
No final de um giro de cinco dias por três continentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou, em Moçambique, que o mandato presidencial é curto para a realização de todos os projetos desejados por um governante. Lula defendeu o instituto da reeleição e explicou assim a defesa: “No Brasil, um presidente da República que quiser fazer uma hidrelétrica de 3 mil megawatts precisa de dois mandatos. Num você toma a decisão, vai atrás do licenciamento, depois vai para licitação. Daí o empresário que perde entra com uma ação, é mais um ano. Depois, o Ministério Público acha outra ação, e quando está tudo resolvido o Tribunal de Contas entra com outra ação. É mais um ano. Acabou o mandato e você não fez nada”. Belo e convincente defesa da reeleição! Se for sucessiva, por vários mandatos, melhor. Lula já disse que não aceita a terceira reeleição seguida, mas quem decide isto é o Congresso dominado por partidos da coalização que apóia o governo. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse há poucos dias que prepara um projeto de reforma política que enviará ao Congresso ainda neste ano. O projeto não fala em reeleição de Lula, mas nada impede que a bancada de um partido aliado ao governo formalize a proposição. Se o Congresso aprovar a terceira eleição sucessiva do “Cavaleiro”, ele poderá dizer, sem medo de ser feliz: “Se for para o bem do povo e felicidade geral da nação, aceito a decisão como missão a cumprir”. Vai ser lindo! A menos que a crise atrapalhe.
Sem sucessor
Os comandantes nacionais do PT e os estrategistas eleitorais que assessoram o Partidão concluíram, após as últimas eleições, que político popular admirado não transfere o prestígio que tem para ajudar a eleger peso pesado. Lula, nas eleições deste ano, apoiou e pediu votos para eleger vários “cumpanheiros”, mas o resultado, deu no que deu.
“Cumpanheiros”
A “cumpanheirada” sabe que no PT não há, neste momento e talvez não haverá em 2010, um nome com a popularidade e a capacidade eleitoral do “Cavaleiro da Esperança”, para disputar a presidência. Entregar o poder aos adversários, tucanos ou democratas, nem pensar. Então é preciso apostar em algum casuísmo para permanecer feliz e forte no poder.
Unificação
Se não for possível aprovar a terceira eleição consecutiva para o “Cavaleiro” em 2010, é melhor seduzir os deputados, senadores e governadores para prorrogar os mandatos até 2012. O argumento: promover a coincidência de todos os mandatos. O trono espera que a maioria dos parlamentares aprove a idéia. O povão, certamente, seguirá indiferente.

O prefeito Odelmo Leão já é um dos principais articulares em Minas da candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República. Em entrevista publicada ontem, neste jornal, Odelmo disse que “todos os políticos do Estado devem se envolver na campanha de Aécio Neves para demonstrar publicamente a importância da possibilidade de Minas ter um presidente da República. Para que isso possa acontecer, cada um deve deixar de lado as pretensões pessoais e as vaidades, em nome de um objetivo único a favor de Minas”. Declaração forte de quem já se encontra no centro de articulações no qual a candidatura do governador de Minas ao Planalto passa a ser construída com engenho e arte mineira. A vitória no primeiro turno, no terceiro maior colégio eleitoral do Estado, credenciou Odelmo a entrar para o seleto grupo político que discute o lançamento de candidatos à Presidência da República, governador e Senador. Odelmo já conversa com freqüência com Aécio e com os principais estrategistas políticos da situação estadual. O prefeito de Uberlândia trabalha em ações políticas para 2010, como participante ativo. O CORREIO informou que “Odelmo Leão terá um encontro com o governador na próxima semana para discutir a organização de um grupo que vai ouvir os partidos da base aliada e apoiar o nome de Minas Gerais dentro do PSDB nacional. O prefeito de Uberlândia será um dos líderes do grupo no Estado”. Odelmo Leão, para esta missão, precisa do apoio de todo o Triângulo Mineiro.
