
Você conhece a história do samba? Triste, dramática, às vezes, trágica. Um processo sócio-cultural onde as peças lenta e sofridamente foram se ajustando, obra de negros e brancos, desde os lundus do Caldas Barbosa (que era branco e era negro), até que, na década de 20, a vontade dos modernistas de 22, mais a oportuna existência de Sinhô, o compositor que arrancou o samba da zona folclórica e implantou-o na cultura urbana do Rio de Janeiro, o samba tornou-se o gênero musical representativo da nação brasileira, como o tango é da Argentina, o fado de Portugal, a tarantela é da Itália etc. Glória dos negros brasileiros que defenderam o batuque com o próprio sangue.
Pois bem, deu na “Folha” que no dia da Consciência Negra, dois mil afrodescendentes (negros brasileiros, antes de tudo) desfilaram pelas ruas centrais da Paulicéia. Só dois mil? São Paulo branqueou de vez? Cantando reggae! Reggae? Geraldo Filme, Adoniran Barbosa, estremeçam nas profundas; sorria, Vinícius de Moraes, você acertou na mosca, embora pedisse desculpas depois: São Paulo é o túmulo do samba!
Antônio Pereira da Silva
Jornalista – Uberlândia – MG
apsilva@triang.com.br
Igreja, novos tempos
Sou católico praticante. Posso dizer que já fui participante ativo. Entretanto fiquei bastante indignado com o modo com que o vigário da Paróquia São Judas vem tratando seus fiéis. Não obedece aos horários preestabelecidos para as missas; utiliza dois pesos e duas medidas ao atender a solicitações diversas, desde a realização de uma celebração especial, por exemplo, para comemorar alguma data festiva como aniversários ou bodas. Quero chamar a atenção para o que ocorreu no dia 22 passado, quando presenciei a inusitada “separação” de um casal, seguida da celebração do casamento de uma das partes desse mesmo casal separado, com outra pessoa, seguindo todo um ritual sagrado, após a separação ter sido informada aos presentes como “legal perante Deus”. Digo isto pelo fato de que, ao longo da minha vida, aprendi a acreditar que os Sacramentos, da Ordem e do Matrimônio, seriam Sacramentos indeléveis. Inclusive, em todo casamento é praxe ouvirmos aquela famosa frase: “O que Deus uniu, que o homem não separe jamais”. Muito estranhei que já estejam encontrando brechas para tais situações nas Leis de Deus.
Antônio Rafael de Oliveira
Aposentado – Uberlândia – MG
antonio_rafael@netsite.com.br
Música moderna
O Tom Zé, em um desabafo que eu li na Internet, falou palavrões contra o cantor Caetano Veloso. Eu não gosto do Caetano Veloso, de Maria Betânia, de Gal, de Ivente Sangalo, enfim, não gosto do Grupo Baiano, mas também não gostei do desabafo sem educação educado do Tom Zé. Não gosto de cantores de Samba, de cantores de Música Caipira ou Sertaneja. Não gosto de cafonagem. Gosto é de música moderna, bonita, bem feita como Rock, Rap e Funk. Nós precisamos modernizar a música brasileira que ainda está cheia de caretice. Vamos deixar de escutar músicas de Roberto Carlos e de todas as duplas do Brasil. Vamos acabar com bobagens musicais que há muitos anos estão fazendo a nossa cultura ser de terceira categoria no mundo. Na Europa a tal de música clássica, que mais se parece com música de velório, felizmente acabou, embora alguns fanáticos saudosistas ainda toquem esse tipo de música de dinossauro. Graças a Deus, o Rock e o Rap estão aí para mostrar o que é modernidade e cultura bonita de escutar. Gente, vamos ajudar a modernizar musicalmente o nosso Brasil. Vamos acabar com todo tipo de cafonagem. Viva o Rock, o Rap e o Funk!
