
Ontem os brasileiros assistiram pela TV a mais uma das animadas fantasias nacionais: a inauguração da reforma do Estádio Bezerrão, na cidade-satélite do Gama, a 40 quilômetros de Brasília. Para reformar o estádio, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda — “torcedor-mor” do Gama —, gastou R$ 56 milhões (a obra foi orçada em R$ 30 milhões). Gastou mais R$ 10 milhões para promover o jogo das Seleções de Portugal e do Brasil, só para que o deslumbrado público pudesse ver em campo os astros Cristiano Ronaldo (Portugal) e Kaká (Brasil). O Estádio do Gama tem capacidade para 25 mil espectadores. Perto de 10 mil ingressos para o jogo de ontem foram bancados pelo governo do Distrito e doados a personalidades políticas, cartolas esportivos, convidados especiais, aspones e personalidades importantes. Quem pagou entrada desembolsou R$ 180 para ficar atrás dos gols e R$ 250 para assistir ao espetáculo sentado nas arquibancadas laterais. Segundo o secretário de Esportes do Distrito Federal, Aguinaldo de Jesus, “o jogo serviu para apresentar Brasília ao mundo e preparar o Bezerrão para a Copa de 2014”. O Estádio tem metade da capacidade do nosso Sabiá. Dá pra entender? O Bezerrão foi construído em 1977 por Valmir Campelo Bezerra, então presidente do Gama, time que hoje está na Terceira Divisão do Brasileirão. O “moderno” Bezerrão é candidato a “Novo Elefante Branco”. (Visite o Blog ATA DIÁRIA – www.correiodeuberlandia.com.br>Blogs da Redação>Ata Diária).
Reforma eleitoral
O governo prepara a reforma política com feição de reforma eleitoral. Na terça-feira passada, o Ministério da Justiça promoveu um debate sobre a proposta que o governo pretende enviar ao Congresso até o fim deste ano. O objetivo, segundo o ministro Tarso Genro, da Justiça, “é fortalecer os partidos políticos e estimular a discussão de idéias”.
Pontos básicos
A reforma concentra-se em três pontos básicos: lista fechada, inelegibilidade e financiamento público de campanha. Atualmente, para se eleger, um candidato precisa pedir dinheiro a setores que, mais tarde, podem cobrar contrapartidas se o candidato se eleger. Contrapartidas que, muitas vezes, podem acabar na contramão do interesse público.
Lista fechada
Um ponto polêmico é a lista fechada que, segundo alguns observadores, aumenta o poder dos dirigentes dos partidos. Alguns destes decidem hoje até quem fala e quem não fala nos programas de TV. Com poder de organizar uma lista de candidatos, alguns se transformarão em caciques morubixabas com direito de decretar vida ou morte a quadros partidários.

A crise que chegou sem pedir licença aos brasileiros pode servir de lição ao governo “como nunca antes neste país”. Com os primeiros sintomas causados pela “marolinha” que antecede à crise, o governo combate os sintomas sem se importar com as causas. Na falta de crédito, libera depósito compulsório dos bancos e cria novas linhas de financiamento para socorrer a indústria automobilística, a construção civil, a agricultura, as imobiliárias, as exportações. Quando o câmbio dispara, o BC oferece dólares para controlar as cotações.
Os especialistas sabem que essa prática é inócua. Com desaquecimento no comércio, Lula aconselha: “Comprem o que o salário puder pagar e não acreditem que o futuro será pior que o presente”. Com este discurso ufanista, o presidente procura vender a idéia de que o Brasil é país blindado e tem o corpo fechado por Mãe Diná contra crises e marolas. Afinal, o que fazer contra a crise de crédito que começou nos Estados Unidos e já causa problemas na Ásia, na Europa e nas Américas?
Circulam no Brasil e no exterior diversas opiniões de especialistas em “marolinhas”. Um delas é do norte-americano Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, que comentou na semana passada: “Em momento de crise, os governos precisam começar a cortar gastos públicos e redirecionar os recursos economizados para investimentos em infra-estrutura que gerem empregos”. (Visite o Blog ATA DIÁRIA – http://www.correiodeuberlandia.com.br/ > Blogs da Redação>ATA DIÁRIA).
Hora de decisão
Disse mais Krugman: “É preciso aproveitar a onda de preocupações que domina a sociedade numa nua situação de crise para arrancar do Congresso as reformas indispensáveis à modernização do Estado: Política, Tributária, Previdenciária e Trabalhista. Esta para desonerar a folha de salários, reduzir o custo País e gerar empregos e renda social”.
