
A julgar pelo comportamento do mercado financeiro no Brasil, em resposta ao veto da Câmara dos Deputados nos Estados Unidos às medidas econômicas, não há mais como evitar reflexos da crise norte-americana na chamada economia real brasileira. A dúvida é: quando e em que nível o problema atingirá o dia-a-dia da população. Com base nos acontecimentos de ontem, dificilmente o impacto será mínimo, como quer o presidente Lula. É improvável que haja algum reflexo eleitoral nas eleições de domingo, mas, num eventual segundo turno, o mar azul por onde navegam os candidatos apoiados pelo governo federal pode se tornar revolto. Pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem mostra que a aprovação pessoal do presidente chegou a 80%. Índice sem precedentes na história política nacional. Por isto, Lula é o cabo eleitoral dos sonhos de qualquer candidato. Se a economia entrar em crise, esta realidade pode mudar rapidamente. A torcida é grande, contra e a favor.
Mar azul
Salvo alguma denúncia de última hora, dá para afirmar que a campanha em Uberlândia neste primeiro turno foi mantida em bom nível. Houve algumas acusações nas campanhas para prefeito, mas dentro do limite do razoável. Nada abaixo da linha de cintura. Tanto, que muita gente tem considerado morno o pleito. A ausência de debates entre os principais candidatos contribuiu para o cenário de calmaria. A última oportunidade será na quinta-feira, na Rede Integração. Nos bastidores, há quem garante que os dois líderes das pesquisas, Odelmo Leão (PP) e Weliton Prado (PT), podem optar por participar apenas de outro debate, num eventual segundo turno.
Cada um por si
Pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem mostra que 52% dos brasileiros já decidiram em quem vão votar no próximo domingo para as prefeituras e câmaras de vereadores. Por estes números a cinco dias da eleição, quase metade dos eleitores estaria indecisa. Em Uberlândia, segundo o Ibope, o número de indecisos para prefeito é de apenas 3%, ou seja, a indecisão seria grande na escolha dos vereadores. Conhecedores desta tendência, os candidatos às 21 vagas do Legislativo local trabalharão dia e noite para convencer a turma que ainda está em cima do muro. Nesta corrida, pouco importa a opção para prefeito. Os candidatos das coligações cujo candidato a prefeito está mal nas pesquisas já abandonaram o barco majoritário. É cada um por si.

Os próximos agentes políticos de Araguari terão um motivo a mais para comemorar a posse nos cargos. Em plena campanha eleitoral, os vereadores aprovaram o reajuste dos salários de prefeito, vice, secretários e dos próximos representantes no Legislativo. O salário de prefeito vai dobrar, de R$ 7 mil para R$ 14 mil. Já o vice vai receber R$ 10 mil. Os novos secretários também vão receber o dobro dos atuais, de R$ 3 mil para R$ 6 mil. Os vereadores eleitos terão uma remuneração de R$ 7 mil – hoje o salário é de R$ 5 mil. Os novos valores entram em vigor em 1º de janeiro. A lei, aprovada por unanimidade, foi sancionada há duas semanas.
Sem Lula
Se a moda pega. O TRE da Bahia acatou recurso do PT baiano e proibiu que candidatos de partidos e coligações adversários usem a imagem do presidente Lula em seus programas eleitorais. O maior prejudicado no Estado foi o candidato à reeleição em Salvador, João Henrique Carneiro, do PMDB. Carneiro disputa palmo a palmo com outros dois concorrentes uma vaga no segundo turno e, durante seu programa, exibia uma foto ao lado do presidente tirada durante um evento na capital baiana.
Eleitoralmente correto
Essa moda até que podia pegar. Um candidato a vereador em Uberlândia decidiu fazer o plantio de árvores às margens do córrego Buritizinho como forma de compensar as taxas de carbono emitidas durante sua campanha. A quantidade de mudas a serem plantadas, 80 no total, foi calculada com base no volume de papel, combustível e plástico gastos para difundir o programa do candidato.