Reginaldo Paniago
Estudante
Uberlândia - MG

Nas últimas edições do Jornal CORREIO li comentários desde o desfecho da disputa eleitoral no município tendo até a não eleição de um vereador negro à Câmara Municipal. Desde 1982 isso não acontecia. Naquele ano a professora Olguinha foi eleita. De lá pra cá tivemos Antônio Queiroz Barreto, Adalberto Duarte, Tiãozinho e Xuxa. Só no Congado a eleição deste ano teve, pelo menos, três candidatos: Xuxa, Ramon do Congado e Malaquias Preto. Isso dividiu a base e nenhum deles se elegeu. No entanto, criar cotas raciais para a Câmara de Uberlândia como sugeriu um leitor em uma das edições recentes do CORREIO, não traz nada de afirmativo. É necessário que haja uma conscientização geral e que as pessoas sejam eleitas pelo que representam, independente de serem brancas, negras ou orientais. A democracia representativa proporciona isso, leva as pessoas mais simples a ocuparem cargos de grande relevância, por exemplo: o Presidente Lula. Barack Obama descendente de africanos que carrega um nome de origem islâmica, se elegeu presidente da nação mais importante do mundo. Isso mostra que a democracia está avançando. Se todos tiverem consciência teremos cada vez mais representantes dos mais diversos segmentos sociais, independente da raça, credo, orientação religiosa ou sexual. Que assim seja.
Rangel Pires
Policial militar
Uberlândia
rangelpires@yahoo.com.br
Aqui não é Nigéria
Em visita à penitenciária Dr. Jacy de Assis, pode-se presenciar uma cena da qual Manuel Bandeira diria em poema: Bicho nas lixeiras catando aqui, crianças e mulheres disputam o lixo que os detentos colocam no final da tarde. Restos de alimentos em quilos e quilos, trapos de roupas despejados nas caçambas sob o olhar desses seres humanos esquecidos na miséria. E para completar o quadro surrealista esfumaçado com a poeira da rua, familiares dos detentos debaixo do sol a pino ou das chuvas de verão sem um toldo, uma cobertura para esses cidadãos que ficam na extensa fila da "visita". Coisas que durante a política não vemos ou fingimos não ver. Talvez por acharmos que nossa cidade é uma metrópole e não tem coisas da Nigéria.
Júnia Alba Gonçalves
Professora
Uberlândia – MG
Presente de grego
Meu velho sempre dizia que a Lei Áurea foi um presente de grego. Libertaram os escravos, mas deixaram-nos nas fazendas como cavalos gigantes. Os libertos sem programa de governo para tirá-los do analfabetismo foram atirados nas arenas da crueldade e do preconceito ilimitado, numa sociedade injusta e insensível. Quantos tombaram pelo caminho? A maioria que sobreviveu com dignidade, tive que se submeter a subserviência. O reflexo dessas distorções reflete-se hoje em nossas universidades, onde o perfil dos estudantes é esmagadoramente branco. Situação agravada nos chamados cursos nobres, como Medicina, Engenharia, Diplomacia etc.
Isto sem citar os incentivos gratuitos do governo como bolsas de pesquisas, bolsa extensão e pós-graduação onde o caos se instala mesmo. Temos de discutir o assunto à exaustão. Essa largada desigual tem de ser corrigida já.
É incômodo ver uma Nação composta em sua maioria de negros ou descendentes, não ter representatividade nas cúpulas que regem o destino do País.
Lucimar César
Empresário
Uberlândia – MG
lucimarcesarsilva@yahoo.com.br

Alguém acuda! Mais uma vez, após a não concretização de seus planos em campo, o time de BH recebe uma mãozinha da Federação Mineira de Futebol.
A incompetente entidade, além de não colaborar para o crescimento do futebol do Estado, sabota novamente o time do Uberlândia Esporte Clube ao divulgar em seu site a entrega das vagas para a Copa do Brasil 2009 e Série D 2009 para o campeão Tupi.
É sabido por todos que acompanham que existe um acordo de bastidores entre as equipes do Tupi e do América que a Copa do Brasil será repassada ao América, já que o Tupi não tem o interesse de disputá-la. Ocorre que o Regulamento da Taça Minas é bem claro quando direciona essa vaga ao campeão da Taça Minas.
Dessa forma, a vaga na Série D é do glorioso Verdão, que garantiu dentro de campo por meio da terceira colocação (a mesma que garantiu ao mesmo América a vaga no ano passado para a Série C).
Pra não me estender muito, faço, por esse espaço democrático, um apelo aos dirigentes do nosso futebol, autoridades, entidades; enfim, a todos os meios de comunicação que divulguem mais essa "palhaçada" que ocorre em nosso futebol.
É imoral com o torcedor que paga ingresso e acompanha a equipe do coração, ter as regras mudadas no fim de cada campeonato conforme conveniência do timinho do América, que dentro de campo não consegue prevalecer e sempre é conduzido às competições pela FMF de forma ilícita com enorme falta de respeito com as outras equipes do Estado.