Reformas
Reformar é difícil. Para Krugman, “só é possível promover reformas em momentos de crise”. Os estadistas só apareceram no mundo quando houve crise. Até hoje, o presidente Lula governou sem problemas, beneficiado por enorme abundância de liquidez mundial. Agora o Mestre precisa ter jogo de cintura para combater os efeitos da “marolinha”.
Austeridade
Reformas dependem do Congresso que só delibera a toque de caixa. Ajustes orçamentários, o governo pode fazer por vontade política e decisão administrativa. Para enfrentar “marolinha” é preciso reduzir despesas, a começar pelas supérfluas como as emendas de parlamentares ao Orçamento. A hora é boa para acabar com todo tipo de mensalão ou mensalinho.

Na semana passada, um cidadão ligou-me para se queixar que faço “campanha contra a reforma tributária”. Disse ele que “isto é contra os interesses do País”. Informo que nunca fui nem sou contra reforma tributária. O que comento é que o governo federal, os governadores e os prefeitos não aceitam perder receitas tributárias. Então, de acordo com eles, reforma tributária só se for para aumentar impostos e, com isto, os agentes econômicos e os consumidores não concordam. Quando eu disse que o projeto que está em discussão na Câmara Federal é “pra inglês ver”, foi com base na realidade parlamentar. Há poucos dias, influentes governadores (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo) reuniram-se em Belo Horizonte com o mandatário de Minas e pediram aos deputados que “empurrem a reforma para o futuro”. Foi uma proposta protelatória. O governo federal proclama que quer reformar, mas não quer. O presidente da Comissão Especial, deputado Antônio Palocci (PT-SP), marcou uma reunião para hoje. Quer ele concluir as discussões sobre a matéria. A expectativa dele é votar o relatório da reforma até o fim desta semana para que o projeto possa chegar ao plenário. Se passar por dois turnos de votação na Câmara, seguirá para apreciação no Senado. Se for modificado — o que é praticamente certo —, o projeto voltará à Câmara e, neste complicado ritual, a novela continuará por tempo indeterminado, ou melhor: até depois das eleições, em 2010. Daí pra frente, só Deus saberá.
Ritual protelatório
Complicado é o ritual que o Congresso mantém para “discutir democraticamente” matérias complexas como a reforma tributária. O governo finge que deseja aprovar a reforma, mas, na prática, não aceita cortar despesas. Então, alguém tem que financiar as benesses e bondades sociais. Desta forma, reforma tributária só se for para aumentar impostos.
Ação contra
Na semana passada, 16 secretários de Fazenda, entre eles o de Minas Gerais, Simão Cirineu, enviaram uma carta à Comissão Especial da Câmara com um pedido de adiamento da votação da tributária. Um dos principais argumentos foi “o risco de alterar o Sistema Tributário em pleno andamento de uma crise que pode acarretar perda de receitas”. Entendido?
Gato escaldado
Outra crítica dos estados foi “por não estar claramente definido o projeto de compensação por perdas com a mudança na forma de cobrança dos impostos a ser feita por meio do Fundo de Equalização de Receitas”. Este, a ser criado posteriormente. Os governadores estão escaldados com a Lei Kandir, que provocou perdas gigantescas aos estados exportadores.

Quando comecei a aprender redação de texto informativo, meu professor - um jornalista experiente e rigoroso - disse-me sem rodeio: “Seu instrumento de trabalho é a língua portuguesa. Trate-o com carinho e respeito. Não maltrate o vernáculo e lembre-se: Jornalismo não é literatura, é informação. Quando escrever uma notícia, use a voz direta nesta ordem: sujeito, predicado e complemento. Neste jornal, não praticamos linguagem de Camões. Os mares de Camões ‘eram navegados’; aqui navegamos; praticamos o ato de navegar. Notícia não é conto nem crônica. Notícia é informação pura e simples. Quando escrever informação, faça-a sem pompa. Escreva simples como mestre Graça (Graciliano Ramos) e correto como Machadão (Machado de Assis). E lembre-se: escrever simples e correto não é fácil”.
Após ouvir pacientemente e anotar a primeira lição, pedi para me retirar. Quando saía, o mestre sentenciou: “Quando escrever uma notícia nunca use adjetivos. Todo adjetivo serve à ironia ou à bajulação e, neste jornal, não temos intenção de puxar o saco de nenhum ‘ilustre’ nem ironizar qualquer magna instituição”. No segundo contato ouvi atento, mais uma lição do mestre zeloso e sempre alerta: “Jornalista! Quando redigir uma notícia nunca use verbo na voz passiva. Explico por que: nenhum leitor pode identificar um sujeito quando a frase está na passiva.