Uns apostam, outros têm certeza. Passadas as eleições municipais, a cena política uberlandense nunca mais será a mesma. Essa avaliação é menos o reflexo do resultado ainda incerto e mais da disputa gerada entre os candidatos durante a campanha. Os principais, especificamente. A tendência de uma aproximação maior entre lideranças políticas com influência na cidade tem se materializado num distanciamento antes impensável. Quer dizer, em política tudo pode acontecer. Até um “abraço amigo” entre adversários históricos ou de momento. A esperar.
Distanciamento
A uma semana do fim do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTR) do PT, que coordena a campanha petista, ainda não se reuniu para definir como e se haverá a participação do deputado federal Gilmar Machado no programa do candidato a prefeito pelo partido Weliton Prado. A julgar que o horário eleitoral termina no dia 2 de outubro, é pouco provável que o candidato a prefeito do PT em 2004 e o de agora sejam vistos juntos no mesmo programa. Se houve iniciativas de um ou de ambos os lados, elas [ainda] não se materializaram em empenho suficiente para que as divergências internas fossem superadas.
Lula
Se a coordenação de campanha petista não tem feito tanto esforço para unir o antigo e o atual candidato a prefeito do partido, o mesmo não acontece quando o assunto é o nome mais expressivo do PT em todo o País. Com a previsão de que o presidente Lula venha a Minas Gerais neste fim de semana, participar das campanhas de candidatos do PT em Contagem e Betim, a cúpula petista em Uberlândia já se mobiliza na tentativa de incluir a cidade na agenda. A eventual presença de Lula marcaria o primeiro – e talvez único - comício em toda a campanha. Mas, o reforço ainda fica no âmbito da vontade. Na agenda presidencial, a previsão é que Lula embarque direto para o Paraná, após deixar a região metropolitana de Belo Horizonte.

Começou o combate final. Na reta de chegada das eleições, os candidatos estão em pé de guerra. Propagandas irregulares, pesquisas sem registro e sem credibilidade e boatos estrategicamente plantados correm à solta durante a campanha. Na briga pelo voto não se respeita nada. A legislação que a Câmara Municipal aprovou dando mais rigor à propaganda eleitoral não é respeitada nem mesmo por quem ajudou a aprová-la. No fim de semana passado, por exemplo, cabos eleitorais de um vereador candidato à reeleição foram para as ruas com bandeiras, o que está proibido. Pelo correio eletrônico circula pesquisa que aponta um eventual ranking dos candidatos a vereador mais citados. E onde tem um punhado de eleitores, as intrigas direcionadas aos adversários correm soltas.
Jingles
Outro recurso que tem aparecido com freqüência nessa reta final de campanha é a utilização de músicas conhecidas na produção dos jingles de campanha. A fórmula é antiga: pegue-se um ritmo popular, alterem-se os versos e acrescentem-se os dados do candidato. O detalhe é que a exploração da música requer a autorização do autor compositor e o pagamento da taxa do Ecad, medidas essas que, provavelmente, muitos candidatos não estejam respeitando.
Nepotismo
A Prefeitura de Uberlândia começou nesta semana a exonerar os parentes de agentes políticos que ocupavam cargos em comissão no Executivo. Na primeira leva foram 12 exonerações, conforme decretos publicados no “Diário Oficial do Município” da segunda-feira passada. Ao todo, 23 pessoas na Administração Municipal que têm algum grau de parentesco ou afinidade com secretários, vereadores e que foram contratadas sem concurso para cargos de confiança, segundo levantamento do Ministério Público, terão que deixar os postos. Na Câmara, são 15 parentes. Boa parte já saiu.
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Os eleitores que tiveram o título extraviado, perdido ou roubado têm até amanhã — 10 dias antes do primeiro turno das eleições municipais — para solicitar à Justiça Eleitoral a segunda via do documento. A apresentação do título de eleitor não é necessária no ato da votação. Basta levar um documento oficial de identificação (carteira de identidade, de trabalho ou de motorista). Mas a falta do título para os cadastrados na Justiça Eleitoral gera dificuldade de localização da seção para os eleitores que não sabem onde votam. Neste caso, o eleitor pode se informar no Cartório Eleitoral que, em Uberlândia, fica na avenida Fernando Vilela, 2.030, e funciona das 12 às 19h, inclusive no próximo sábado e domingo. É importante lembrar ainda que, sem o título, o leitor ausente de seu domicílio eleitoral não consegue fazer a justificativa nos Correios.