Wêberti I. de Souza
Empresário
Uberlândia (MG)
UEC merece mais
No dia 24 passado, um comentarista esportivo de televisão, em Uberlândia, disse para todos os telespectadores que o ouviam que o nosso Uberlândia Esporte Clube deveria pleitear o direito de disputar, no próximo ano, o Campeonato da Série D.
O comentarista falou isto porque o time do Tupi, de Juiz de Fora, campeão da Taça Minas, terá o direito de disputar o Campeonato da Série D, e a Copa do Brasil. E o Uberlândia Esporte Clube, (U.E.C.) como terceiro mais bem colocado deveria pleitear o direito de disputar a Série D.
Vejo esta observação do comentarista com muita tristeza porque o time do Uberlândia Esporte Clube, que já foi campeão da Taça CBF (um título nacional), hoje na Série B, merecia muito mais.
Odomires Mendes de Paula
Ex-presidente do Conselho do UEC
Uberlândia (MG)
Copa do Brasil 2009
Um dia ainda quero ver a FMF definindo melhor os critérios para destinação das três vagas para a Copa do Brasil.
No meu entender, a primeira vaga foi conquistada pelo Tupi, no último sábado, como vencedor da Taça Minas.
A segunda é do Atlético, uma vez que ele não tem a menor chance de ir pra Libertadores. A terceira vai pro Cruzeiro e, caso este fique no G-4, deve ser dada a um outro time do Campeonato Mineiro em 2009, obedecendo aos critérios técnicos. O regulamento da Taça Minas 2008 não diz que o campeão pode escolher o que quer disputar, portanto, a vaga na série D é do UEC, uma vez que o América tem vaga garantida na série C.
Não é implicância, mas estão interpretando o regulamento a favor o América.
Ozanan Silva
Torcedor do Tupi
Juiz de Fora (MG)
ERRATA
Diferentemente do que foi publicado na página A5 da edição de ontem do CORREIO, a sigla correta para a Associação Comercial e Industrial de Uberlândia é Aciub.

De tanto ler opiniões sobre a crise, lembrei-me de uma curiosidade. No guichê de um estabelecimento bancário, não sei se aqui ou em São Paulo, vi a seguinte frase em letras grandes: ”Não fale em crise, trabalhe”. Não sei se nosso presidente, que considera o fato uma marolinha, leu também o dístico. O fato é que ele clama por um otimismo como remédio, embora a prudência nos lembra o prolóquio: quando as barbas do vizinho ardem, ponha as tuas de molho. Parece que tanto os vizinhos de lá do outro lado do mar e os daqui de perto já andam com barbas bem chamuscadas. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Como filósofo busquei as origens do mercado. O saudoso Tristão de Ataíde (dr. Alceu Amoroso Lima), no livro “Fim da Economia da Idade Média”, lembra que não circulava dinheiro dentro dos muros do castelo. Era só o escambo ou troca de mercadorias, e isto atenuava a ambição humana. Mas os mercadores vieram do Oriente trazendo tapetes, tecidos finos e muitas outras bugigangas e quinquilharias. Postaram-se nos portões das fortalezas e atraíram a curiosidade tanto de homens como mulheres. De início aceitavam troca, à medida que o interesse crescia, forçaram os castelões a pedir ao Senhor Príncipe parte dos salários em dinheiro. Depois se fixaram diante do castelo formando os burgos ou vilas. Enquanto caravaneiros buscavam a mercadoria, outros tomavam conta do negócio. Surgiu então a chamada “letra de feira”, mãe da “promissória”, e o dinheiro de papel tomou conta. A esta altura, os portões do castelo nada mais representavam e os burgos e vilas geraram as cidades. Toda a economia do castelo se transformou. A oportunidade de todos passou a ser somente de alguns. Parece que a crise hoje é uma superprodução de papéis e ações, sem nenhum valor correspondente a moedas e produtos da indústria, do comércio e de serviços. Cabe ao Banco Central, como guardião da economia, reciclar essa papelada incentivando a produção para lastrear esse vazio de valores. Pois a boa filosofia diz: ”natura abhorret vacuum” ou a natureza aborrece o vazio. Padre Edgar de Aquino, salesiano que lecionou muito tempo na Califórnia, insiste em seu Manual de Economia, que pessoas e países devem ter sempre “uma prudente reserva” que se não cura, pelo menos ameniza os tempos de crise. Cuido que o governo tem bons estrategistas que encontrarão os caminhos da superação.
