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Frente e Verso







26-10-2008


Humildade



O deputado federal João Bittar Júnior (DEM) deu uma demonstração de humildade e amadurecimento ao declarar apoio nesta semana ao prefeito Odelmo Leão (PP). Soube reconhecer a incontestável liderança de quem foi reeleito com praticamente 60% dos votos e mostrou disposição para recomeçar sua trajetória política enfraquecida com uma votação abaixo de 6%. Além de se oferecer como representante da cidade em Brasília, garantiu que o filho Estevão, eleito vereador, integrará a bancada de sustentação de Odelmo na Câmara.

Estratégia

O que deixou dúvida foi a justificativa para o apoio ao prefeito. Na entrevista exclusiva ao editor de Política do CORREIO, Walace Torres, Bittar disse: “Passadas as eleições temos que trabalhar pela cidade”. A pergunta: por que o deputado não teve a mesma atitude ao final das eleições de 2004 quando foi derrotado no segundo turno pelo mesmo Odelmo Leão? Na mesma entrevista, Bittar declarou: “Como eu fui para o segundo turno, entendi que o prefeito deveria conduzir as ações com liberdade. Fui me dedicar ao projeto social que fundei há 25 anos”. A justificativa do deputado permite reflexão. Ao que parece, Bittar teve uma atitude de afastamento do prefeito no primeiro mandado porque a estratégia era disputar a eleição em 2008, como de fato aconteceu. Uma aproximação a Odelmo inviabilizaria o projeto de tentar novamente a Prefeitura, uma vez que o prefeito sempre manifestou a intenção de disputar a reeleição. Agora, como Odelmo não pode ser candidato em 2012 e o grupo que o apóia não dispõe de muitos nomes para tentar continuar com o poder municipal, Bittar poderia se apresentar como alternativa.

Sonho

Como saiu enfraquecido da disputa deste ano, João Bittar não fez nenhuma exigência para emprestar o apoio ao prefeito. “Em momento nenhum discutimos participação no governo. O que queremos é contribuir com ações que beneficiem a população de Uberlândia”, disse. Ao que parece, deverá fazer um trabalho para reconquistar a confiança do prefeito, do grupo que o apóia — do qual fez parte no passado —  e principalmente de lideranças históricas do antigo PFL. Se tudo der certo, pode pintar uma terceira oportunidade daqui a quatro anos como candidato da situação. Na pior das hipóteses, garantiria a manutenção dos recursos municipais destinados às obras sociais que administra e ainda pode receber algum apoio na campanha para deputado federal em 2010. Quem sabe até apoio para lançar o filho mais velho, João Bittar Neto, como candidato a deputado estadual.

Marketing

As assessorias de comunicação instituíram o que pode ser chamado de técnica da multiplicação dos recursos. Convoca-se uma coletiva em nível nacional para divulgar a liberação de recursos. Faz parte da estratégia detalhar a destinação, porque boa parte normalmente é destinada a custeio, ou seja, não se trata de dinheiro novo. Por efeito cascata, os governos dos estados e dos municípios convocam coletivas regionais para divulgar os mesmos recursos. Um exemplo prático foi a divulgação em Belo Horizonte da liberação de R$ 145 milhões para a saúde. Deste total, mais de R$ 10 milhões virão para Uberlândia, dos quais R$ 9,3 milhões estão destinados ao setor de nefrologia. Tudo muito bom não fosse o fato de o mesmo setor ter no orçamento atual mais de R$ 9 milhões para custeio. Ou seja, o que vem de recurso novo não chega a R$ 300 mil e também será usado para as despesas básicas. Menos de 3% de aumento e nada de investimento.





