem consultou o “Diário Oficial” de vários municípios, nos últimos dias, viu a publicação de atos de transformação de associações em “de utilidade pública”. Alguns vereadores apresentam projeto de “utilidade pública”, sem cerimônia. Isto devia ser proibido em ano de eleições. Ao “negociar” o projeto, o vereador negocia: “se eu me reeleger, trabalharei para aprovar subvenções para entidades sociais”.
Maracutaia
A primeira providência de uma associação de assistência social que pleiteia subvenções do poder público é ser de “utilidade pública”. Depois é só um vereador apresentar o projeto de subvenção, com dinheiro público, e o aprovar na Câmara. Cada projeto de subvenção pode render uma centena de votos para reeleger o cintilante vereador “benfeitor da ONG social”.
Promessas
Alguns candidatos a vereador que prometem o que não podem fazer precisam saber que o orçamento municipal é composto de três etapas: a primeira, a votação do Plano Plurianual (PPA) no qual o Poder Executivo estipula as previsões de despesas para quatro anos. Deste sai a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, finalmente, o Orçamento Anual. Fantasia, zero.
Barra pesada
De olhos no poder supremo, o PT trabalha para eleger prefeitos em cidades estratégicas de Minas, para influir em 2010. O jornal “Folha de S. Paulo” publicou no domingo passado que, em Minas Gerais, o PT está de olho em duas cidades estratégicas: Contagem e Uberlândia. Para a campanha em Contagem destinou R$ 4 milhões; para Uberlândia, R$ 6 milhões. Está na “Folha”.


Em qualquer campanha eleitoral, militantes de partidos e ativistas de última hora produzem bobagens monumentais e as divulgam audaciosamente aos quatro pontos cardeais da paróquia. Uma dessas bobagens é a que diz que, com a popularidade em alta, o presidente Lula contribui para eleger prefeitos nas principais cidades do Brasil. Há quem fale que Lula virou o jogo em São Paulo com apenas uma declaração de apoio à candidata do PT, Marta Suplicy, e fez a candidatura do neto do finado ACM, em Salvador, despencar só porque os petistas divulgaram um filme com um pronunciamento de ACM Neto, na Câmara, quando ele disse, em tom agressivo, que daria uma surra em Lula se fosse espionado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Outra bobagem é que Lula contribui para espalhar, neste ano, uma “Onda Vermelha” pelo Brasil com a eleição de petistas para comandar capitais e cidades importantes em todo o território nacional. Não dá para esconder que o presidente Lula alcançou grande popularidade comprovada por pesquisas de opinião pública: 64%, no Datafolha. É aprovação maiúscula só alcançada no Brasil por Juscelino Kubitschek quando inaugurou Brasília. Mas é bom refletir: o Brasil tem 5.562 municípios e, pelo menos, 35% da população ativa não aprova o governo de Lula. Disputam o cargo de prefeito 15.365 candidatos e cerca de 400 mil candidatos a vereador. Muitos disputam votos sem pedir apoio a Lula e alguns se elegerão. Não há unanimidade em política. Não há.
Federalização
A eleição em Uberlândia está federalizada. De um lado, o presidente Lula e vários ministros desceram do pedestal do Planalto e chegaram à Planície para pedir votos para o candidato do PT, Weliton Prado. Um ministro da base do governo — o das Cidades, Márcio Fortes — já chegou para pedir votos a favor do candidato Odelmo Leão. Isto é federalização.
Na alça de mira
Uberlândia está nos planos da União como fator decisivo na eleição de 2010. O presidente Lula, que antecipou a escolha da ministra Dilma Rousseff para o suceder a partir de 2011, apóia aliados estratégicos a fim de fortalecer o esquema eleitoral do PT em 2010. Em Minas, o governador Aécio também joga de olho no Planalto e no Estado, em 2010.
Sem barreira
Na verdade, Lula joga o jogo político, dá cartas e joga de mão, porque a oposição a ele é incompetente, omissa e desinteressada. Lula tem mérito político, é verdade, mas é beneficiado no território nacional por uma oposição, medrosa e indefinida. Fazer política sem oposição é tudo o que um político pede a Godot. Pede com fé pra reinar no tempo e no espaço.