Sem surpresa
O prefeito reeleito de Uberlândia não tem muito o que fazer para tocar a administração municipal. Os projetos de obras e serviços continuam. Na educação, ele já se prepara para viabilizar uma ação pioneira: a introdução de ensino profissional nas escolas municipais para estudantes de 4ª a 8ª séries. Iniciativa pioneira no Brasil.
Rotina rotineira
Quanto à reestruturação administrativa, nada de excepcional. Apenas desmembramentos de secretarias e adequação operacional. Certamente haverá espaços para representantes dos partidos que colaboraram na eleição e para o DEM que recém aderiu à base da Administração Municipal. Odelmo Leão terá tempo para dedicar-se às articulações políticas em Minas.
Visão do futuro
A situação política de Uberlândia se prepara para uma possível renúncia de Odelmo Leão daqui a dois anos, para disputar um cargo nas eleições de 2010. Por exemplo: governador, vice-governador ou senador. O cenário político estadual indica um desfecho dessa direção. O dr. Aristides de Freitas que se prepare para conduzir o barco até 2012.

A duplicação da rodovia BR-365, de Uberlândia até o Trevão em Monte Alegre de Minas, começará no ano que vem e já conta com uma dotação orçamentária de R$ 225 milhões. A informação foi dada na segunda-feira passada pelo deputado federal Gilmar Machado, vice-líder do governo no Congresso Nacional. O parlamentar fez o anúncio, na Aciub, diante de diretores da entidade e de pequenos e micro-empresários da cidade em uma ação do Programa Empreender (reunião de empresários para discutir problemas comuns).
O parlamentar também informou que, para a BR-050, ele indicou no Orçamento de 2009 R$ 195 milhões para duplicar as pistas de rolamento de Uberlândia até o Trevo de Caldas Novas, no município de Araguari. Essa obra, para a população regional, é importante para reduzir os acidentes nesse trecho de estrada, cujo movimento aumenta de um ano para outro.
O representante de Uberlândia no Congresso informou também que do projeto de orçamento da união para 2009 consta uma verba de R$ 26 milhões para custear a ampliação do Sistema de Armazenagem da Conab em Uberlândia — serviço de suporte para a produção agrícola regional.
Ainda segundo o deputado, o governo federal vai liberar R$ 10 milhões para manter ativas as obras do anel viário de Uberlândia e mais R$ 40 milhões para obras no sistema viário da cidade, com destaque para um viaduto que ligará a avenida Raulino Cotta Pacheco ao bairro Roosevelt e ao Distrito Industrial, por onde passará um corredor expresso de ônibus.
Ensino profissional
O prefeito Odelmo Leão lançou um projeto novo na área da educação. Pretende promover iniciação profissional nas escolas municipais para estudantes de quarta à oitava séries do ensino fundamental. A proposição foi apresentada segunda-feira passada diante de educadores, dirigentes do Sistema S (Senar, Senac, Sesi e Sebrae) e líderes empresariais.
Idéia nova
Segundo o prefeito, “a idéia é nova e não interfere no ensino regular”. O prefeito, que pretende discutir a proposição com autoridades estaduais de ensino e especialistas em educação, espera ter apoio financeiro para criar em Uberlândia um modelo de iniciação profissional que, no entender dele, servirá para despertar vocações profissionais desde a infância.
Iniciação
Para o custeio do projeto voltado para o mercado, o prefeito espera apoio do governo do Estado, da União e da iniciativa privada. Para Odelmo, só a educação permite promover desenvolvimento sustentado e despertar vocações profissionais é um empreendimento importante para a promoção humana a partir da formação inicial na escola fundamental.