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19-10-2008


Aprendendo com a derrota



O deputado estadual Weliton Prado (PT) não levou a eleição para o segundo turno, mas conseguiu mais de 33% dos votos válidos, 107.922 mil eleitores para ser exato. Elegeu o irmão caçula Gilmar (PT) e ajudou a colocar a irmã Liza Prado (PSB) no topo da lista dos mais votados com mais de nove mil votos para vereador. Do ponto de vista da própria carreira, ganhou mais do que perdeu. O prejuízo maior pode ser dentro do próprio PT. Como fez uma campanha personalista sem o envolvimento de todo o partido — leia-se, principalmente, os aliados do deputado federal Gilmar Machado — mostrou que para sonhar mais alto terá que rever o perfil trator que o levou a dominar o diretório local. Deve ter aprendido que para sair do universo legislativo para o executivo terá que se tornar um líder de todos. Para isto precisará ceder poder às outras alas. Uma alternativa seria negociar o apoio de Gilmar Machado a uma eventual candidatura ao Senado e, em troca, apoiar o colega deputado federal numa eventual candidatura a prefeito em 2012. Assim o PT de Uberlândia marcharia unido, coisa que não acontece há anos. Mas a julgar pelas repercussões da semana envolvendo o deputado Gilmar Machado e a direção do PT, anda longe o tempo de paz e harmonia entre as tendências petistas. 

Estratégia equivocada

Passado o calor da disputa, os aliados do deputado Weliton Prado fizeram uma avaliação dos erros e acertos da campanha. Um acerto, sem dúvida, foi aliar a imagem do candidato à de Lula. Estratégia adotada nos quatro cantos do Brasil. O erro foi levar isto ao extremo, a ponto de o candidato delegar a futura gestão municipal ao governo federal. Ao menos foi o que transpareceu quando o candidato garantia a realização das promessas com base na garantia futura de algum ministro de Estado. Outro erro estratégico dos marqueteiros petistas foi criar uma embalagem descolada do perfil histórico do candidato. Para um sujeito de longas madeixas, sempre metido em uma camiseta vermelha, o terno engomado não colou. Tanto, que o próprio Weliton se mostrava desconfortável no figurino. No único debate da campanha isto ficou evidente. Investir na autenticidade poderia ter gerado melhor resultado. Claro que fazer uma análise após o resultado das urnas é fácil. Em todo caso, antes tarde do que nunca.
 
Cenário desanimador

O regionalismo mineiro está preocupado com os desdobramentos das eleições em Belo Horizonte e São Paulo. Explico: se as eleições fossem hoje e as pesquisas de opinião acertarem no segundo turno, o governador Aécio Neves (PSDB) teria uma dupla derrota. Primeiro o candidato do governador e do prefeito Fernando Pimentel (PT), Márcio Lacerda (PSB), perderia feio para o peemedebista Leonardo Quintão. Segundo o afilhado político do tucano José Serra, Gilberto Kassab (DEM), derrotaria a petista Marta Suplicy com facilidade. Saldo totalmente favorável a Serra, uma vez que Aécio apostou as fichas no colega Geraldo Alckmin, que nem sequer chegou ao segundo turno. Serra, que já é o principal nome tucano para 2010, está mais forte do que nunca. Neste cenário, restaria ao governador Aécio Neves algumas alternativas: ser vice numa chapa puro sangue, o que parece improvável uma vez que o PSDB deverá compor para se fortalecer. Tentar uma vaga no Senado e correr o risco de encarar Lula em 2014. Ou migrar para outro partido e concorrer com José Serra em 2010. Nada animador.





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12-10-2008


Bittar no prejuízo



Não há dúvida de que o grande derrotado das eleições deste ano em Uberlândia é o deputado federal João Bittar Júnior (DEM). Com pouco mais de 5% dos votos, a liderança de Bittar, que teve mais de 100 mil votos em 2004, está em xeque. Resta saber qual será a estratégia de recuperação para o futuro. Bittar sinalizou que pode voltar ao ninho do antigo Movimento Democrático de Uberlândia (MDU) que, no passado, reuniu PP, PSDB e o PFL, hoje Democratas. Se a opção for esta, significa que se contentará em ser coadjuvante do fortalecido Odelmo Leão, reeleito em primeiro turno com quase 60% dos votos. Neste caso, deverá, ao menos, manter o controle do DEM. Muitos atribuem o péssimo resultado nas urnas ao fato de o deputado não ter tido o apoio de um grupo forte. Para não dizer que foi só frustração neste ano, Bittar conseguiu eleger vereador o filho caçula Estevão Bittar. É pouco para quem esteve perto de ser prefeito.

