
O espaço da Coluna Algar Lê de hoje, mais uma vez, é preenchido com um depoimento da professora e orientadora educacional Delize Aparecida Campos Oliveira*, responsável pelo projeto na Escola Municipal Amanda Carneiro Teixeira.
Fim de caminhada...
Quando o fim do ano letivo se aproxima é hora de se sentar e fazer um balanço, para checar os tropeços e as conquistas e assim nos reprogramarmos para o próximo ano.
Isto, na linguagem pedagógica, chamamos de ‘avaliação diagnóstica para replanejamento’, expressão usual na educação, mas que simplesmente poderíamos resumir em repensar nossa prática para planejarmos nosso trabalho futuro.
Neste ano, a utilização do jornal em sala de aula acrescentou na prática dos educadores a possibilidade de fazer valer os chavões muito utilizados no nosso meio que são: “trabalhar com a realidade” e “contextualizar o conhecimento”.
Muito ao contrário do que a maioria dos professores pensam, por exemplo, ‘que trabalhar com jornal dá trabalho’, ‘que é mais uma coisa para se preocupar’, ‘que já tem muito conteúdo para trabalhar’ etc... o jornal vem para somar. Ele é recurso, instrumento de trabalho.
No decorrer do ano, assim que os conteúdos vão se seguindo, basta o professor buscar no jornal uma notícia que explore o assunto da grade, palavras e imagens, propagandas, cartas, agendas, fofocas, diversão...
É uma grande variedade de opções. Não nos cabe aqui especificar quais.
Só é difícil trabalhar com este recurso se não se tem criatividade ou não se busca ajuda e orientação de como fazê-lo.
Constantemente dizemos aos nossos alunos ‘que não tem problema errar’, ‘que escola é lugar de errar, porque é lugar de aprender’; mas precisamos principalmente ter em mente que o professor também faz parte desta regra. O professor só não pode deixar de tentar, de ser pesquisador e inovador.
Como coordenadora do projeto “Algar Lê” em 2008, na Escola Municipal Amanda Carneiro Teixeira, pude perceber e acompanhar o crescimento dos alunos e dos professores diante dos desafios que o projeto propõe. E com certeza houve um grande crescimento dos estudantes com relação ao processo de leitura e escrita. Mas principalmente, eles se apropriaram do jornal, ele passou a fazer parte da vida deles, deixou de ser um objeto estranho para se tornar um aliado, um estímulo para a prática da leitura e escrita.
Quando nós professores discutimos e lemos os estudiosos da educação é comum encontrarmos fala que alerta para a importância de exercitarmos a função social da leitura e escrita.
Trabalhar com jornal é colocar isto em prática.
É pena que este recurso não possa chegar a todos os educadores. Mas é compreensível, haja vista o custo, além do fato de que nem todos os profissionais se dispõem a utilizá-lo. Afinal, especificamente no caso do projeto Algar Lê, junto ao privilégio de receber diariamente os exemplares para serem utilizados nas aulas estão as responsabilidades e as metas a cumprir.
Mas... enfim, como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
Feliz Natal a todos os leitores e um 2009 repleto de paz e harmonia.
*Delize Oliveira é orientadora educacional da E. M. Amanda Carneiro Teixeira e professora na E. E. Antônio Thomaz Ferreira de Rezende.

| Algar Lê |
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A professora Maria da Glória Araújo com seus alunos da 4ª série 1, turno tarde, da Escola Municipal Professor Leôncio do Carmo Chaves |
A professora de 4ª série da Escola Municipal Professor Leôncio do Carmo Chaves, Maria da Glória Silva Araújo, tem 15 anos de experiência em sala de aula e há 5 utiliza o jornal como ferramenta pedagógica. Formalmente, como professora cadastrada no projeto Algar Lê, seu trabalho iniciou-se neste ano, mas, independentemente disso, ela é uma defensora convicta da utilidade e necessidade do uso do impresso na educação.
Maria da Glória afirmou que a evolução dos alunos é algo evidente logo nos primeiros meses de trabalho com o jornal, e que, além disso, é um material que favorece a autonomia dos estudantes. “Planejo algumas atividades que permitem deixá-los livres para escolherem o que querem ler em meio à diversidade das páginas do jornal. Essa liberdade instiga a curiosidade e, por maior que seja a reportagem, eles lêem. Isso nem sempre acontece com os livros”, afirmou. Outra característica que Maria da Glória atribui ao sucesso alcançado a partir da utilização do impresso é a sua linguagem. “A literatura enfeita muito, é fantasiosa e nem sempre consegue prender a atenção do leitor. O jornal é real, conta aquilo que acontece no cotidiano ao qual os alunos também estão inseridos, eles se sentem próximos e se vêem refletidos nas reportagens”, afirmou.