Em Uberlândia, na semana passada, um grupo de pressão da sociedade reuniu-se para debater aspectos da reforma tributária. Essa reforma foi proposta pelo governo no dia 28 de fevereiro deste ano, para desviar a atenção de agentes econômicos de algumas intenções e ações de quem manda no País. Não é reforma pra valer. É reforma para brasileiro ver, aplaudir e sonhar. É reforma daquelas que não ata nem desata, que vai, mas não vai. Na semana passada, uma fonte do Ministério da Fazenda, diante da crise econômica que chega sem pedir licença, disse que o governo revelou-se interessado em discutir a reforma tributária para desonerar investimentos produtivos. Sabem pra quê? Para financiar produção de bens econômicos e serviços e ajudar as empresas a segurar os empregos da Tigrada. Afinal, a “reforma” que interessa ao Venturoso e ao PT é a de 2010. O governo, nesta semana ou na próxima, deverá pedir ao deputado Sandro Mabel, relator do projeto da tributária na Câmara, para apresentar um “relatório realista” sintonizado com as dificuldades do momento. Bota dificuldade nisso! Após intensa negociação para contemplar pleitos de parlamentares, especialmente liberar emendas parlamentares, a reforma tributária poderá merecer aprovação como querem o governo e os governadores. O empresariado privado simplesmente nada poderá influir na decisão. Vai ser um festival de cinismo para a Tigrada deslumbrada que acredita em duendes luminosos aplaudir de pé. A Tigrada continua linda, vibrante e sonhadora.
Nó cego
O nó cego que o Congresso precisa desatar é este: “nenhum governador ou prefeito aceita perder receita”. A União não pensa em reduzir bondades para a Tigrada, nem despesas na máquina administrativa. Num ambiente como este, reforma tributária, só se for para aumentar a cobrança de impostos, taxas e contribuições. Reduzir carga tributária, nem pensar. Não mesmo!
Verdade absoluta
Na semana passada, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, disse ao “Diário de Notícias”, de Lisboa, que “é impossível promover-se reformas sem maioria absoluta no Congresso e sem pressão da sociedade”. Verdade absoluta. Na França, os franceses esperam, há 18 anos, que a Assembléia Nacional aprove a reforma tributária proposta pelo governo.
Virada em BH
No primeiro turno, Marcio Lacerda, do PSB-PT–Aécio, andou 12% atrás de Quintão. Quando esteve em BH, Odelmo Leão, recomendou ao coordenador da campanha, Virgílio Guimarães: “Mostrem as obras do prefeito, as do governador e digam que Lacerda tem apoio para continuar a “fazer mais”. Depois perguntem: “Mudar para quê”? Assim ocorreu e Lacerda virou o jogo!

Abro um espaço neste canto para contar parte da história do PMDB em Uberlândia. Escrevo com auxílio do peemedebista Eduardo Afonso.
Ainda no governo militar, o médico Zaire Rezende, de tradicional família uberlandense, deixou São Sebastião, cidade balneária paulista, e retornou a Uberlândia com um projeto em mente: fazer política no PMDB. Em São Sebastião, Zaire foi vereador da Arena, o partido da Revolução Militar. Trouxe na cabeça a idéia da “democracia participativa” fundamentada por teóricos do PMDB. Antes de Zaire, o saudoso Raul Belém, fundador do MDB em Minas, na época com os direitos políticos cassados, estimulou o empresário Ronan Tito a disputar uma cadeira na Câmara Federal pelo PMDB. Ronan foi deputado federal de 1979 a 1986. O PMDB elegeu Luiz Alberto Rodrigues, que ficou na Câmara Federal de 1987 a 1990, e Zaire Rezende, de 2001 a 2002. Zaire saiu para eleger-se prefeito Uberlândia em 1982. O PMDB representou Uberlândia na Câmara Federal por 16 anos. Para quem não sabe, o deputado federal Ronan Tito elegeu-se senador e atuou no Senado de 1987 a 1994. Foi líder do PMDB e chefe da comissão que negociou a dívida externa do Brasil no FMI. Ronan foi o relator do Estatuto da Criança e do Adolescente e muita gente não sabe. Hoje Wellington Salgado (PMDB), suplente de Hélio Costa, representa Minas no Senado. Para a Assembléia, o PMDB mandou Luiz Alberto Rodrigues, de 1979 a 1986, e Geraldo Rezende, de 1991 a 2002. Para a Câmara Municipal, elegeu, de 1976 a 2004, 33 vereadores. Em 2008 elegeu só um. O partidão passa por dificuldades neste momento, mas ainda é uma grande legenda. O líder máximo do PMDB local é o ex-prefeito Zaire Rezende, membro da Executiva Estadual e político respeitado no Diretório Nacional. Hoje Zaire Rezende representa Uberlândia e Minas Gerais no Conselho Político e Econômico da Presidência da República.