Professor Lucindo
Uberlândia (MG)
prof.lucindo@netsite.com.br
14º salário
Parece que a política de presentear o funcionalismo público da Educação da Rede Estadual com 14º salário abriu um grande contentamento, um presente natalino, podemos dizer para esses servidores. Porém tal ação não se refletiu nos cofres da Prefeitura de nossa cidade. Parecia que o parceiro de Aécio poderia nos contemplar com essa ação que já se vê nos pagamentos da classe política. O que nos resta, então, é agilizar a campanha salarial de 2009, já que não “sobrou” nada do Fundeb para beneficiar os profissionais da Educação.
Júnia Alba Gonçalves
Professora
Uberlândia (MG)
junia.alba@uol.com.br
Práticas especiais
No Brasil existem algumas práticas comerciais especiais. Uma delas é a comercialização de derivados de petróleo. Há dois meses, o preço do barril de petróleo chegou perto de US$ 150 e hoje está em torno de US$ 50, mas o preço da gasolina nos postos, hoje, é igual ao preço de dois meses atrás. Alguém está metendo a mão no bolso dos consumidores. Isto é justo?
Marcolino Molitgerno
Vendedor externo
Uberlândia (MG)
Errata
Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem, na página A4, caderno de Economia, o prejuízo estimado pela Federação das Indústrias dos Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para o País, por causa dos feriados em dias úteis, é de R$ 12,9 bilhões por dia não trabalhado.

O senador petista Paulo Paim, do Rio Grande do Sul, conhecido pelo seu trabalho em prol dos aposentados e pensionistas, está com projeto, em tramitação no Senado Federal, que permite a correção na íntegra pelo salário mínimo dos proventos e pensões daqueles que trabalharam por uma vida toda e que estão aposentados pelo INSS. Diga-se de passagem, correção esta que já existe há muitos e muitos anos no serviço público federal, estadual e municipal.
Hoje em dia, o cidadão paga 10 anos seguidos pelos valores máximos do salário de contribuição do INSS. Quando aposenta começa recebendo um valor básico equivalente a essa contribuição. A partir daí, esse valor vai caindo em uma curva descendente vertiginosa, pois, apenas quem recebe salário mínimo tem a correção total ou integral pelos índices maiores da inflação aplicada. Dessa forma, após uns cinco, oito, 10 anos, aquele que pagou pela integralidade passa a receber um valor extremamente baixo, próximo ao salário mínimo. Muitas vezes, a quantia que ele está recebendo não dá nem para pagar os custos com medicamentos, consultas, exames e demais despesas necessárias na velhice. Paulo Paim está sendo bombardeado e acusado de provocar gastos que o governo federal não suportará. Mas a realidade mostra que os gastos do governo deveriam ser canalizados para investimentos em estradas, ferrovias, portos, educação etc; enfim, coisas que fossem capazes de gerar mais emprego, maior renda e com isso mais contribuição para o próprio INSS e não para gastos supérfluos.
Ficamos abismados com a propensão que o governo tem para fazer gastos absurdos, com coisas que poderiam, perfeitamente, serem economizadas, como despesas com custeio, com viagens, com propaganda, com aumento de vencimento para quem já ganha muito, em suma, o poder público no nosso país gasta muito e mal. O Brasil ainda continua sendo um País que não é capaz de dar um tratamento digno para seus idosos e para suas crianças. Milhões de crianças e adolescentes estão em nossas ruas, no mais completo abandono, sem perspectiva de vida, sem escola e sem trabalho, próximos e até fazendo parte da marginalidade. Já os idosos carregam o peso da velhice, dentro de um Estado que é incapaz de recompensar esses cidadãos que durante muitos e muitos anos prestaram serviços ao País. Deposito grande esperança na efetivação das medidas propostas neste projeto, cujo alcance social será imenso.
Flávio Luizi Lobato
Coronel da Reserva da PMMG
Cadê o concurso?
Já virou piada a história do concurso da Prefeitura de Uberlândia. É sempre a mesma coisa. Tem mais de um ano que se fala nesse concurso, e nada. Quinze dias atrás o CORREIO soltou, mais uma vez, que estava próximo, mas até agora nada. Antes da eleição era propaganda política, agora não sei por que continua o assunto, enganando as pessoas que precisam de uma oportunidade e ficam ansiosas para esse concurso. Enquanto isso, alguns "cursinhos" se aproveitam e fazem propaganda de aulas. Mas ninguém sabe de nada, do conteúdo, das disciplinas do concurso. Seria importante que a Prefeitura desse uma resposta para as pessoas e não falasse mais desse concurso até realizá-lo.
