Sabe uma coisa que me faz sentir velho, mesmo com apenas 32 anos de idade? As músicas. Quando a maioria absoluta das canções que você mais ouve e de que gosta foi lançada há mais de uma década, é porque a coisa está feia. Li em algum lugar que a gente tem um limite de idade para ser receptivo a novos sons, cheiros, sabores etc.
Não sei qual era o limite para a música, mas creio que não passava dos 30. Será que estou ficando velho demais? Por que será que não consigo mais gostar dos lançamentos?
Pensando bem, a coisa é pior do que eu imaginava. Não suporto as FMs com os novos hits, mas também não agüento mais ouvir as mesmas vozes: Legião Urbana, Titãs, Kid Abelha, Led Zeppelin, Queen, Beatles, Elis Regina, Pink Floyd, Janis Joplin, Rolling Stones e por aí afora. Deu pane no meu ouvido! Às vezes, passo semanas sem prestar atenção a canção alguma, fato que não faz bem a ninguém. O ser humano precisa de música para não desumanizar. Continuo me perguntando: o que será que está errado? Será que realmente estou ficando velho?
Pensei e pensei, procurando uma luz no fim do túnel. Que estou ficando velho, disso não há dúvidas, como não há dúvidas de que meus ouvidos não são mais tão receptíveis a novos sons como eram há quase duas décadas. Mas, há outras explicações. A principal delas é que realmente estamos em uma fase de pouca criatividade musical, na qual o ritmo dominante – o sertanejo – é justamente um ritmo que consigo ouvir mais do que duas ou três músicas seguidas. Nada de preconceito, só não sou fã. Aliás, até o sertanejo anda pouco criativo, com muita regravação. Por outro lado, o estilo musical no qual foram moldados meus ouvidos, o pop/rock principalmente dos anos 1980, não se renovou e hoje é representado por bandas zumbis que não conseguem fazer nada de interessante além de regravarem o que ninguém mais agüenta escutar.
E eu na mesma, naquele blackout musical. Foi então que liguei o rádio e estava tocando uma música do Nando Reis, em que ele pedia desculpas por estar um pouco atrasado e coisa e tal. Depois, tocou outra em que o Samuel Rosa poeticamente dizia: “Sou do seu tempo um retrato, quando meu sonho era todo seu”. Na mesma hora, pensei que deveria comprar o novo álbum do Skank e que deveria ir ao show do Nando Reis. Fui ao show. Muito bom! Pena que o som estava péssimo, mal equalizado, prejudicando o desempenho do cantor e da banda. Mas valeu, pois naquelas quase duas horas eu percebi que realmente estou ficando velho, mas o copo aqui ainda está meio cheio, não meio vazio. E que ainda há alguma coisa boa e nova para se ouvir, para não me deixar desanimado, que não preciso viver só de flash-backs. Graças a Deus!