Neste caso, o sujeito esconde-se num porão. Se você escrever, por exemplo, que “a vítima foi estuprada”, nenhum leitor saberá quem praticou a façanha. Então se você decidiu contar a triste história do estupro, o leitor tem o direito de saber quem foi o estuprador. Então, nunca use verbo na voz passiva para não esconder o sujeito da ação. Finalmente, recomendo-lhe: ao escrever seja positivo; nunca negativo ou barroco”.
A lição foi tão impressionante que dela jamais me esqueci. Hoje a turma jovem não respeita normas em textos noticiosos. O faz-de-conta jornalístico cresce e aparece. Eu, heim?
Simplicidade
Na terceira aula aprendi que precisava escrever com simplicidade máxima. O mestre ensinou: “Nunca use gerúndio em texto noticioso; gerúndio é recurso de escritor. Repórter e escritor trabalham com linguagens diferentes. Escritor é artista; repórter, contista da realidade. Se quiser ser repórter, aprenda as regras; caso contrário, inscreva-se em um concurso de servidor público e vá atender o distinto público”.
“Extraordinário”
Alguns textos informativos gerados atualmente por algumas “assessorias de imprensa” aparecem cheios de adjetivos qualificativos: “excelente”, “positivo”, “extraordinário”, “eficiente”, “supimpa”! Certos “chefes” sentem verdadeiro orgasmo diante de “qualificações bajulativas” que os colocam iluminados na terra brasilis. Talvez por isto é generosa a inserção de qualificativos nos modernos rilises de assessorias.
Modernidade
Como jornalista militante, recebo textos e desenhos animados produzidos por algumas “assessorias de imprensa” - verdadeiras pérolas de desinformação. Alias, “assessoria de imprensa” não imprime nada e, talvez por isto não tem obrigação de informar fatos passados ou futuro, com detalhes jornalísticos. Importantes são os adjetivos, para destacar os astros da constelação que volitam no universo de “assessores”.
Técnica já era
A técnica do texto informativo está doente. Não tem mais importância nos textos informativos de assessorias. A regra que recomendava: “na informação nunca use locuções verbais, caducou. Adjetivos qualificativos, recheados de “puxa-saquismo” valorizam textos de rilises. Eu, encantado com a modernidade assessorial, decidi tornar barroco este texto. Fi-lo “só pra contrariar” os Cavaleiros do Apocalipse Jornalístico Assessorial.

O governo federal sabe que a indústria automobilística tem grande influência sobre outros setores da economia e que uma desaceleração nessa área influencia toda a economia nacional. O governo teme que um processo de desemprego na indústria automobilística produza efeitos desastrosos para os projetos políticos da coalização em 2010. Por isto o comandante Lula monta um arcabouço bilionário para sobreviver à crise financeira mundial em 2009 e chegar com força de disputar a sucessão presidencial em 2010. Numa tentativa de demonstração de força política, o presidente anunciou que o governo dispõe de R$ 100 bilhões para promover investimentos públicos no próximo ano. A idéia é usar valores reais, mesmo que não sejam integralmente desembolsados, a fim de mostrar que a administração federal fará tudo o que puder em defesa do crescimento econômico e do aquecimento constante do mercado. Esta jogada tem por fim estimular a iniciativa privada a tirar projetos da gaveta, mesmo em um cenário de incertezas. Na semana passada, o governo liberou R$ 4 bilhões para o Banco do Brasil repassar aos bancos das montadoras para que estes possam continuar a financiar a compra de veículos automotores. O problema é que os financiamentos de 72 meses sem entrada e sem mais nada caíram para 36 e 48 meses, com 50% de entrada. Os juros também subiram e os consumidores, indiferentes ao noticiário negativo que vem de fora, seguem em compasso de espera, simplesmente sem saber o que é crise.
Retorno de Keynes
Na reunião do G-20, última semana em São Paulo, representantes de países participantes anunciaram que recorreram a cortes de impostos, aumentaram transferências governamentais para o setor produtivo e injetaram recursos públicos na economia para enfrentar a crise financeira internacional. Lula garantiu que já aderiu a esse modelo.