Lidiane Abreu
Uberlândia (MG)
lidianeabreus@yahoo.com.br
Errata
Na reportagem divulgada na página A10, da edição de domingo, a declaração que aparece no fim do texto é do presidente do DEM em Uberlândia, João Bittar Neto, e não do deputado João Bittar.

Um jornalista esportivo francês publicou artigo, certa ocasião, contando que jamais ouvira pelos estádios internacionais por que passara profissionalmente um hino mais vibrante, mais estimulante, mais entusiasmante que o nosso belo Hino Nacional Brasileiro. Com a nossa macaquice natural resolvemos, a partir da Fafá de Belém, executar (você pode ler também no sentido de “matar”) o Hino Nacional antes das pelejas internacionais ao modo norte- americano. Eles lá, são eles. Nós somos nós e temos lei que estabelecem como tratar os símbolos nacionais.
A Fafá amolengou o Hino e ainda teve o cuidado de substituir o cacófato “herói...co brado” por “herói... cum brado”. Ficou uma beleza. Agora, no jogo contra Portugal, puseram um cara lá pra cantar uma balada molenga, errando na música e na letra. Disseram que era o Hino Nacional. Eu, heim? O Hino Nacional Brasileiro é outra coisa. Ainda bem que os portugueses jogaram como um “seu mané”.
Antônio Pereira da Silva
Jornalista
Uberlândia (MG)
Passo a passo
Sempre fui um otimista. Atirar pedras é um deleite, contudo, não edifica. Acirra os ânimos sem soluções. Observo novos políticos despontando transparentemente. É um progresso paulatino e continuado. Também ocorrem melhoramentos graduais na complexa educação brasileira. Envaideço-me pela eficácia do Judiciário. Talvez por considerá-lo o oxigênio e a luz da democracia. Nele, jovens idealistas se sobressaem, como juízes, promotores e procuradores. É um poder imaculado para a sociedade. Não se tolera remendos, engavetamentos e jeitinhos. Refletindo credibilidade nas outras instituições. Um bom exemplo é essa polêmica Operação Satiagraha. Numa tentativa alucinada, trocaram personagens-chave envolvidos no sistema.
Felizmente pelas declarações e atitudes das autoridades responsáveis pelo caso, os culpados receberão a pena cabível, evidenciando-se nenhum procedimento diferente nas trocas ocorridas. Inexiste mal pior para saúde de uma Nação do que a impunidade. Ainda bem que essa doença poderosa, nos últimos tempos, tem sido reprimida com golpes letais.
Um povo livre nunca pára de caminhar buscando sempre a perfeição e igualdade. Quem sabe um dia, os membros do Supremo Tribunal Federal possam ser escolhidos pela sua brilhante carreira judiciária e não só pelo presidente da República.
Lucimar César
Empresário
Uberlândia (MG)
Ônibus lotados
Os ônibus urbanos de Uberlândia estão superlotados e os passageiros seguem empilhados como sardinhas em lata. Eu que percorro toda a cidade, por dever profissional, constatei que a situação é igual em todas as linhas e em todas as direções.
Para mim, esta situação parece com uma decisão de trabalho das empresas que fazem o horário de acordo com a conveniência delas para que os passageiros se ajuntem nos pontos e os ônibus só andem lotados. Essa prática tem uma explicação, no meu entender: ônibus com poucos passageiros ou superlotados gastam a mesma quantidade de combustível. Assim, enquanto a Prefeitura segura o aumento da passagem, os donos das empresas armam um esquema para ganhar mais dinheiro e os passageiros que pagam as passagens que se danem.
Leonel Torquato Faria
Vendedor externo
Uberlândia (MG)

O programa “Fantástico” da Rede Globo, de domingo passado, 16 de novembro, trouxe à baila a questão dos padres casados e, conseqüentemente, do celibato.
Esse tema acompanha a história do Brasil, pois o padre Diogo Antonio Feijó, regente do Império, já havia escrito um livro a favor da liberação, por parte da Igreja Católica, do celibato obrigatório. Como seminarista, li uma obra de um norte-americano — “Pastores sem ovelhas” — e de um padre da Diocese de Goiânia, residente em Silvânia, contando suas angústias e manifestando-se contra o celibato. Um dos meus colegas, aliás bem respeitado na Congregação Salesiana — Riolando Azzi —, também historiou a introdução da disciplina do celibato.