Memória municipal
O PMDB é um dos poucos partidos que, ao lado do PP de Odelmo Leão, têm história pra contar em Uberlândia. Aqui, o PMDB empunhou, pela primeira vez, a bandeira das “Diretas Já” contra a ditadura militar, contra a Lei de Segurança Nacional, contra o AI-5 e defendeu a Lei da Anistia, o Estado de Direito Democrático e a participação popular nas decisões de governo em todas as esferas do poder político.
Participação
É bom lembrar que os primeiros defensores da democracia participativa no Brasil foram os prefeitos: Dirceu Carneiro, de Lages (SC); Zaire Rezende, de Uberlândia, e João Hermmann, de Piracicaba (SP). Esses três políticos do PMDB se destacaram no Brasil como lutadores a favor do retorno do País à democracia plena. Isto foi no começo da década de 1980 quando o general Ernesto Geisel era presidente da República.
História da história
Em Uberlândia, o PMDB, com Zaire Rezende à frente, criou a Secretaria de Saúde, a Secretaria de Cultura, lançou o Orçamento Participativo em 1984 — o mesmo que o PT adotou 10 anos depois —, organizou as primeiras Associações de Moradores e criou o Conselho Municipal de Entidades Comunitárias para reunir e orientar os moradores associados. Zaire deu vez e voz na Prefeitura às populações dos bairros periféricos.
Conselheiro esquecido
Os jovens petistas não sabem que Zaire Rezende apoiou Lula desde a “República do ABC”. Foi parceiro do líder petista nas eleições presidenciais de 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006. Com esta história, Zaire foi esquecido pelo comando municipal do PT na eleição deste ano, em Uberlândia; não apareceu na campanha do PT-PMDB, embora seja conselheiro do governo federal nomeado pelo presidente Lula.

Uma eventual derrota de Marcio Lacerda (PSB) amanhã, em Belo Horizonte, poderá pôr em dificuldade o projeto do governador Aécio Neves (PSDB) e o do prefeito petista Fernando Pimentel para 2010. No caso de Aécio Neves, se o governador de São Paulo puder comemorar a vitória do pupilo dele, Gilberto Kassab, sobre a petista Marta Suplicy, Serra se fortalecerá no ninho dos tucanos para ser o candidato à Presidência da República em 2010. Com a derrota de Márcio Lacerda, o prefeito Fernando Pimentel perderá espaço no PT para o ministro da Ação Social, Patrus Ananias, que, se quiser, será o candidato petista ao Palácio da Liberdade. A candidatura de Marcio Lacerda à prefeitura de Belo Horizonte foi inventada por Aécio Neves e Fernando Pimentel e bombardeada pelos ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci, este secretário do governo do presidente Lula. Nos últimos dias, o candidato Marcio Lacerda animou-se com sinais de recuperação da imagem dele na opinião pública. Nesta reta final da campanha, ninguém pode cantar vitória antes do tempo. O governador e o prefeito jogaram todo peso do prestígio que têm na disputa, mas ficou evidente que prestígio político não se transfere. O tempo de eleger um poste já passou. O primeiro a reconhecer esta realidade é o presidente Lula, o político mais festejado e mais bem avaliado na opinião pública nacional. Amanhã, o empresário Lacerda ou o deputado Quintão será eleito prefeito da influente Belo Horizonte.
