
O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, depois de comemorar a vitória da aliança informal com o PSDB para eleger o empresário Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte, pode transformar-se em um general sem tropa no PT. No fim da semana passada, representantes do Partidão (PT) com atividade em mais de 100 municípios, reuniram-se em Ponta Nova, cidade do Sudeste do Estado e decidiram apoiar o ministro do Programa Fome Zero, Patrus Ananias, candidato ao Palácio da Liberdade, em 2010. Pimentel, também aspirante a candidato ao Governo do Estado, precisa ganhar apoio no PT para viabilizar a candidatura na convenção do Partido. O grupo liderado por Patrus tem apoio do ministro Luiz Dulci (Secretaria da Presidência da República) e considera a coligação informal com os tucanos, inspirada por Pimentel, como “movimento espúrio no PT”. Essa coligação foi classificada em Ponte Nova como “movimento adesista ao PSDB e a favor do projeto político do governador Aécio Neves”. O “Movimento Coerência” defende a candidatura de Patrus Ananias em 2010 e rejeita qualquer tipo de coligação com o PSDB. Também prega o retorno do PT às origens socialistas contra os sociais democratas do PSDB. Para os líderes do “Movimento Coerência”, o prefeito Fernando Pimentel é hoje um “morto-vivo no PT”. Está clara a radicalização contra o prefeito da capital que terá que ter forte e hábil jogo de cintura para manter-se candidato a governador no Partido do Presidente Lula.
Isolamento
O prefeito de BH, Fernando Pimentel está isolado no PT e é pouco conhecido nos diretórios do interior. Na avaliação do Grupo Coerência, “Pimentel não tem projeção fora da capital para ser candidato do Partido a Governador”. Este Grupo trabalha com agilidade para transformar em consenso a candidatura de Patrus Ananias ao Palácio da Liberdade.
Poder familiar
Em Uberlândia o PT também está divido entre o Grupo da família Prado que comanda o Partido no município (Weliton, deputado estadual e Elismar, deputado federal) e o que segue o deputado federal Gilmar Machado. Gilmar e Elismar, em 2010, devem se candidatar à Câmara Federal e Weliton trabalha para conquistar apoio no PT para candidatar-se ao Senado.
Aspirantes
Se Weliton conquistar apoio do Diretório Estadual para candidatar-se ao Senado, disputará uma das duas vagas de Minas na eleição de 2010. Caso não seja escolhido pelo Diretório Estadual do PT para essa disputa, certamente tentará reeleger-se para a Assembléia Legislativa. O que não falta no PT local é aspirante a uma cadeira na Assembléia e na Câmara.
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Os políticos acostumados a acompanhar o Jogo do Tinhoso na História Política do Brasil começaram a desconfiar que o estrategista Lula da Silva recebeu orientação para desnortear e derrotar os adversários. O comandante do PT escolheu, a dois anos das eleições, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para candidata à comandante do Planalto em 2010. Na prática, Lula mantém oculto o nome sugerido pelos deuses do Planalto para a missão. Lula faz intervenções veladas na oposição. Uma delas ficou clara há poucos dias e tem a intenção de expor na mídia, por antecipação, a aspiração presidencial do tucano José Serra. Assim semeia desavenças no Ninho dos Tucanos. A intenção é queimar o principal candidato da oposição na mesma fogueira onde também deverá ser assada Dona Dilma Rousseff. Não é preciso muito esforço para entender esta estratégia de Tinhoso. Algumas cabeças coroadas do PT já começaram a desconfiar que Lula escolheu o José Serra para ser o contraponto a Dilma. Serra já foi candidato a presidente e, com os efeitos da marolinha no Estado de São Paulo — o mais industrializado do País — até o começo de 2010 estará desgastado e pronto para ser assado na “Fogueira Santa da Sucessão” montada por Lula. Para aguçar as ambições de Serra, Lula mandou o Banco do Brasil pagar R$ 5,38 bilhões pela Nossa Caixa. Botou grana viva no cofre de São Paulo, administrado por Serra. Como dinheiro na mão é vendaval, a estratégia de Belzebu está montada, com Dilma Roussef e José Serra no limbo.