Notem que não é um dogma e, sim, um instituto disciplinar, com a finalidade de evitar entraves ao exercício do sacerdócio. Uma coisa é certa: o sacramento da Ordem imprime caráter, isto é: nunca mais se apaga. Uma vez ordenado padre, o é por toda a vida. Para que alguém seja liberado das obrigações do Ministério é preciso entrar com um processo, se religioso com votos perpétuos, na própria Congregação ou Ordem e depois na sua Diocese de origem. É algo simples, a ponto de chamar-se Processículo.
Faz-se diante de uma espécie de tribunal e consiste em responder a diversas questões que comprovem que a vocação não era segura, e, portanto, a ordenação se deu em condições frágeis.
O resultado é um relatório que será enviado a Roma para se obter um documento chamado Rescrito liberando do celibato e outras obrigações. Mas a condição é que não se administrem os sacramentos a não ser na ausência total de padres, no caso de assistência aos moribundos. Em todos os casos, o juiz passa a ser o Ordinário do Lugar ou bispo da Diocese. Mas uma coisa fique clara: atos praticados à revelia são válidos pelo caráter da Ordem, mas são ilícitos porque fora do teor do Rescrito. Assim, o que o padre Oziel fez é válido embora ilícito, podendo ser convalidado pelo bispo.
Respeito e não comento o fato de padres adotarem outras crenças e até fundarem igrejas próprias. Refiro-me aos que permanecem na Igreja Católica, Apostólica, Romana.
Só uma vez, a Igreja flexibilizou o celibato na América, no pós-guerra do Paraguai que perdera a maior parte da população masculina durante o conflito. Hoje se torna juridicamente impossível a Igreja abrir mão dessa disciplina. Há questões delicadíssimas envolvidas. Já basta o que ela tem passado com indenização dos casos de pedofilia.
Além disso, Roma é eterna, é o que se diz.
Professor José Lucindo
Uberlândia (MG)
prof.lucindo@csmkt.com.br

Gente nova tem cara de passarinho. Vejo os pássaros que nascem no rancho, cabeças pequenas, poucas cores nas penas e com pouco medo de chegar ao alpiste que coloco gentilmente para saciar sua fome.
Somos passarinhos da vida, embora não tenhamos asas, só nos sonhos. Sonho muito e vôo muito também, salto edifícios, mais que o homem aranha. Mas acordo e não consigo voar. Assim é a realidade, os sonhos são compensatórios e permitidos, embora diversos da realidade concreta. Os caminhos da Humanidade são complexos. Nascemos sob a égide do pecado, nascemos culpados. Adão se relacionou com a Eva, com uma maçã no meio, coisa complicada, que gerou o sexo-pecado-culpa, por conselho de uma cobra pecaminosa, amiga da Eva, mais que do Adão, creio eu. Ela sugeriu liberar. Depois disso só foi faturamento, essa conta nós pagamos em royalties para as multinacionais do pecado. Com prazer, paga mais, pecado maior é mais caro. E assim vamos acreditando em besteiras escritas em livros sem compromisso com a realidade, que incutem nas pessoas falsos valores, garantindo benesses aos editores dessas mentiras, apologistas de falsas idéias e que nosso povo inculto absorve como um sorvete gostoso, com pó de vidro, que intoxica o coração, sufoca a alma e mata aos poucos.
Amar é complexo, a censura diz que é pecado, desde o “pecado original”. Besteirol. Depois vem a princesa adormecida, acordada por um príncipe, cujo final da história ninguém sabe, vai ver que ele tinha problemas sexuais e ela era bloqueada, não tinha orgasmo. Mas o depois não importa é como deixar cair um ovo de quatro metros de altura sem quebrar, o resto não interessa ao problema. Basta deixar cair de cinco metros, ele quebrará no quinto, mas isso não interessa, passou pelos quatro metros sem quebrar. Se o príncipe tinha ejaculação precoce ou ela se masturbava e assim tinha um vago prazer é um problema pessoal que a história nunca conta, afinal sexo é sujeira da grossa. A vida é cheia de mentiras que corroboram interesses, sempre escusos. Enganar o outro e se dar bem é a tônica, precisamos ser espertos e ganhar muito dinheiro, ser rico é muito importante. Monte de fezes mal cheirosas, coisa cultural, pois na China não é assim, lá é adubo, normal na cultura, inclusive o cheiro.
A vida está cheia de falsos valores, tapear, aplicar a Lei de Gerson, ser malandro é o ponto alto. Passarinhos são diferentes, voam em seus desejos, são livres. Humanos são pesados, não conseguem ver a vida como ela é, não conseguem voar. Precisamos aprender com os passarinhos e viver a liberdade que a vida nos permite, sem medos. E como eles, nos preocuparmos somente com os gaviões do Judiciário...