Propaganda é a alma dos governos
Alguém pode até dizer que as propagandas de governo são quase inocentemente uma forma de mostrar que a administração está trabalhando, mas isso a população pode perceber por meio da melhoria da qualidade dos serviços públicos e da qualidade de vida, por exemplo. Na verdade, as administrações não confiam só no trabalho como forma de se vender, de se expor politicamente. Diante disso, a publicidade sempre demanda altas cifras. Em um ano, a Presidência da República extrapolou em R$ 37 milhões a estimativa de gastos com as três principais agências de publicidade contratadas pelo governo. A previsão era gastar R$ 150 milhões de março deste ano a março de 2009, mas as despesas devem totalizar R$ 187,5 milhões.
Disputas eleitorais já causaram 14 mortes
A exacerbação política, mais comum em cidades de pequeno porte, onde as relações são mais próximas e os interesses mais intensos, provocou pelo menos 14 assassinatos até ontem só na atual disputa eleitoral. Só no Estado do Pernambuco foram cinco mortes. Do total, três eram candidatos a prefeito, um a vice-prefeito e 10 pretendiam se eleger ou reeleger vereador. O homicídio mais recente foi na segunda-feira, em Araguaiana (MT). Evânio Paulino Feitosa concorria à Prefeitura da cidade e foi morto com dois tiros. No sábado, o candidato a vereador Fernando Luiz de Melo, de Saloá (PE), foi executado, após um comício, com um tiro na nuca, na frente do filho de 17 anos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não tem um número oficial de candidatos assassinados no País.

O governador mineiro Aécio Neves (PSDB) está fazendo uma série de viagens com o objetivo de reforçar o partido tucano e, de carona, seu nome, fora do roteiro Minas, Rio e São Paulo. Prova disso é sua agenda política no Nordeste, região onde o presidenciável já afirmou que o PSDB precisa ser fortalecido. Na sexta-feira, dia 26, Aécio estará em Campina Grande (PB), de onde seguirá para o Recife e outras três cidades do Pernambuco. No sábado, o governador visitará redutos eleitorais tucanos em Fortaleza (CE). É 2010 que se aproxima!
Reprise de programas eleitorais gratuitos
Os candidatos ao cargo de vereador em Uberlândia estão tendo mesmo que gastar sola de sapato para conquistar eleitores. Sem o apelo visual da propaganda em muros em outdoors — o que gerava uma impressão de campanha maciça e forte para aqueles que levavam seu nome e imagem ao maior número de lugares —, desta vez, o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV seria um importante meio de acesso ao eleitorado. No entanto, os partidos e coligações estão pecando pela não-renovação dos programas veiculados duas vezes por dia. Algumas mensagens parecem ser as mesmas que os telespectadores ouviram no primeiro dia da campanha, em 19 de agosto. Há quem defenda que a repetição de um nome ou marca é uma forma de se fazer ser lembrado. Será que isso vale para as disputas eleitorais?
Custo seria obstáculo para as regravações
Se para muitos eleitores não é fácil parar em frente à TV ou dar ouvidos ao rádio durante os horários eleitorais, ouvir mensagens repetidas dezenas de vezes torna-se mais desinteressante. Legalmente, os candidatos ao Legislativo têm o mesmo direito que os concorrentes à Prefeitura. Ou seja, podem renovar os programas eleitorais quantas vezes quiserem. O obstáculo, segundo alguns candidatos, é o custo de cada produção. As campanhas aos cargos proporcionais também estariam sendo meio esquecidas pelos partidos e coligações, que têm maior foco nas disputas à cadeira do Executivo. Com mais esta limitação, os concorrentes ao Legislativo têm que redobrar a criatividade e ainda correr contra o tempo na luta por mais votos. Só resta esperar 5 de outubro para ver quem conseguiu, a seu modo, mandar o recado.