Negócio perfeito
A venda da Nossa Caixa foi um bom negócio para o governador paulista, José Serra. A compra foi bom negócio para o Banco do Brasil. A crise econômica mundial pode desgastar os deuses do Planalto e o do Palácio dos Bandeirantes, na mesma proporção. O dinheiro da venda da Nossa Caixa servirá, nesta altura do campeonato, para inflar a ambição de Serra.
Efeito da marolinha
A crise econômica mundial (“marolinha”) pode reduzir a arrecadação dos governos estaduais, principalmente em São Paulo, Estado mais industrializado da paróquia. José Serra precisa de dinheiro para investir em obras de interesse social e Lula precisa de Serra como contraponto para a disputa eleitoral em 2010. Este jogo é diabólico, podem acreditar.
Retorno calculado
Quando foi derrotado na eleição presidencial por Lula em 2002, José Serra viajou para descansar no exterior e de lá acompanhou a constituição do governo do petista. Hoje, Lula tem dois candidatos: Dilma e Serra. Se ganhar um ou outro será fácil para o liberal Luiz Inácio Lula da Silva retornar ao Planalto na eleição de 2014. Este é bem jogo calculado.
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Há dias, o governo anunciou que enviará ao Congresso um projeto de reforma política. Não será reforma política, mas simplesmente um rearranjo eleitoral. Reforma política incluiria mudança no sistema presidencialista com possível substituição deste por parlamentarismo, troca da República por Monarquia, instituição de um Legislativo unicameral representado por uma Assembléia, sem Senado. Nada disso constará da proposta de reforma do governo, cujo objetivo central é reduzir o número de partidos e criar financiamento público de campanhas eleitorais. Hoje o sistema político brasileiro está caótico. O eleitoral, também. Os 27 partidos nacionais não defendem princípios; são sociedades civis, de direito privado, habilitadas a registrar candidaturas. No Brasil, partidos socialistas, trabalhistas ou liberais falam a mesma língua e perseguem os mesmos objetivos. Não há regra ou exigência que obrigue os partidos políticos brasileiros a uma identidade definida. Todos só pensam em “levar vantagem em tudo”, na situação ou na oposição. Cada voto de parlamentar da coalização que apóia o governo custa caro na hora de projetos de lei ou Medidas Provisórias. Sem bombom não tem apoio, não tem solidariedade.
Para governar é preciso oferecer bondades, benesses ou mensalões à “cumpanheirada”. Fidelidade partidária é conversa pra boi dormir. O STF que tenta moralizar o jogo eleitoral não conhece “fidelidade partidária moderna”. O STJ “legisla” para consertar as trapalhadas partidárias.
Liberdade eleitoral
Hoje a cada eleição é preciso lançar novas regras eleitorais para “reorganizar a propaganda e evitar ação do poder econômico”. Manipular eleitoralmente igrejas salvacionistas e sindicatos é bom pra conquistar a massa e obter resultados eleitorais. Os militantes partidários sonham com apoio incondicional da Tigrada. Quem pode, pode. Quem não pode, não pode.
Flexibilidade
Com a legislação eleitoral flexível é possível mudar no Brasil as regras do jogo a cada eleição. FHC criou a reeleição. Hoje se fala em acabar com essa prática para acomodar interesses políticos ocasionais. Diante de aspirações de poder, cresce um movimento para prorrogar os mandatos até 2012, com Lula no Planalto e Aécio no Liberdade. Lindo, né?
Reforma encantadora
No Congresso crescem os encantos com a reforma política prometida por Lula. Cresce também o interesse dos atuais parlamentares pela Lista Fechada de Candidatos. Seria garantia de reeleições permanentes até a aposentadoria por morte. Isto e o financiamento público de campanhas eleitorais transformariam o Parlamento Caboclo em Paraíso Tropical.