Almirante
“Navegar é preciso”, mas em mar turbulento só com almirante experiente no comando do barco. Os partidos procuram almirantes qualificados para apresentar aos viajantes que embarcarão na aventura rumo a 2010 e destino a um porto seguro. Dilma Roussef — a Mãe do PAC — garantiu que o Filho seguirá firme e forte em direção a 2010, sem medo de crises.
Infra-estrutura
O governo espera contar com vários mecanismos para injetar recursos na infra-estrutura. Um deles, os valores empenhados do PAC. A maioria destes valores ainda não foi paga. Em outubro, havia R$ 26,4 bilhões nessa conta. Há ainda a expectativa pela aprovação no Congresso do projeto do Fundo Soberano de R$ 14 bilhões para espantar a terrível “marolinha”.

Com um lance político audaz, no estilo do saudoso Tancredo Neves (avô do governador Aécio Neves), o prefeito Odelmo Leão reuniu-se na quarta-feira passada com representantes do PMDB local. Foi uma conversa afinada que girou em torno de uma união de forças políticas para defender a candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República em 2010. Para Odelmo Leão, “os mineiros precisam somar forças em torno do “Projeto de Minas” que, neste momento “é levar um mineiro à Presidência da República”. O prefeito defendeu maior representação política de Uberlândia na Câmara e na Assembléia e estimulou o PMDB a lançar candidatos em 2010. Foi uma reunião política marcada por alto nível com a presença do ex-vereador e ex-secretário municipal Silas Guimarães; Renato Celso, ex-diretor do Dmae; Antônio Jorge Neto, ex-vereador, e do empresário Paulo Vitiello, membros da Executiva Municipal do PMDB. Todos mostraram interesse no fortalecimento da representação política de Uberlândia na União e no Estado. Na quinta-feira passada, o prefeito comentou que, com o mesmo objetivo político, espera outra conversa afinada com o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), e com o suplente de senador, Welington Salgado (PMDB). O prefeito apresenta-se disposto e aberto a conversas políticas com todos os partidos, entre os quais o PT, para promover uma “união maiúscula” a favor da candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República em 2010.
Alerta geral
Odelmo, alerta os órgãos de comunicação de Minas Gerais para a atitude política da imprensa paulista. Diz o prefeito que “a mídia de São Paulo” defende com entusiasmo e convicção os interesses daquele Estado, hoje representados pela candidatura do governador José Serra à Presidência da República. O prefeito requer a mesma orientação na imprensa mineira.
Lance arrojado
O prefeito de Uberlândia elegeu-se no primeiro turno com quase 60% dos votos. Agora assume posição de conciliador político e elo disposto a unir os triangulinos em torno de um projeto maior: a eleição de um mineiro para a Presidência da República. Mãos estendidas aos adversários de ontem é posição política singular em Uberlândia. Novos tempos, com certeza.
Iniciado
O prefeito eleito pelo PP deixa de lado o varejo político e passa a atuar no atacado com objetivos predeterminados: aumentar a representação de Uberlândia nos centros de decisões políticas e econômicas do Brasil e do Estado. É um lance político arrojado, marcado pela audácia e habilidade de quem conhece os códigos da política das Minas Gerais.

A Câmara Municipal de Uberlândia criou uma divisão nobiliárquica no estilo do Parlamento inglês: de um lado, a Câmara dos Comuns; do outro, a dos lordes. Na Câmara dos Comuns, o lanche dos servidores — classe hierarquicamente inferior — é “pão francês com manteiga, acompanhado de café, leite e um achocolatado”. O lanche dos lordes (vereadores) é diferenciado. Para Suas Excelências: quitanda doce, quitanda salgada, salgadinhos, queijos, presuntos, quatro tipos de refrigerante e nove variedades de frutas. O lanche dos vereadores é servido em uma sala reservada, no fundo do plenário, com ar-condicionado e acesso controlado e segurança máxima. Só entram os ungidos pelo voto do povo e, por isto, nobres. Imaginem o tamanho do lanche que os nobres vereadores de Uberlândia comem em um ano, sem nenhum remorso: “quitanda salgada, 700 kg; salgados, 800 centos (80 mil unidades); 1.552 refrigerantes pet de 2 litros cada garrafa”; presunto e outras guloseimas. Este baita volume de comes e bebes não deu para atender os lordes até no fim deste ano. Foi preciso aumentar o pedido em 15%. Para justificar a mordomia, a mesa da Câmara explicou, no “Diário Oficial do Legislativo”, que o aumento é “suficiente para cumprir os objetivos e o interesse público que fundamentaram o contrato administrativo”. Senhoras e senhores que, com impostos alimentam os nobres vereadores, qual é o interesse público que brota desta baita comilança — verdadeira mordomia risonha e franca?