Mutação
Por enquanto, o governador Aécio Neves se mantém ativo na disputa interna do PSDB, pela indicação do candidato à Presidência da República em 2010. Aécio Neves posa de candidato-conciliador. Pimentel é aspirante a candidato ao Palácio da Liberdade. Se Marcio Lacerda perder a Prefeitura, na eleição amanhã, para Quintão perdem os astros mineiros.
Nova pauta
A derrota de Lacerda fará com que Aécio reveja o projeto de disputar a Presidência da República em 2010. Aécio poderá optar pelo Senado. Para isto, vai precisar de nova estratégia política, novos pólos de apoio para chegar ao Senado. Neste caso, um dos pólos será em Uberlândia e comandado pelo prefeito Odelmo Leão. Este assunto já está na pauta política.
No tucanato
Se o tucanato paulista comemorar a vitória do candidato do governador José Serra a prefeito — Gilberto Kassab — a candidatura do governador paulista sai mais forte para a disputa presidencial em 2010. A lógica do poder político baseia-se em resultados eleitorais positivos. Se Márcio Lacerda perder em Belo Horizonte, José Serra ganha força no PSDB.

O tempo das vacas gordas ou de bonança plena que impulsionou o crescimento econômico do mundo, com elevada liquidez que aqueceu festas de especuladores e vigorou de 2003 a 2007, acabou. Esse tempo permitiu a Lula — o Venturoso — distribuir bondades generosas à “Cumpanheirada” e à Tigrada, “sem medo de ser feliz”. Chegou o tempo das vacas magras. Hoje os países precisam apertar o cinto, cortar compras supérfluas, viajar menos para o Éden e usar o quengo para atravessar o Rubicão e chegar ao outro lado da meia-noite. No mundo globalizado ninguém escapa de “marolinha”. Longe do teatro onde começou a tal de recessão, os efeitos danosos e imprevisíveis na Terra de Santa Cruz podem complicar a natureza. A crise internacional não pede licença ao PT nem a Lula para entrar no Brasil. Essa figura é danosa e rude. Lula navegou em águas calmas, mas não aproveitou a ocasião para fazer as reformas necessárias à modernização do capitalismo brasileiro. Montou uma coalização para ter maioria no Congresso, mas essa aliança mais se parece hoje com um saco de gatos. O Venturoso só consegue aprovar uma Medida Provisória importante, em troca de “bondades”. É a lei do toma-lá-dá-cá. Com a coalizão, o governo não conseguiu aprovar nenhuma reforma essencial, entre elas, a política, administrativa, previdenciária ou tributária. Não é possível acreditar que o governo tem ampla maioria no Congresso e não consegue aprovar aumento de salário mínimo sem distribuir bombons.
Popularidade ameaçada
O otimismo com que o Venturoso se dirige à Tigrada pode mudar de tom se a “marolinha” gerada na terra do Tio Sam persistir em 2009 e chegar a 2010, tal como ocorreu no segundo mandato de FHC. O crédito à produção e ao comércio já diminuiu. Se não houver grana para aumentar o salário mínimo em 2009, a popularidade do Astro-rei poderá começar a cair.
Acertos
O presidente Lula acertou quando trocou a dívida pública em dólares por reais. Acertou também quando manteve a política de superávit primário que permitiu ao governo administrar a dívida pública, formar uma reserva de US$ 200 bilhões e assim poder enfrentar a “marolinha” com relativa independência, capacidade de negociação e sem incômodos sobressaltos.
Maioria virtual
Lula, nos anos dourados do primeiro mandato, perdeu a oportunidade de promover no Brasil as reformas política, administrativa, previdenciária e tributária. Esta permanece emperrada no Congresso onde o governo tem maioria. Só que essa maioria só delibera em troca de “bondades” oferecidas pelo trono. A coalização funciona como um banco de negócios.