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Os estrategistas políticos do Palácio do Planalto parecem preocupados com os efeitos da “marolinha” no projeto de poder do presidente Lula em 2010. Há poucos dias, o comando estratégico da Comunicação Social aconselhou Lula a aprovar uma campanha publicitária nacional para animar a Tigrada a passar por cima da crise internacional de crédito, com a cabeça erguida e fé no futuro. A campanha deverá tranqüilizar os endividados e aconselhá-los a gastar o que o salário puder comprar neste fim de ano para manter a produção industrial aquecida e o comércio ativo. Esta é uma receita brasileira para enfrentar a “marolinha”. A campanha promete ser linda, verde como a esperança e amarela como ouro de aluvião. Em uma reunião recente, no começo desta semana, na Granja do Torto, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, apresentou o projeto aos outros ministros e comentou: “É pra vocês conhecerem o terreno onde pisam”. Na promoção, o governo mostrará que o Brasil está com o corpo fechado para marolas, marolinhas e tornados, porque o presidente Lula fez o dever de casa. Por isto o País pode atravessar, incólume, qualquer tempestade, venha de onde vier, tenha a intensidade que tiver. A idéia central da campanha é manter a confiança no governo e insinuar esperança na Mãe do PAC como sucessora de Lula a partir de 2011. O Palácio do Planalto parece preocupado com os efeitos maléficos da “marolinha” no projeto de poder do PT em 2010. A “marolinha” parece “tinhosa” demais para ser ignorada.
Firme como rocha
As peças da campanha publicitária em formatação no Planalto mostrarão que o Brasil está firme como rocha e blindado por uma reserva internacional de US$ 200 bilhões; o governo tem experiência de outras crises cabeludas e sabe navegar em rios cheios de piranhas, jacarés e outras feras. A idéia é manter a Tigrada confiante na mística do Cavaleiro da Esperança.
Dever cumprido
Para Franklin Martins, idealizador da Campanha, “a crise é grave e requer medidas urgentes, mas o Brasil hoje está mais preparado do que a Coréia, a Rússia e a Índia, para enfrentá-la, não apenas porque o presidente Lula é homem de sorte, mas também porque o governo fez o dever de casa”. Tigrada, o Brasil sabe a ginga da capoeira e vai botar pra quebrar!
Promessa forte
O conjunto de ações da campanha publicitária enfocará o controle da inflação, a formação de reservas internacionais e, sobretudo, a garantia do governo de que haverá oportunidades de progresso para todos, melhoria na saúde, na educação, na segurança pública e a Bolsa Família, recheada de bondades para o povo, continuará intocável no presente e no futuro!
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As transferências do ICMS do Estado para Uberlândia serão maiores em 2009, em parte por causa do VAF (Valor Adicionado Fiscal) gerado pela fabricação de cigarros da Souza Cruz que, durante 20 anos, foi contabilizado em Contagem.
Segundo as projeções da Secretaria de Estado da Fazenda, Uberlândia, que em setembro deste ano recebeu R$ 18,9 milhões, receberá, a partir de janeiro de 2009, mais de R$ 19 milhões mensais. O VAF da Souza Cruz, cuja fábrica está em Uberlândia, há 20 anos foi calculado em Contagem, onde está o maior Centro de Distribuição de Cigarros da empresa. A transferência para Contagem ocorreu por decisão do governador Newton Cardoso. O retorno para Uberlândia ocorreu no dia 25 de janeiro de 2007 pelo Decreto Estadual nº 44.442 (Ajuste de Transferência). Esta decisão deu-se a pedido do prefeito Odelmo Leão e decisão do governador Aécio Neves. A situação era assim: Uberlândia produzia os cigarros e os “exportava” para Contagem onde está o Centro de Distribuição da Souza Cruz. Os cigarros eram “exportados” ao custo de produção, operação que inflava o VAF de Contagem. Agora o produto industrializado é “exportado” ao custo de mercado e gera maior VAF em Uberlândia. Contra esta mudança, a prefeitura de Contagem impetrou mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Estado para revogar o decreto estadual. Está armada a “Guerra do ICMS da Souza Cruz” entre Uberlândia e Contagem. A prefeitura de Contagem não se conforma em perder boa fatia do ICMS para Uberlândia.