Situação sem candidato

Além do deputado João Bittar, os tucanos e progressistas precisam começar agora a pensar no futuro. Para continuar no poder, o grupo terá que criar uma alternativa viável para disputar a Prefeitura em 2012. Até o momento, apenas o deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB) aparece como opção. É um bom nome, mas é fundamental ter mais uma ou duas cartas na manga. Primeiro porque, após oito anos no poder, há uma tendência natural de alternância de poder. Segundo porque a oposição, o PT para ser mais preciso, já tem dois nomes fortes: Weliton Prado e Gilmar Machado. Este último tem inclusive a simpatia declarada de Odelmo Leão. O que indica que o prefeito pode não fazer tanta força para ajudar o próprio grupo a construir alternativas internas.

Gilmar fora do PT

Muriel Gomes

Gilmar Machado

Já que o assunto é futurologia, quem sabe o deputado Gilmar Machado, sem espaço no PT local, não possa mudar de partido para disputar a Prefeitura com o apoio declarado de Odelmo Leão. Poderia, por exemplo, ir para o PSB. Neste cenário continuaria numa legenda de esquerda integrante do governo Lula. Claro que, antes de abandonar o partido que ajudou a fundar na cidade, tentará de todas as formas ocupar espaço no diretório ao ponto de garantir sua candidatura a prefeito. Se não for possível, uma possibilidade mais ousada seria uma transferência para o PMDB, que não tem nomes de peso para tentar voltar à prefeitura. Por esta alternativa, poderia até sonhar com uma candidatura que unisse todas as principais legendas contra o PT dos irmãos Prado. Assim, poderíamos ter um embate entre Gilmar e Weliton em 2012. Hoje parece absurdo. Parece!

Erros e acertos

Muito se falou nesta semana sobre os erros e acertos das pesquisas de intenção de voto. Sinceramente, em Uberlândia, não vi distorções como as registradas em Belo Horizonte ou São Paulo. Por aqui, nas três rodadas contratadas pelo CORREIO e TV Integração junto ao Ibope, o prefeito Odelmo Leão (PP) apareceu em primeiro com boa vantagem. Na última, cerca de 15 dias antes da eleição, Odelmo apareceu no limite da margem de erro para a vitória em primeiro turno. Realmente, a diferença em favor de Odelmo ficou acima da registrada na pesquisa Ibope. Por outro lado, uma margem perfeitamente possível de ser alcançada em 15 dias de campanha. Se considerarmos que o prefeito se saiu inegavelmente melhor do que o adversário no único debate das eleições, os números do dia 5 não são nenhum escândalo. De qualquer forma, esta eleição serviu para reforçar o que sempre é dito, mas muitas vezes não é assimilado, nem por jornalistas nem por candidatos. Pesquisa reflete apenas uma situação de momento. Como disse o ex-governador de Minas Magalhães Pinto: “Política é igual à nuvem. Muda o tempo todo”.

PT sai na frente

Numa análise das 26 capitais e os 53 municípios com mais de 200 mil eleitores, o chamado G79, o PT largou na frente neste primeiro turno. O partido do presidente Lula tem a faca e o queijo na mão para continuar sendo o maior partido nestas cidades. Vamos aos dados: o partido conta atualmente com 17 cidades no G79. No primeiro turno, a sigla já elegeu 13 prefeitos nesse universo. Está no segundo turno em outras 15 localidades. Pode, portanto, chegar a 28 cidades governadas. Em 11 primeiros turnos disputados pelo PT, o candidato da legenda obteve a classificação na posição de primeiro colocado. Em seguida, no G79 estão, empatados, PSDB e PMDB. Os tucanos e os peemedebistas já elegeram nove prefeitos no primeiro turno cada. No segundo turno também estão idênticos com 11 disputas.

O PT também foi o partido que mais elegeu vereadores nas capitais. A legenda terá representantes em 22 das 26 capitais, totalizando 79 vereadores. Seu melhor desempenho foi em São Paulo, onde conquistou 11 cadeiras, seguido por Porto Alegre (7), Belo Horizonte (6) e Salvador (6).





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