Celso Abrão
Médico Cardiologista e escritor – Uberlândia – MG - Cabrao1@uol.com.br
Não existe crise
Eu não ando gostando das notícias da imprensa brasileira, principalmente da televisão que todos os dias fala em crise. Para mim crise só existe na cabeça dos pessimistas. O Lula já falou que crise é coisa do Bush, presidente dos Estados Unidos. Não Brasil, segundo o Lula, não existe crise. Eu também acho que crise é conversa mole.
Décio Paniago Moreira
Vendedor externo – Uberlândia - MG
Democracia racial
Se um negro foi eleito para Presidente dos Estados Unidos, por que será que o único negro vereador de Uberlândia não foi reeleito? Isto me levou a pensar que igualdade na Câmara da nossa cidade só se for criada uma quota de, pelo menos 30% para negros nas eleições. Os partidos serão obrigados a candidatar 30% de negros. A Câmara precisa ter pelo menos seis vereadores negros.
Fausto Cazuza da Silva
Consultor de Cargas – UDI – MG

Estudantes lotam o ponto de ônibus na frente das faculdades privadas enquanto na UFU o estacionamento está sempre lotado (de automóveis). Incoerência? A educação e suas incoerências. A desigualdade social está diretamente ligada às oportunidades de educação oferecidas. Mas o modelo de ensino público abre espaço para certas incoerências. A deficiência da escola básica e a reconhecida excelência das universidades é a primeira delas. Dois ciclos de estudo, no mesmo período histórico e, ao mesmo tempo, tão distantes. As universidades públicas apresentam os melhores trabalhos científicos que beneficiam a sociedade, enquanto na escola básica grande número de professores nem sequer concluiu a graduação. Esta diferença qualitativa traz outra discrepância: os alunos da escola básica pública são aqueles que têm menos poder aquisitivo e que, se “insistirem” no caminho da formação acadêmica, terão que financiar seus estudos (FIES...) e estudar em faculdades privadas. Enquanto isso, a elite econômica (que tem condições de bancar os filhos em escolas particulares do ensino fundamental e médio) usufrui a qualidade e gratuidade oferecida pelas universidades federais. Esta realidade é incoerente.
Cristiano Alvarenga
Jornalista jornalistacrisudi@yahoo.com.br
Movimento municipalista
Recebidos pelos prefeitos de Uberlândia Odelmo Leão, e Marcos Alvin, de Araguari, vice-presidente da Associação Mineira de Municípios, vários prefeitos e seus assessores participaram da abertura do Seminário Gestores eleitos”, na Fiemg Regional.
O presidente da AMM, o prefeito de Mariana, Celso Cota Neto, recepcionou os convidados e fez a palestra de abertura.
Os 853 municípios mineiros que compõem a AMM é célula mater da sua constituição. Ganhando assim, a oportunidade de suprir as suas carências e necessidades, recebendo da AMM ferramentas transformadoras com as suas assessorias técnicas. Um evento como o que ocorreu neste 18 de novembro de 2008 precisaria ter influenciado a presença da totalidade desta regional que envolve 72 municípios, entretanto o número reduzido de chefes do Executivo municipal dessas várias cidades reflete as “muitas Minas” que existem. O associativismo ainda é uma incógnita para muitos políticos. Alguns ainda vêem a parceria como uma ferramenta que irá feri-los de morte se a ela aderirem. O municipalismo só sobrevive diante da consciência de que é preciso gerenciar políticas públicas para o desenvolvimento social.
José Amaral Neto
Jornalista
Uberlândia (MG)
Rodada dos mandantes
Na semana passada tivemos a confirmação de que o melhor técnico que atua no Brasil é de fato Muricy Ramalho. Com uma vitória, não espetacular, mas convincente, sobre o Figueira, o São Paulo se confirmou como mais forte candidato ao título. Mas é bom os bambis não se empolgarem muito, porque o título ainda não está ganho. O Grêmio segue na caça ao cervídeo (sic) do Morumbi, após ganhar do Coxa na sorte (dizem que existe sorte de campeão) e que ela andou ajudando o São Paulo em algumas rodadas atrás, mas nesta rodada o maior beneficiado pela sorte foi o Grêmio, com dois gols em bolas desviadas e está a apenas a dois pontos do líder. Já o Flamengo, êêê Flamengo, venceu e venceu bem o Alviverde Palestra por 5 x 2 fora o baile. Destaque para a brilhante atuação dos meias Ibson e Kleberson, que, diga-se de passagem, estavam devendo boa apresentação. O urubu da gávea segue com chances meramente matemáticas na briga pelo título, sua luta parece ser mesmo pela vaga na Libertadores e no domingo enfrenta um adversário direto na corrida rumo à conquista da América.