Se havia algum acordo entre PT e DEM de união para um eventual segundo turno caso apenas um dos partidos seguisse na disputa municipal, esse acordo terminou ontem. Em seu programa eleitoral gratuito da televisão, o candidato democrata João Bittar partiu de vez para o ataque. Bittar atribuiu a um concorrente a autoria de boato que corre pela cidade de que ele, Bittar, teria desistido da campanha. O coordenador da campanha democrata, João Bittar Neto, confirmou à Coluna que a suspeita recai sobre Weliton Prado e afirmou que não haverá parceria caso haja segundo turno. “Não vamos mais seguir com o PT em hipótese alguma, em momento algum”, disse.
Sem acordo
Ao contrário do que havia se cogitado antes do início da campanha, João Bittar Neto afirmou que nunca houve acordo de união para um eventual segundo turno. O que houve, disse, foi uma “possibilidade de acordo” que não chegou a ser concretizada. “O que tinha era uma conversa para que a oposição lançasse apenas um candidato. Esse era o acordo. Mas, a partir do momento que eles descumpriram isso, o nosso acordo deixou de existir”, disse Neto. Ele se referiu à candidatura do senador Wellington Salgado, lançada pelo PMDB, e posteriormente o recuo em favor de outra candidatura, a do PT, encabeçada por Weliton Prado. João Neto garantiu que tudo que se comenta a respeito da candidatura democrata é mero boato e que “vamos seguir na disputa até o final”.
Perflexidade
Na coordenação de campanha do PT, a reação do candidato democrata foi recebida com “espanto”, “surpresa” e perflexidade. “Estou perplexo até agora”, disse um membro do Grupo de Trabalho Eleitoral, o GTE, afirmando que o partido não é responsável por nenhum boato a respeito do adversário. Outro assessor de campanha garantiu que “o boato não partiu da gente”. “Isso [os reflexos do boato] não nos interessa de maneira nenhuma”, disse. De fato, as circunstâncias apontam que um rompimento entre candidatos que eventualmente se uniriam em um segundo turno tem como maior prejudicado o concorrente que hoje tem melhores chances de seguir adiante na disputa, segundo pesquisas publicadas até agora.

Comentário de um vereador candidato à reeleição numa rodinha íntima dia desses: “Vamos nos preocupar com a próxima [eleição] porque essa já está ganha”.
Saiu do ar
O candidato a prefeito de Uberaba Adriano Espíndola (PSTU) surpreendeu jornalistas e telespectadores ao abandonar o estúdio da Rede Integração, em Uberaba, em plena entrevista ao vivo no jornal MGTV 1a Edição. O candidato reclamava da emissora pela não transmissão da propaganda eleitoral gratuita dos candidatos da cidade, quando foi advertido pela apresentadora a se limitar ao conteúdo da entrevista, caso contrário, teria o microfone cortado. Espíndola nem esperou outro aviso. Levantou-se e deixou o estúdio.
Geradora
Em Uberaba, a Rede Integração transmite o programa eleitoral dos candidatos de Ituiutaba, onde fica a geradora. Situação semelhante acontece em Uberlândia, onde a TV Vitoriosa também é obrigada a levar ao ar os programas dos candidatos de Ituiutaba. A legislação eleitoral determina que os programas transmitidos sejam dos candidatos do município onde fica a geradora do sinal. Esse tipo de situação gera insatisfação a candidatos e eleitores a cada quatro anos. Mas, como é lei, as emissoras têm que conviver com as reclamações.
Campanha antecipada
Outra unidade da Rede Integração, em Araxá, enfrenta o mesmo problema em ano de eleição municipal. Por ser a geradora do sinal, a cidade do Alto Paranaíba transmite o programa dos candidatos locais, que aparecem na telinha de cidades do Centro Oeste, a menos de 100 quilômetros de Belo Horizonte, como é o caso de Itaúna. Enquanto uns reclamam, outros aproveitam o espaço na TV. Para candidato esperto, essa “brecha” legal serve como suporte para uma futura candidatura a deputado.

