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Papo Geraes







25-10-2008


Pelas esquinas da vida



Os cruzamentos das avenidas, especialmente os das vias movimentadas das grandes cidades estão se tornando os shoppings da vida. Ao ar livre, sem pagar imposto e quase sempre sem autorizações formais se vende e se oferece de tudo.
Folheto de sex shop com amarração do amor. Cartão de visita oferecendo gado nelore para quem sabe que no local não vai encontrar exemplares de 4 patas, mas gado de outra "plumagem". Entregadores distribuindo, ao mesmo tempo,  folhetos de empresa querendo comprar móvel usado com quem quer vender carro novo. Garçom oferecendo pão de queijo, vendedor sorridente servindo a comodidade de  suco gelado no trânsito quente. Carregador de celular, suporte de pára-brisa, frutas para todos os tipos e gostos. Dos mais exóticos aos mais simplórios.

Portadores de necessidades especiais vendendo chiclete. Malabaristas fazendo show. Pedintes humildes esmolando. Doentes expondo suas moléstias e solicitando ajuda. Bêbados aborrecendo com argumentos sem nexo.
Pedintes agressivos com placas cobrando donativos. Exposição e venda de móveis rústicos, pufs e outros apetrechos decorativos e ornamentais. Também nas esquinas das nossas cidades, assistimos à grosseria de motoristas desrespeitando as normas do trânsito. Furando filas, ultrapassando de qualquer maneira, atravessando o sinal. Para nossa tranqüilidade nos horários de pico muitas vezes, também, têm guardas para assegurar que as pessoas se comportem como deveriam sem precisar nunca de quem as vigiasse.

Ah! e tem o time dos carros de som alto em que o volume atinge não só nossos tímpanos, mas nossos corações que batem exaustivamente ao som estridente que irrita, incomoda e aborrece. E tem também a época dos trotes em que um novo incômodo é adicionado, com veteranos obrigando os calouros a se aventurar, perigosamente, por entre veículos para recolher dinheiro para que quem está quase formando possa gastar com bebidas e outras finalidades.

Tem sinaleiro que, além disso tudo, ainda tem o radar cruel com uma lógica meio ilógica de registrar em que fase do amarelo somos ou não punidos. E de noite, quanto mais ela avança, avança também o medo do assalto, da abordagem, do risco da bandidagem...

As esquinas de nossas avenidas lembram um pouco as esquinas da vida, misturando realidade com ilusão. Verdade com sonho. Trazem o vermelho do medo, o amarelo do alerta e o verde que felizmente é a nossa sentença de que conseguimos sobreviver ilesos de mais uma batalha dentre tantas que diariamente enfrentamos...





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ANDERSON NEGRETTO
27-10-2008
Caro Celso Machado, você esqueceu dos limpadores de para-brisa que são encontrados facilmente em grandes cidades como São Paulo, Brasilia, Belo Horizonte e que já podem ser vistos na grande Uberlânda, parabéns pelo artigo, Pelas Esquinas da Vida.




Luiz Fernando Greco
29-10-2008
Os comuns que circulam nos ônibus, não são "incomodados" pelos comerciantes do sinaleiro. Os motorizados cujos veículos possuem ar condicionado também não são incomodados visto que não se dão ao trabalho de abrir as janelas. A noite saem os vendedores e entram os assaltantes, simples alteração da cobrança social, que nossa elite "mui civilizada" insiste em não perceber. Conseguem organizar manifestação contra tributos com ceia farta no The House, é pra rir ou chorar? Escolas profissionalizantes seriam uma ótima saída para esses intrépidos brasileiros excluídos por nós, os bons da elite uberlandense!










18-10-2008


A arte de aplaudir



Dentre os vários dons com que o ser humano foi aquinhoado, certamente um dos mais nobres é o da capacidade de admirar, de reconhecer o mérito do outro, de aceitar e valorizar o talento de quem verdadeiramente tem.
Porque o fato de uma pessoa se deixar tocar e apreciar um gesto ou atitude, de comportamento, de arte, de ousadia, de competência, ou seja lá do que for, a credencia a receber futuramente a mesma manifestação de apreço que emitiu.
Por outro lado, muitas pessoas têm uma enorme dificuldade de apreciar, reverenciar, elogiar. Como se o reconhecimento fosse uma fraqueza que diminuísse o valor de quem o pratica. São egoístas insensíveis que não negam apenas aos outros o merecido aplauso de seus gestos, mas acabam tolhendo a si mesmos de se deixarem sentir a emoção do momento, da situação.

Outros chegam ao cúmulo de buscar algum defeito, seja lá qual for, na aspereza crítica de reduzir o mérito de quem está momentaneamente em evidência.
Tristes pessoas que perdem o melhor do espetáculo que é saber apreciá-lo, de contribuir com a sua admiração para torná-lo ainda mais exuberante e grandioso.
Penso que a pessoa que tem a sensibilidade de se emocionar e de manifestar sua admiração acaba tendo tanta relevância quanto quem está se apresentando. Ela é parte tão ativa do espetáculo quanto eles. Porque é a platéia que complementa a obra do autor e a performance dos atores.