Legalidade
A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), questiona a legalidade do decreto do “Ajuste de Transferência”, que, para ela, “fere os critérios da Lei do ICMS. O secretário da Fazenda de Contagem, Dalmy de Freitas, disse que “em decorrência do Ajuste de Transferência, Contagem perdeu R$ 6,3 milhões ao ano e Uberlândia ganhou R$ 31,6 milhões”.
Reação de Odelmo
Em entrevista ao “Estado de Minas”, o prefeito Odelmo reagiu: “A Constituição Federal é clara e determina que cabe ao Estado fazer a regência do ICMS. A fábrica (da Souza Cruz) é aqui, as questões sociais dos trabalhadores estão aqui, as escolas que temos de oferecer aos filhos (dos trabalhadores) estão aqui. Assim também a saúde e a segurança”.
Defesa de um direito
Odelmo avisou que, “embora o mandado de segurança interposto por Contagem tenha por objetivo suspender o decreto do “Ajuste de Transferência do VAF para Uberlândia, não queremos nada dos recursos gerados pelas fábricas de Contagem. Só queremos o que é nosso e até pensamos em recuperar na Justiça R$ 320 milhões que Uberlândia perdeu para Contagem em 20 anos”.
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Antes de a ‘marolinha’ que pode danificar a economia se instalar no Brasil, o presidente Lula, hábil estrategista político, imitou os roceiros de Minas e usou a técnica do ‘ovo indez’ para multiplicar candidatos à presidência da República, na base situacionista. A intenção é escolher o menor nome da situação para disputar a Presidência da República em 2010. Os roceiros sabem que se uma galinha puser um ovo e alguém o tirar, ela não botará mais no mesmo ninho. O ‘ovo indez’ é aquele deixado no ninho para a galinha continuar botando no mesmo lugar.
No processo político situacionista, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, é o ‘Ovo Indez’, lançado no ninho pelo estrategista Lula para evitar disputar antes da hora. Depois da postura de vários nomes, Lula escolherá um para a própria sucessão. Este nome pode ser o de dona Dilma ou outro com maior cacife eleitoral. Quem escolherá o candidato será Lula, o político de maior poder da coalização aliada.
O estrategista eleitoral Luiz Inácio Lula da Silva sabe que, se a ‘marolinha’ embolar o jogo sucessório no meio-do-campo, será preciso rebolar no quadrado para manter os aliados unidos na guerra eleitoral. Por isto, o Palácio do Planalto já tem um Plano Alternativo: prorrogar os mandatos até 2010 sob o argumento de que é preciso unificar todos os mandatos para promover eleições em um só dia e de quatro em quatro anos. Eleições de dois em dois anos são desgastantes para políticos e não agrada a todos os eleitores. Falooou!
Saneamento básico
A Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa se reúne hoje, às 10h, para discutir a criação de uma entidade reguladora e fiscalizadora de serviços de saneamento básico em Minas. O presidente da Comissão, Weliton Prado explicou, por meio de assessoria, que “a intenção é conhecer o andamento do processo de criação da nova entidade” (sic).
Convidados especiais
Informou ainda a assessoria de Weliton Prado que “foram convidados para a reunião (da Comissão de Assuntos Municipais) representantes dos governos federal, estadual e municipais, das empresas prestadoras dos serviços de saneamento, do Ministério Público Estadual e da sociedade civil”. O debate terá aspectos da lei federal que regula serviços de saneamento básico.