Privacidade máxima
Os comuns, que só têm direito a um “achocolatado” com pão e manteiga, não podem entrar na Câmara dos Lordes. Fotógrafo de jornal também não pode fotografar a lauta mesa para não assustar a Tigrada que paga a conta. Alguns convidados, ilustres ou chefes de família com eleitorado generoso, se convidados, também podem conhecer a deliciosa mordomia dos lordes.
Justificativa
Na edição de quinta-feira passada, o CORREIO publicou que, de acordo com um documento da Câmara, o fornecimento de lanches ”visa a facilitar o funcionamento das reuniões legislativas, evitando a interrupção das sessões por parte daqueles que são obrigados a permanecer nas dependências do prédio do Poder Legislativo”. Justificativa fantástica!
Párias
Segundo o CORREIO, “o diretor administrativo (da Câmara) afirmou que o lanche oferecido durante as sessões não é restrito aos vereadores. “Quando comparecem deputados, juízes, vereadores de outras cidades ou autoridades, são convidados a tomar um café.” E explicou: “Os assessores dos vereadores também podem lanchar”. Naturalmente, na Câmara dos Comuns.

A crise financeira que agita o mundo despachou uma “marolinha” para o Brasil. No âmbito político, a prioridade é o debate sobre as eleições de 2010. No PT, pelo menos até agora, nenhum dirigente partidário revelou preocupação com o destino do astro Lula como futuro dirigente da oposição. O PT não admite deixar o Olimpo. O continuísmo está aceso na coalizão — mistura heterogênea de 14 partidos que se unem interessados em levar vantagem em tudo. Nenhuma dos astros desses partidos admite perder espaço no poder a partir de 2010. No PMDB, maior partido desse grupo, a divisão continua firme e decidida a apoiar “quem vai ganhar”. Na oposição, o PSDB, a partir de São Paulo, espera construir uma base competitiva para aproveitar o cenário eleitoral sem o mestre Lula e conquistar o Planalto. A reedição moderna da política “Café com Leite” (Serra no comando e Aécio na vice) é difícil. O prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, um dos estrategistas que trabalham para viabilizar a candidatura presidencial de Aécio Neves, não quer nem pensar neste assunto. O governador honorário de Minas, Rondon Pacheco — um dos principais assessores políticos de Aécio Neves — recomenda ao tucano mineiro que atue nas bases como fez Juscelino. Juça conquistou apoio dos convencionais do PSD e ganhou a indicação para ser o candidato à Presidência em 1955. Aécio poderá arrastar o PMDB, o PSB e outros partidos para 2010. A marcha para o Planalto está firme e forte.
Unanimidade
O presidente Lula continua popularíssimo. O governo federal é alvo de elogios de gregos e troianos, até da culta classe média, mas Lula não poderá candidatar-se à reeleição em 2010. Lula também sabe que não pode transferir popularidade e votos a candidato sem luz própria. O PT e a oposição também sabem. Os 14 partidos da coalização seguem em pânico.
Oposição
A oposição — que não dorme de touca — pega carona na crise financeira internacional com a intenção de tirar proveito político em 2010. Os partidos PSDB, PPS e DEM já começaram a abrir caminho para poderem figurar na corrida em direção ao Planalto. Só falta afinar o discurso que ainda está recheado de liberalismo e oportunismo, mas sem cheiro de povo.
Prosopopéia
Para clarear o futuro, o governo prepara um projeto de reforma eleitoral com cláusula de barreira, infidelidade partidária (seis meses antes de uma eleição pode mudar de partido); lista fechada nas eleições proporcionais, financiamento público de campanhas, inelegibilidade e proibição de coligações proporcionais. É reforma pra boi dormir.