Portanto, apreciar é um dom tão significativo quanto a capacidade criativa e, às vezes, até mesmo maior. Porque muitos criadores se limitam à determinada quantidade de obras, em determinados períodos de suas vidas, e quem aprecia não tem limite para sua contribuição. Apreciar é uma arte inesgotável.
Acredito, sinceramente, que quem tem a capacidade de se deixar emocionar está fazendo um bem danado a si próprio. Porque está acrescentando a sensibilidade do outro no refinamento da sua. Crescendo e construindo.
Felizes daqueles que ao final do espetáculo fervilham o sangue das mãos no gesto repetitivo do aplauso, porque estão aquecendo igualmente a sua condição de pessoas sensíveis, generosas e bem resolvidas consigo mesmas.





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11-10-2008


Fotógrafo de palavras



Publicar um livro é sempre um sonho para quem escreve. Mesmo o autor não sendo um escritor, apenas um fotógrafo de palavras. Que usa o ângulo da sensibilidade para tentar registrar em textos as emoções que as pessoas, nos seus diferentes relacionamentos, lhe despertam.

Tive a oportunidade de realizar o primeiro, de uma forma quase que artesanal reunindo 40 crônicas em 1974 sob o título "Um rosto junto à janela". Trinta e quatro anos depois, por iniciativa do meu amigo e colega Cícero Domingos Penha e apoio da Unialgar aconteceu o segundo.

"Quando o assunto é gente" reúne 86 crônicas pacientemente selecionadas pela Adriana Chuffi ligadas aos aspectos dos relacionamentos humanos nas organizações e na vida. Com apresentação de Cícero Domingos Penha, o livro foi diagramado pela FabraQuinteiro, revisado por Ana Cristina Neves, editado pela Livraria Cultura e tem depoimentos do dr. Luiz Alberto Garcia, Mário Grossi, Maurício Ricardo, Eugênio Thomé, Jaime Troiano, Paschoal Fabra Neto e do teólogo de saudosa memória Arthur Hyppólito de Moura.

Na maravilhosa festa de terça-feira passada na Unialgar tive ainda a honra de compartilhar o lançamento com o excelente e atual livro "Atitude é querer" de autoria de Cícero Penha. Seguido de um descontraído bate-papo conduzido pelo amigo comum, Maurício Ricardo Quirino.

O resultado da expressiva venda foi integralmente doado ao Hospital do Câncer em Uberlândia, o que proporcionou outra grande alegria para todos nós.

Não posso deixar de confessar que um acontecimento desses provoca um peso enorme na vida da gente. Pesa o fato de ver um punhado de crônicas reunidas e publicadas de uma forma tão organizada que parece um livro de escritor de verdade. Pesa fazer um lançamento num evento de gala de uma expressiva universidade corporativa. Pesa ver na platéia sua família, seus parentes, colegas e amigos. Pesa ver pessoas numa fila que se estendeu por mais de duas horas, pacientemente aguardando para colher uma singela dedicatória.

Pesa saber que lançando um livro, talvez muitas pessoas que você não conhece e muitas que nunca vai chegar a conhecer podem ter contato com suas idéias, seus pensamentos, suas visões.
Pesa saber que um jornal do porte e prestígio do nosso CORREIO, semanalmente, abre espaço para as idéias de um fotógrafo de palavras. Pesa, sobretudo, para quem tanto escreve, não ter aprendido ainda como agradecer tanto carinho, atenção e gentileza...





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04-10-2008


O grande desafio de Uberlândia



Neste domingo, Uberlândia tem um compromisso bastante sério com seu futuro. Seus eleitores estarão decidindo em que mãos estarão entregando o comando da cidade, tanto do Executivo, quanto do Legislativo.
É o cidadão uberlandense sendo avalista daqueles que estarão decidindo, em seu nome, para onde e como Uberlândia estará seguindo nos próximos quatro anos. E claro, com desdobramentos para outros períodos pela frente.
Tamanha responsabilidade deve nos levar a refletir sobre o que pretendemos para o futuro da nossa gente, da nossa cidade.  Votar no candidato pela sua competência, idoneidade e qualificação e não em função de parentesco, amizade, simpatia ou interesse.

No caso do prefeito, a escolha se reveste de um significado maior ainda, pois seu papel na condução dos rumos de Uberlândia é incomparavelmente mais relevante.

O eleito, seja ele quem for, dentre tantos desafios terá um que não tem sido mencionado, mas que está se tornando urgente: desenvolver o sentimento de pertença entre seus habitantes.  A observação aqui não é referente às pessoas de fora que escolheram Uberlândia para viver e a ela se integraram de corpo e alma. Estas, pelo contrário, exercem o mais autêntico dos sentimentos em relação a uma cidade, o amor pela escolha.

O esforço é sensibilizar aquelas que ficam aqui por um tempo, mas não se sentem co-responsáveis pelo que acontece na cidade. Que olham o benefício transitório e não o do desdobramento em relação ao futuro de Uberlândia.
Porque acabam dividindo Uberlândia em duas. Uma Uberlândia de cidadãos que verdadeiramente se integram a ela e outra daquelas que passam pela cidade, mas não se envolvem com ela.

Não se tornam seus cidadãos, mas suas moradoras temporárias. E que em determinadas circunstâncias tomam decisões que vão interferir profundamente na vida da cidade e, por conseqüência, naqueles que vão continuar vivendo nela.
A eleição deste domingo traz uma expectativa além do que eleger este ou aquele       candidato.  A torcida maior é que nesta eleição prevaleça a decisão de quem verdadeiramente está ligado ao melhor para nossa cidade e sua gente.  Para que elejam quem queira servir Uberlândia, e não quem quer Uberlândia para se servir dela...





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