A repercussão gerada com a dobradinha PT—PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte neste ano ainda vai longe. No diretório estadual petista ainda há uma divisão bem evidente, enquanto no tucanato mineiro a resistência é cada vez menor. Tanto, que já há fumaça se espalhando na direção de 2010. Enquanto um lado tenta evitar que os focos se alastrem, o outro tenta manter as chamas acesas. Nesta semana, durante um evento de campanha em Brumadinho, próximo à região metropolitana de Belo Horizonte, o prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT), fez caminhada ao lado do deputado federal Nárcio Rodrigues (PSDB). Os dois foram apoiar o candidato a prefeito da cidade, cuja chapa reúne o PT e o PSDB. Lá, ao contrário de BH, a união foi formal. O candidato a prefeito é do PSDB e a candidata a vice, do PT.
Entre tapas e beijos
Segundo um assessor que acompanhou toda a atividade em Brumadinho, enquanto a comitiva caminhava na companhia dos candidatos, surgiram faixas pelo caminho sugerindo uma chapa para a disputa do governo mineiro em 2010. Os correligionários defendiam Fernando Pimentel para governador e Nárcio Rodrigues, para vice-governador. Não é a primeira vez que tal demonstração de apoio à dobradinha PT—PSDB foi estampada em público. Desde que parte dos petistas bateu o pé em Belo Horizonte para manter o apoio dos tucanos na chapa em Belo Horizonte, cresceram as manifestações de continuidade da parceria. A ala resistente também não perdeu fôlego. Sinal de que o assunto vai romper as eleições deste ano.
Dilema
Os defensores de uma chapa que reúna PT e PSDB na disputa do governo de Minas em 2010 terão pela frente algo mais do que a mera resistência interna. Talvez o grande dilema seria: como fechar uma parceira no Estado se, no plano federal, PT e PSDB terão candidatos à Presidência da República? Aécio Neves, que foi um dos articuladores da dobradinha em BH, já está em campanha para 2010. E Lula já demonstrou preferência por sua ministra Dilma Rousseff.
*walace@correiodeuberlandia.com.br

Considerado o político de maior expressão no PT de Uberlândia, o deputado federal Gilmar Machado ainda não apareceu no programa do candidato a prefeito do partido, Weliton Prado. Lá se foram mais de dois meses de campanha e até agora, nem uma caminhada, uma citação no horário eleitoral gratuito da TV ou do rádio. Nem sequer apareceram no mesmo santinho. Quem acompanha o cenário político sabe que existem dois PTs dentro do diretório uberlandense. A situação atual pode ser um reflexo da eleição de 2004. E, também, do pós-eleição.
O pai da criança
A participação de Gilmar Machado no programa de Weliton Prado é um dos assuntos em destaque no diretório petista desta semana. O deputado concordou em declarar apoio à candidatura do companheiro petista, mas pediu para que as condições de sua participação sejam discutidas pelo GTE, o Grupo de Trabalho Eleitoral, responsável pela coordenação da campanha. Segundo fontes, Gilmar Machado acha importante que sua mensagem não seja simplesmente uma declaração de apoio, mas também destaque sua atuação parlamentar voltada para Uberlândia. Resumindo, Gilmar quer deixar claro que os recursos do governo Lula, conforme ressaltados pelo candidato petista em seu programa, vieram para a cidade muito em função de sua intervenção e empenho.
Ligações perigosas
As condições da participação do deputado no programa do PT ainda não foram acertadas. O deputado espera uma confirmação do candidato e do próprio GTE. No entanto, há algumas ressalvas. Enquanto Weliton Prado tem adiado a presença do parlamentar em seu programa, seu principal adversário não perdeu tempo. Odelmo Leão (PP) já mencionou por mais de uma vez em seu programa o nome de Gilmar Machado como intermediador de alguns projetos em andamento na Cidade. Aliás, a aproximação de Gilmar Machado com o prefeito sempre foi vista com resistência dentro do diretório municipal do PT. Enquanto o deputado manteve, nesses últimos quatro anos, o discurso de que “trabalha para a cidade”, independente da questão partidária, parte do PT vê essa relação como uma certa traição. Entende que o deputado deveria fazer papel de oposição. O detalhe é que, com ou sem a presença do deputado, o programa eleitoral do PT tem buscado sustentação na mesma fonte que o parlamentar: o governo federal.