A educadora contou que seus alunos estão totalmente familiarizados com o veículo de comunicação, e o mais importante é que o interesse pela leitura cresceu de maneira geral. Ela afirmou que hoje eles lêem muito mais do que liam no início do ano. Além disso, ela ressaltou que eles estão mais desinibidos, conseguem se expressar melhor oralmente, participam mais das aulas fazendo comentários coerentes e melhoraram consideravelmente a ortografia e o vocabulário. Ela sempre pediu para anotarem as palavras desconhecidas durante as atividades e depois pedia para pesquisarem seus significados no dicionário. “O jornal é um material tão necessário à escola quanto os livros. Não só para ser trabalhado nas aulas de língua portuguesa, mas em todos os conteúdos. Não podemos abrir mão de contar com este recurso tão rico, diversificado, e, que agrada tanto aos estudantes”, afirmou a professora.

Priscilla Melo
algarle@correiodeuberlandia.com.br
Mais de um mês após as eleições municipais, o assunto ainda rende atividades bastante interessantes nas escolas. A profesora Tatyana de Oliveira Souza Peres, da 4ª série, sala 18, da Escola Municipal Sebastiana Silveira Pinto, que é educadora atuante no projeto Algar Lê, desenvolveu uma seqüência de trabalhos com o tema que, de acordo com ela, agradou em cheio aos estudantes e atingiu os objetivos.
“Minha principal intenção foi trabalhar a conscientização acerca da importância de se saber escolher o candidato que apresentar a melhor proposta, a mais adequada e pertinente. E também de levar os educandos a reconhecer a importância que têm o exercício da cidadania por meio do voto. Assim já vão se preparando”, disse Tatyana.
A professora realizou a proposta em três momentos distintos. O primeiro foi de preparação. Foram várias as aulas dedicadas exclusivamente à leitura das notícias referentes às discussões com os candidatos à Prefeitura de Uberlândia.
No segundo momento, Tatyana propôs aos estudantes realizarem uma simulação das eleições. Eles aprovaram e se empolgaram com a idéia. Dividiram-se em grupos e cada grupo escolheu o seu representante, ou melhor, o seu candidato a prefeito.
Após a leitura da reportagem ‘Creches carecem de mais vagas’, publicada na edição do dia 29 de agosto, cada grupo elaborou sua proposta voltada para a Educação. “Especificaram o que poderá melhorar na área da Educação e especialmente na nossa escola”, ressaltou a professora.
Utilizando o jornal, os estudantes fizeram cartazes, os “santinhos” da campanha e até mesmo paródias. “O aproveitamento dos exemplares do CORREIO de Uberlândia foi 100%”, argumentou Tatyana.
“Os candidatos escolhidos pela turma foram os alunos Maycon, Yasmin, Lucas, Higor, Jackson, Gabriel, Murilo e Thiago. Cada um teve a missão de apresentar a proposta definida pelo seu grupo. Após a apresentação de cada candidato, os alunos tiveram que analisá-las para daí escolher a quem confiar o seu voto”, disse.
O terceiro momento foi a hora de votar. Ou seja, após a simulação do período de campanha, cada um, de forma secreta, precisou manifestar a sua escolha. Ocorreu a votação, e, em seguida todos acompanharam a contagem dos votos.
“A eleita pela turma foi Yasmin, que, após a colocação da faixa, fez o seu discurso de agradecimento”, disse Tatyana.
A professora aproveitou o momento para trabalhar ainda mais a cidadania, e, logo após o discurso da aluna, realizou a execução do Hino Nacional e do Hino de Uberlândia.
“Para os alunos, aquele momento representou realmente uma cerimônia cívica. Todos se envolveram e participaram ativamente da realização das tarefas, que inclusive gerou discussões a respeito da atitude da candidata eleita. Não tenho dúvidas de que a proposta aguçou o senso crítico de cada um. Com isso consegui atingir o meu objetivo”, afirmou a professora.
AGENDA: Seminário
ATENÇÃO EDUCADOR!
Hoje é o último dia para você confirmar sua presença no Seminário Final do Instituto Algar, que se realizará no dia 19, próxima quarta-feira, na Unialgar, na avenida Floriano Peixoto, 6.495.
Serão debatidas e consolidadas as principais idéias sobre desenvolvimento de leitura, escrita, oralidade, tecnologia e gestão que nortearam os programas realizados pelo Instituto Algar em 2008 e compartilhadas as experiências realizadas pelas escolas parceiras. E para fechar o ano com ‘chave de ouro’ você não pode faltar neste encontro!
Garanta sua participação pelo telefone (34) 3218-3081 ou pelo e-mail comunicacao@institutoalgar.org.br
Na ocasião, o Instituto Algar fará ainda o lançamento da publicação “Programa de Voluntariado”, um kit com quatro volumes que retrata o trabalho realizado, entre 2003 e 2007, em 13 escolas públicas de ensino fundamental de oito cidades brasileiras com a participação voluntária dos associados (como são chamados os funcionários) das empresas do Grupo Algar. O material escrito pela equipe do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), assessoria educacional contratada pelo Instituto Algar para o desenvolvimento do Programa de Voluntariado, propõe organizar o trabalho de voluntários de maneira que a atuação dos mesmos respeite a especificidade e a identidade da instituição escolar. Cerca de 150 educadores de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, que estarão presentes no Seminário, receberão um kit com os quatro volumes da publicação. Não perca!