Controle de tarifas
Ainda de acordo com a nota da assessoria de Weliton Prado, a lei federal “adota critérios econômicos, sociais e técnicos, define tarifas e medidas que evitem o abuso do poder econômico, bem como a fiscalização das atividades dos prestadores (?) com vistas à satisfação dos usuários dos serviços”. À vista, o controle de tarifas de água e de esgoto.

O prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, assumiu o papel de apoiador superpartidário da candidatura do governador Aécio Neves à presidência da República, em 2010. Para o líder do PP, a candidatura do governador de Minas interessa a todos os mineiros e não só a partidos da situação no Estado. O prefeito defende o “Projeto de Minas com Aécio em 2010“. Odelmo, por oito anos consecutivos, foi líder do PP, partido da base de apoio ao presidente Fernando Henrique (PSDB), na Câmara Federal, e foi secretário da Agricultura do governo de Aécio Neves no primeiro mandato deste. Na eleição de outubro passado, com apoio do governador, Odelmo Leão reelegeu-se prefeito no primeiro turno, com quase 60% dos votos do maior colégio eleitoral do Triângulo Mineiro. No momento, a tese do prefeito é simples e clara: se os mineiros se unirem em torno do nome de Aécio Neves para sucessor de Lula em 2010, o tucano que governa Minas será imbatível em 2010. Com este argumento, o prefeito já começou a se movimentar no Estado e nos principais centros de decisões políticas em Brasília.
Na semana passada, Odelmo Leão conversou demoradamente, em Brasília, com o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB) — virtual candidato a governador em 2010 —, e com o suplente de senador Wellington Salgado (PMDB), empresário mineiro que representa Minas no Senado. A conversa, para quem acompanha política, foi uma sondagem de campo ou semeadura de idéias que pode resultar em decisões expressivas no terreno das articulações políticas com vista à eleição de presidente da República em 2010. Hélio Costa, que é mineiro e conhece as normas do Código Político das Gerais, conversou animadamente com o prefeito e prometeu voltar a discutir o assunto após analisar a tese da União dos Mineiros. O fato mais importante da reunião do prefeito com o ministro Hélio Costa foi o debate em torno do “Projeto de Minas com Aécio para 2010”. Hélio Costa está pré-candidato ao Palácio da Liberdade na próxima eleição.
Estilo mineiro
A conversa do prefeito de Uberlândia com o ministro das Comunicações e com o suplente de senador Wellington Salgado foi um passo importante na fase de articulações que antecede à escolha de candidatos a governador do Estado, senador de Minas, deputado federal e deputado estadual para as eleições de 2010. Em eleições passadas, como candidato a governador, Hélio Costa recebeu apoio eleitoral do grupo político de Odelmo Leão.
União nacional
O prefeito Odelmo defendeu em Brasília uma Frente Parlamentar apartidária, em defesa de um Projeto Político Nacional. O prefeito de Uberlândia está convicto de que se os mineiros se unirem em defesa da candidatura do governador Aécio, no segundo maior colégio eleitoral do Brasil (Minas Gerais), os tucanos dos estados da Federação apoiarão, na convenção nacional do PSDB, a indicação de Aécio para suceder Lula.
Pressão política
Em Brasília, uma Frente Parlamentar integrada por representantes da situação e da oposição (senadores e deputados) pressiona governadores para que incluam no Orçamento de 2009 recursos para pagar o piso salarial aos professores. O piso foi fixado em R$ 950 mensais e aumentou a carga horária na educação básica. Os governadores do Rio Grande do Sul, Ceará, Mato Grosso do Sul e do Paraná afirmam que não podem cumprir a lei.