Pedro Mendes Júnior
Professor de Filosofia
Uberlândia (MG)

Uma descida longa e eu vejo uma ponte magnífica, obra de arte; os cabos de sustentação parecem mãos que se unem lá no alto em oração. Cruzo assim o rio Paranaíba, no antigo Porto Alencastro, e entro em Mato Grosso do Sul, destino a Campo Grande. Pelo caminho passo Paranaíba, Inocência, Água Clara, Ribas do Rio Pardo... cidades amigas de trinta anos atrás, quando lá fui abrir fazenda e criar bois. Eram vilas, a estrada de terra e buracos e onde tinha asfalto ele era esburacado e descuidado, os carros tinham que passar pelo acostamento, arrebentar a suspensão e a paciência do motorista. Agora não, tudo é asfalto, até a parte federal está lisa e recapeada. E por ali entro na minha antiga amiga, Campo Grande da Vacaria, pioneira em meus sonhos de juventude. Um susto enorme, já de longe: tudo está diferente, isto não é Campo Grande, é um sonho. Os prédios são arranha-céus enormes, modernos, estruturas e vidros coloridos que confirmam um outro mundo. A cidade explodiu em crescimento, chego difícil à 15 de novembro, Rua 14, dom Aquino... um monte de lojas modernas, as residências nobres estão agora arranchadas na periferia, bairros e condomínios elegantes, avenidas largas e arborizadas de acesso, o centro administrativo lembra-me Brasília, só que mais moderno porque tem e preserva ao lado um bosque, a marca de sua terra. Leio os jornais locais, suas notícias são as de sua terra mesmo, seus progressos e arrojos, suas dificuldades e lutas – só que agora é tudo de roupa nova e própria, Cuiabá ficou para trás, o que querem, precisam e exigem é lá na corte brasiliana, com seus senadores e deputados próprios. Enfim e com todas as honras, este é um Estado Novo, um sonho que seu povo sonhou, lutou e fez realidade. O velho Mato Grosso perdeu com esta separação? Que nada, tornou-se jovem também, vejam os resultados de sua economia, novas fronteiras, a pujança de sua produção em grãos e carne. Agora, deste meu novo Mato Grosso do Sul, revivo sonhos e amigos, os bons tempos da juventude e suas aventuras pelo futuro. Muito mais e tudo poderia falar e contar... mas tenho que voltar ao Triângulo... desculpem, a Minas Gerias. Recruzo aquela ponte de sonhos, e penso no meu Estado do Triângulo, sonho que nossa juventude não sonha, vereadores dão títulos honoríficos a cidadãos, prefeitos servem e pedem ajuda a uma Belo Horizonte distante e alheia, nossos políticos pensam apenas em suas eleições, sonhos e ambições pequenas. Não cruzaram aquela ponte do futuro... Meninos, como diria o poeta: eu vi o que sonhei, mas ele ficou para trás...
João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico e escritor
Uberlândia (MG)
TV digital
No fim do ano passado, o Governo inaugurou a TV Digital em São Paulo e por aqui correram informações de que essa maravilha chegaria em Uberlândia em seis meses, no mais tardar até junho passado. Até hoje, nada. No começo deste mês fui visitar minha irmã que mora em São Paulo e não vi TV Digital. Vi os mesmos programas com novelas, Faustão, Jornal Nacional. Hoje eu acho que esta conversa de TV Digital não passa de propaganda para vender TV de Plasma.
João Sebastião Pereira (Tião)
Técnico de refrigeração
Uberlândia (MG)
PMDB dividido
O PMDB é um grande partido brasileiro, mas todo mundo fala que está dividido. Acompanho pelo noticiário do jornal que esse partido tem uma parte dos dirigentes que está aliada com o Presidente Lula em troca de Ministérios e outra que está se bandeando para o José Serra porque acha que o Governador de São Paulo vai ganhar a eleição se a candidata do PT for dona Dilma Roussef. Em Uberlândia, o PMDB também parece dividido. O partido apoiou o Weliton Prado, do PT, na eleição passada e há poucos dias foi conversar com o prefeito Odelmo Leão que é do PP-PSDB. Assim não dá pra entender nada.
Reginaldo Bentes Padilha
Consultor de negócios
Uberlândia (MG)