O tenente-brigadeiro da Força Aérea Brasileira (FAB), Ramon Borges Cardoso, diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), esteve em Uberlândia, na quarta-feira passada. Ao encontrar-se com o prefeito Odelmo Leão e com a presidente da Aciub, Rosalina Cardoso Vilela, informou a ambos que a compra e a instalação de um equipamento de controle de vôos, conhecido como ILS, para o Aeroporto de Uberlândia foram aprovadas pelo departamento. O tenente-brigadeiro informou, também, que a dotação orçamentária será incluída no Orçamento do Departamento para 2009. Para a presidente da Aciub, Rosalina Vilela, que desde o ano passado se esforça para que o aeroporto local possa contar com um ILS, “o equipamento é de fundamental importância, porque o movimento aéreo na cidade tende a crescer depois da instalação e funcionamento do Entreposto da Zona Franca de Manaus, a partir do próximo ano”. O Aeroporto de Uberlândia tem capacidade estratégica para se transformar em importante modal de carga aérea no Brasil Central. ILS é um sistema de aproximação por instrumentos, que dá orientação precisa ao avião na hora de pousar e funciona baseado na transmissão de sinais de rádio. É o mais moderno equipamento usado no mundo para orientar, com precisão, os pousos de aviões em situações de risco. Com um ILS, o Aeroporto de Uberlândia, que já passou por uma reforma e contará em breve com ampliação da pista de pouso, será classificado entre os mais seguros campos de pouso de aviões de todo o Brasil.
Apoio oficial
O prefeito Odelmo Leão, que ofereceu todo apoio da Prefeitura para a instalação do moderno equipamento de controle de vôos, recebeu a notícia com otimismo. Na ocasião, o prefeito reafirmou ao diretor-geral do Decea a importância do controle de vôos seguro das operações de vôos em Uberlândia, principalmente em dias críticos marcados por fenômenos meteorológicos.
Prefeito
Para o prefeito municipal de Uberlândia, que já esteve no Decea em companhia da presidente da Aciub para reivindicar a instalação do ILS, “esse instrumento de precisão é indispensável, porque a cidade já conta com mais de 600 mil habitantes e é líder de uma vasta região econômica. Além disso, Uberlândia caminha rapidamente para ser um dos mais ativos centros logísticos do Brasil”.
Terceiro de Minas
O aeroporto local é o terceiro de Minas em número de passageiros transportados e o 21º do País. No ano passado, a Infraero, que o administra, iniciou a ampliação em 150 na pista de pouso e decolagem e criou uma área de segurança para as aeronaves e um espaço para promover checagens de motores e equipamentos de aviação.

Na terça-feira passada, o deputado federal João Bittar foi ao Paço Municipal cumprimentar o prefeito Odelmo Leão pela vitória nas urnas e ofereceu-se, como representante do município na Câmara Federal, para uma parceria em favor da cidade. Tal como já faz o deputado federal Gilmar Machado, do PT, e vice-líder do governo no Congresso. A atitude do deputado Bittar foi civilizada. É assim que precedem os políticos das Gerais: rivais nas eleições, unidos na defesa de interesses comuns. Destaco este fato para analisar comentários de alguns de meus colegas jornalistas. Um deles disse em uma emissora de rádio que a sociedade precisa cobrar de todos os parlamentares, inclusive o senador Salgado, transferências de verbas federais para a cidade. Em primeiro lugar é preciso distinguir atribuições de deputado federal e de senador. Deputado federal é representante do povo e do município na Câmara Federal ou Câmara dos Comuns. Senador não representa o povo nem o Município. Representa o Estado no Senado ou Câmara dos Lordes. É preciso saber que o senador Wellington Salgado é suplente do senador Hélio Costa e a este deve o mandato. Senador não tem obrigação de atender a pleitos de municípios. Senador representa interesses do Estado e reporta-se ao governador, não ao prefeito. É preciso parar de confundir mandato de senador com mandato de deputado. Muita gente-boa precisa estudar a ordem legislativa do Brasil para não confundir alho com bugalho.