Sem recursos
O pagamento do piso, segundo a lei que o criou, pode ser escalonado com o valor integral a ser efetivado a partir de 2010 com uma jornada de trabalho fixada em 40 horas semanais. Os governadores alegam que a lei é inconstitucional porque cria obrigações orçamentárias aos estados. Governadores do Nordeste alegaram recentemente que, para cumprir a lei, será preciso passar por cima da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Pessoal escrivinhador que atua em jornais e nas agências da publicidade, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, será preciso usar a nova ortografia da Língua Portuguesa. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a transposição da norma atual para a nova não é fácil. Um exemplo é a palavra “gajo”. Há mais de 100 anos não se usa esta palavra no Brasil, mas ela está viva em Portugal. Entre as mudanças ortográficas atuais uma das mais complexas é a do hífen. Este sinal desaparece em três situações: a primeira, em palavras compostas em que a noção de composição se perdeu, como — pára-quedas. O hífen desaparece ainda quando a segunda palavra começa com r ou s. Neste caso, duplicam-se as consoantes, como em contra-regra (contrarregra) e ultra-sonografia (ultrassonografia). Bárbaro, não é? Para quem quiser entender esta “revolução”, se o prefixo termina com vogal igual à que começa a segunda palavra, leva hífen. Nos casos em que não são hifenizados atualmente, acrescenta-se o sinal, como em arquiinimigo (arqui-inimigo). O hífen é uma questão complicada, que gera dúvida. Muitas dúvidas. A perda da noção da composição da palavra é subjetiva. Para os casos mais difíceis, as autoridades da Educação deverão olhar com atenção, palavra por palavra, a fim de esclarecer as dúvidas da Tigrada. A nova ortografia é dose pra elefante. Não adianta espernear.
Pronto-socorro
Não é preciso perder a paciência. A Academia Brasileira de Letras (ABL) trabalha para criar um vocabulário ortográfico, com a unificação das regras da nova grafia da “Língua Portuguesa”. Esta providência servirá a quem não quiser fazer força e preferir comer tudo mastigado antes de engolir. Os livreiros do Brasil e de Portugal comemoram o novo mercado.
Trema terrível
Para quem não quer se preocupar com o trema que ainda hoje se usa em algumas palavras, é preciso saber que a palavra “lingüiça”, a partir de janeiro, não escreveremos com trema. A grafia correta será “linguiça”. Para nós, brasileiros, muitas palavras com trema não as pronunciamos com esse sinal gráfico. Não é assim em “língua? Essa reforma não é linda!
Novos tempos
Maior que a confusão da reforma da Língua só esta: “A Oposição pega carona na crise financeira internacional para tirar proveito político mirando a sucessão do presidente Lula em 2010”. Tem base? Não é por acaso que o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse em Belo Horizonte que “o governo federal lida é com turbulências econômicas”! Será?

Quando o presidente Lula sancionou a lei seca, comentamos neste espaço que se a fiscalização não fosse intensa e constante, logo as proibições legais cairiam no esquecimento tal como ocorreu com a lei que proibiu venda de bebidas alcoólicas nas estradas. Não deu outra. O balanço da Polícia Rodoviária Federal, divulgado no mês passado sobre os 90 dias de vigência da lei seca, é preocupante. Em comparação com o mesmo período de 2007, o número de mortes e acidentes nas rodovias federais continua em queda, mas a redução já não é tão acentuada quanto nos primeiros dois meses após a lei seca entrar em vigor. A redução do número de mortes era de 11% até 20 de agosto; hoje, o percentual é de 8%. O total de acidentes fatais seguiu o mesmo ritmo: há 30 dias, o percentual de acidentes foi 14% em relação ao mesmo período de 2007; agora, a redução é 10%. A perda de eficácia da lei é conseqüência do afrouxamento da repressão. Se a tropa do bafômetro não for para as ruas, a lei acabará por se transformar em nulidade. Para a PRF, o relaxamento é culpa dos órgãos municipais de trânsito que estariam relaxando a fiscalização nas zonas urbanas. A PRF sustenta que os motoristas flagrados bêbados nas estradas consumiram álcool dentro das cidades e, portanto, deveriam ter sido apanhados antes de chegar às rodovias. Pura formalidade. A verdade é que, se a fiscalização não for constante, a lei será um instrumento legal que desaparecerá sem reduzir a estatística de acidentes por embriaguez.