Não me considero pitonisa, catastrofista nem espírito-de-porco. Também não sou ingênuo para me encantar com a terapia positivista do presidente Lula, que considera a crise internacional de crédito como “marolinha” sem conseqüências ou simples retórica de quem não tem o que fazer. Entendo que é melhor admitir que a “marolinha”, que entrou no Brasil sem pedir licença aos políticos da coalização que apóiam governo, pode causar estragos maiúsculos na ordem econômica e acabar com a tranqüilidade na “terra brasilis”. Neste fim de ano não adianta o presidente estimular com palavras os brasileiros e brasileiras para que gastem “sem medo de ser feliz”. Na semana passada, o venturoso Lula disse: “Não tenham medo de comprar uma casinha, um carro, trocar uma televisão ou comprar o primeiro sutiã”. Bela frase de efeito publicitário! Como o presidente não é garoto-propaganda, a mensagem pode ter sido lançada para manter o clima positivo, movimentar o comércio e acenar positivamente para 2010. Depois da chegada da “marolinha”, o mar não está pra peixe nem é de almirante. Os jornais falam em fechamento de vagas de trabalho na indústria automobilística, férias coletivas, encarecimento do crédito e queda no crescimento econômico. A previsão do governo é de 5% de crescimento em 2009. Era. Analistas econômicos já falam em 3% ou menos. Não adianta o supermarqueteiro Lula dourar a pílula para influir nas eleições de 2010. E a poderosos Dilma? Quem é esta gentil senhora? Candidata a quê?
“Marolina”
Na hora da “marolina” não adianta acusar os países ricos pela desordem financeira internacional como fez o presidente Lula na reunião do G-20, em São Paulo, na semana passada. Não tem sentido acusar os ricos de serem os responsáveis pela desordem financeira que sacode o mundo. A hora é boa para procurar soluções, não para acusar fantasmas cintilantes.
Poesia pura
A reunião do 20 em São Paulo foi poética. Um dos ministros falou que a economia mundial atravessa por um momento grave. Nenhuma novidade. Outro falou que o mundo já está em recessão. Fazer uma reunião de executivos de 20 países importantes para chegar a esta conclusão é brincadeira de esconde-esconde. Futurismo tem hora e bonito em literatura.
Visão do amanhã
A “marolina” que já chegou ao Brasil não é tsunami, mas também não é “bolinho”. Tio Sam mandou dizer que se não houver mercado comprador na terra dele nem na China, as commodities do Brasil ficarão armazenadas por aqui e os agricultores terão que empinar papagaios no Banco do Brasil. E o petróleo do pré-sal? Ficará deitado em berço esplêndido.

O prefeito Odelmo Leão, após a eleição que lhe deu mais quatro anos de mandato executivo, decidiu promover uma minirreforma administrativa. Segundo mandato nunca é igual ao primeiro. Os tempos mudam, o cenário econômico se transforma e, em 2010, haverá eleições para presidente da República, governador, dois terços do Senado e renovação na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa. Nesse período, o processo político será mais dinâmico do que o administrativo. Experiente, Odelmo encomendou um projeto de reforma administrativa municipal à equipe do vice-governador, professor Anastasia. Este comandou o “choque de gestão” no governo de Minas. Só depois do projeto de reforma pronto, o prefeito anunciará o novo secretariado. No entanto, uma decisão já foi tomada: a Administração Municipal, no segundo mandato, será por objetivos e metas a cumprir. Por este processo, o chefe do Executivo indicará as metas de trabalho a serem cumpridas e, a cada 30 dias, fará reuniões com o secretariado para avaliar o desempenho de cada um. Secretário que não cumprir as metas previamente traçadas poderá ser substituído. Os acordos políticos acertados com os partidos serão respeitados, mas os agentes executivos do primeiro escalão podem ceder o lugar a outros. O prefeito prepara-se para ficar livre a fim de participar do processo político-eleitoral no Estado e trabalhar no “Projeto de Minas”, cuja finalidade é levar o governador Aécio Neves ao Palácio do Planalto em 2010.
De olho em 2010
O modelo de administração por objetivos previamente definidos e metas a cumprir tem por fim deixar o prefeito livre para cuidar de política. Odelmo tem à frente grandes desafios: viabilizar a candidatura de Aécio Neves à Presidência da República e apoiar a eleição de representantes do município para a Câmara Federal e Assembléia Legislativa em 2010.
Esperar é preciso
Qualquer mudança no secretariado municipal só se viabilizará depois que o prefeito examinar o projeto de reforma administrativa sugerido pela equipe técnica do vice-governador. Antes de conhecer essa proposta, o prefeito Odelmo Leão não se manifestará. Sobre o futuro secretariado, o prefeito espera, paciente, como passarinho na muda: não canta nem pia.
Silencio total
Quem acompanha de fora o desempenho administrativo em alguns setores da Prefeitura, especula que pode não haver mudança na Saúde, Finanças, Educação e Serviços Urbanos. O prefeito poderá desmembrar algumas secretarias, criar ou extinguir outras. Nada definitivo. Por enquanto só especulações que correm entre apostadores virtuais.