Democracia
Também não me parece boa receita defender a união de todos os políticos e partidos do Município ao prefeito vitorioso no primeiro turno. A formação de uma ordem administrativa sem oposição seria um desserviço à democracia. Na ordem democrática, a oposição séria e responsável é indispensável. Não tem sentido imaginar uma cidade sem oposição.
Líder da oposição
Pela ordem do processo político e, em atenção ao resultado das eleições, o deputado estadual Weliton Prado deve ser o chefe natural da oposição e precisa contar com apoio do PMDB. Oposição, no processo político democrático, fiscaliza a aplicação de recursos orçamentários pela situação e cobra promessas de campanha do agente executivo. Isto é natural.
Líder da situação
O deputado Weliton Prado na oposição representa mais de 100 mil eleitores que não votaram em Odelmo Leão. Este é político civilizado, experiente e sabe que oposição séria contribui para valorizar a Administração comandada por ele. O papel da oposição numa democracia é necessário. O prefeito Odelmo Leão, certamente, não deseja governar sem oposição.

Toda crise econômica gera reações em cadeia e, nesse processo, os elos rompidos sempre acabam danificando setores do público consumidor, que, em último estágio, é quem paga a conta do acidente econômico. As empresas, geralmente, acabam por repassar os prejuízos aos consumidores sem que o governo possa intervir. Recentemente, os jornais divulgaram que a Sadia, maior exportadora de frangos do País, contabilizou um prejuízo de R$ 760 milhões com operações especulativas com derivativos de dólar. Outras empresas foram igualmente malsucedidas nesse processo. Na sexta-feira passada, o jornal “Valor Econômico” informou que a Sadia enviou uma carta a fornecedores com pedido de desconto de 10% no preço dos itens entregues à empresa “ao longo dos meses de outubro, novembro e dezembro”. Este pedido é um reflexo do prejuízo que a empresa reconheceu em setembro após operações com derivativos. Numa cópia da carta obtida pelo jornal “Valor”, a Sadia afirmou estar “adotando medidas austeras de contenção de custos e despesas” para enfrentar o “novo cenário”. A empresa afirma que “as conseqüências desta perda (de R$ 760 milhões), somadas à situação atual dos mercados no mundo, impactaram diretamente o caixa da Sadia, que já foi recomposto com a obtenção de novas linhas de crédito”. A carta — segundo o jornal — diz que, “com as ações tomadas, a situação da Sadia permanece sólida e seus resultados operacionais continuam saudáveis e compatíveis com o mercado”. Só quem pode se salva na recessão.
Reação encadeada
Em uma crise, as empresas que podem repassar prejuízos a fornecedores e consumidores o fazem sem medir conseqüências no mercado. Quem não tem condição de repassar prejuízos obtidos nas operações rotineiras ou especiais, nem capital para suportar tsunamis, tornados ou “marolinhas”, poderá acabar em falência e desaparecerá sem dó, sem piedade.
Investimentos
Outra conseqüência da crise está expressa na comunicação do jornal “Valor”: “Por conta das perdas, a Sadia vai adiar investimentos e também já suspendeu o plano de mudar sua sede da Vila Anastácio, na capital paulista, para um prédio novo, alugado, nas proximidades da Marginal Pinheiros, em São Paulo”. Adiar investimentos não é bom sinal.
Fé no futuro
Ainda segundo o “Valor”, para encerrar a carta, a empresa repetiu uma frase já utilizada em comunicado enviado aos funcionários, no fim de setembro, para tranqüilizá-los após o anúncio das perdas no mercado financeiro: “Nossa empresa continua operando normalmente, portanto nossos sonhos não mudaram. O que muda são os caminhos para chegar lá!”. Ainda bem.