Questão de hábito
Após a vigência da lei seca, várias pessoas, acostumadas a beber em bares depois do trabalho, mudaram de ponto e continuaram na ativa. Em várias cidades cresce o número de bares que organizam entregas de bebidas em domicílio. O ponto de encontro no bar passou a ser na casa de alguém da confraria. Alguns se arriscam a ir para casa “mamados”.
Horário de verão
Uma das causas do aumento de acidentes de trânsito tem sido o consumo imoderado de bebidas alcoólicas, principalmente no “horário de verão”. É o que mostraram os relatórios da PRF em anos anteriores. Além de alterar o relógio biológico e provocar estresse, os dias mais longos, nos fins de tarde, convidam as pessoas a beber mais e mais.
No carnaval
No Brasil, parte dos motoristas se locomove para festividades onde a bebida corre solta. Exemplo: carnaval e fim de ano. A maioria dos motoristas é de jovens que, após beber sem moderação, envolvem-se em acidentes. É o que mostram as estatísticas policiais. Sem educação adequada, só a lei seca ajudará a evitar acidentes lamentáveis.

Li, com atenção de jornalista, a entrevista do empresário rural e ex-prefeito de Uberlândia Paulo Ferolla, ao CORREIO, publicada na quarta-feira passada. Algumas declarações do novo presidente do Sindicato Rural chamaram-me à atenção. Uma delas foi a influência que o saudoso prefeito Virgilio Galassi ainda exerce em alguns setores organizados da cidade. Disse Ferolla: “Retornei ao cargo (presidência do Sindicato) atendendo ao pedido do ex-prefeito Virgilio Galassi”. Virgílio morreu no começo deste ano. Disse ainda Ferolla: “Não me candidatei. Me candidataram. Foi o último ato dele (Virgílio) antes de morrer. Eu não queria voltar. Mas não sei negar nada para ele (Virgílio)”. O presidente eleito tem uma missão especial, porque terá que cumprir a vontade de uma das mais ilustres personalidades de Uberlândia, o ex-líder dos ruralistas municipais Virgílio Galassi. Esta não é missão fácil. Na realidade, o senhor Paulo Ferolla, que já foi prefeito do Município, assume a presidência de um sindicato tradicional, conceituado, em um momento diferente daquele que ele conheceu no início da década de 1970 quando presidiu a instituição. Os petistas, que há 35 anos eram considerados “perigosos comunistas”, estão no poder da República e ditam a política rural para o País. O mundo também mudou e com ele a atividade rural, que, de negócio de família passou a ser negócio empresarial sofisticado, competitivo, dependente de jogo político internacional comandado por agronegóciadores.
Poder político
Hoje os problemas dos produtores rurais não são mais resolvidos por vontade política. O mercado é que dita as normas da competição. O presidente Ferolla tem por missão orientar os produtores para a competição global. O Sindicato, como outras associações de classe, não tem força política. Esta força está hoje nos partidos e nos políticos.
Desunião
Ferolla disse na entrevista: “Nosso principal problema é a falta de união”. Esta é uma realidade nacional que identifica todas as associações de classe. O que une produtores sindicalizados é a ação do Sindicato. O que aproxima produtor de uma associação é a necessidade. Ao presidente Ferolla cabe, neste momento, a responsabilidade de mudar a realidade.
Exemplo singular
Disse ainda Ferolla: “Nossa atividade rural cresceu muito”, mas “nossas autoridades nunca deram o reconhecimento que os produtores rurais merecem”. Peço licença para discordar e lembrar: Rondon Pacheco, como autoridade política, apoiou a plantação de café e grãos nos cerrados e mudou pra melhor a produção agrícola no Brasil. Este não merece crítica.