
Em 1889, foi inaugurada a estação da Mogiana em Uberaba. Fez-se uma bela festa. Em 1890, a companhia fechou novo contrato com o governo provisório da República para construir um ramal até Catalão-GO.
O que a tradição oral guardou é que não havia um projeto definitivo para esse ramal. Havia duas opções: uma, passando a linha por Nova Ponte e Estrela do Sul; outra, passando por Santa Maria e Monte Alegre. Informa também a tradição que foi o coronel Carneiro quem conseguiu convencer o conde de Parnaíba a adotar uma terceira alternativa: passar por Uberabinha e Araguari.
Decidido que a passagem seria por aqui, construída a linha, marcou-se a inauguração. Projetou-se uma festa de inauguração e escolheu-se como presidente da comissão organizadora o primeiro médico da cidade, o dr. Carlos Gabaglia.
O programa que a comissão organizou e a Câmara Municipal aprovou a ornamentação das ruas com palmeiras, arcos, bandeirolas, galhardetes, lanternas venezianas etc. Essa ornamentação atingiria os largos da Matriz, do Comércio e do Rosário (Cícero Macedo, Adolpho Fonseca e dr. Duarte, respectivamente) mais a rua Barão de Camargos e a avenida Sete de Setembro (rua Cel. Severiano).
Em cada largo se faria coreto enfeitado. As ruas e largos por onde o préstito passasse seriam iluminados “a giorno”. Convém lembrar que, nessa época, ainda não existia energia elétrica na cidade. A casa da Câmara seria ornamentada e no pátio de entrada se armaria a mesa para o banquete. A procissão cívica seria assim: “Abrirá o préstito uma das bandas de música locais, seguindo-se uma menina conduzindo uma bandeira que simboliza o município de Uberabinha; logo após, outras meninas também conduzindo bandeiras simbólicas de artes, ofícios etc; em seguida a Corporação Musical, a Guarda Nacional, autoridades judiciárias, federais e funcionários do Fórum, professorado público, representantes do comércio, artes, lavoura e etc..., povo etc; e finalmente a outra banda de música.
Haveria no percurso do préstito foguetes sem interrupção, uma bateria de bombas à estação que seria queimada à chegada do trem inaugural e outra à entrada da casa da Câmara”. Falariam na estação: o agente executivo, um orador oficial e a menina que representasse o Município no desfile. Seria uma bela festa. E deve ter sido. Só que alguns cronistas dizem que a festa ficou na programação. Que houve uma confusão danada na velha cidade envolvendo políticos e autoridades e o povo receoso recolheu-se às suas residências e só saiu depois que os ânimos serenaram. Naquele tempo, confusões se resolviam no tiro e ninguém queria ser alvo. Não há documentos que comprovem isso.
Contam eles, os cronistas, que a festa se restringiu à inauguração da estação, alguns discursos e pronto! Presentes apenas os diretores da Companhia e algumas autoridades. O Augusto César, por exemplo, que foi nosso primeiro agente executivo, recusou-se a comparecer às festividades por ter-se desentendido com o engenheiro José Rebouças (irmão do negro abolicionista e grande engenheiro André Rebouças). Segundo consta, pelo traçado original da linha, a Mogiana passaria por dentro da chácara do Augusto César, que se localizava, mais ou menos, no fim da avenida Rio Branco, na descida para a avenida Rondon Pacheco. César armou gente sua e garantiu que mataria o primeiro empregado da estrada de ferro que entrasse em suas terras.
O fato é que, com festas ou sem, a instalação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e Navegação em São Pedro de Uberabinha no dia 21 de abril de 1895, pode ser considerada um dos principais fatos econômicos de toda a história do Município. Dificilmente Uberlândia seria o que é se não houvesse Mogiana, estradas do Fernando Vilela e ponte Afonso Pena em Itumbiara.

Na gestão de Paulo Ferolla, foi construído, por José Pereira Espíndola, o anel hidráulico, com 13 reservatórios com capacidade, alguns, para 5,5 milhões de litros, e, outros, para 6 milhões. Eles se localizam no bairro Alvorada (um), no alto do bairro Segismundo Pereira (três), no São Jorge (um), no Luizote de Freitas (um). No Tocantins (um), no Custódio Pereira (dois), no Marta Helena (um), na Cidade Jardim (um), no Distrito Industrial (um) e na avenida Getúlio Vargas (um).
Existe um projeto do Espíndola para expansão do complexo Sucupira acrescentando água do Miranda. Com 3 mil metros de tubo pode-se recolher a água de Miranda (rio Araguari) próximo a uma cascalheira à margem da estrada para Araxá, jogando-a na represa de Sucupira. Mas esse é um projeto para quando se esgotarem todas as possibilidades próximas e a população da cidade estiver perto do milhão de habitantes.
O Dmae possui duas estações de tratamento de água: Estação de Tratamento de Água de Sucupira (captação no rio Uberabinha) e Estação de Tratamento Bom Jardim (captação no rio Bom Jardim). E possui três estações de tratamento de esgotos: Aclimação, Ipanema e Uberabinha.
Fontes consultadas para todos os artigos sobre o serviço de água de Uberlândia: Jerônimo Arantes, jornais “O Progresso”, “O Paranahyba”, “A Tribuna”, “CORREIO de Uberlândia”, “O Triângulo”, “Revista Ilustrada”, Tito Teixeira, Renato de Freitas, DMAE, José Pereira Espíndola, Rodrigo Borges de Andrade, Rosselvelt José Santos, Atas da Associação Comercial de Uberlândia, Departamento de Geografia/UFU, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Desenvolvimento

Criado o Dmae, o prefeito Renato de Freitas nomeou o professor Samuel Vital Ferreira como seu diretor com o objetivo de cuidar da área administrativa do novo órgão. Na parte técnica continuou José Pereira Espíndola.
Todo o material aplicado na construção do complexo foi construído pela fábrica de tubos do Dmae. Isso representou uma economia vultosa para os cofres públicos. Além disso, a criatividade do Espíndola permitiu um serviço avançado para a época e para o País. Enfrentando todas as reações negativas de órgãos públicos e de “entendidos”, o Dmae construiu a primeira adutora com revestimento epóxi da América do Sul.
Em agosto de 1970, sem nenhuma ajuda externa, inaugurou-se o novo sistema. Deixou-se a água escorrer pela avenida Floriano Peixoto. Parecia um rio. A inauguração oficial foi lá na Estação de Tratamento.
A água saída de Sucupira era jogada num espigão acima do nível do rio Uberabinha e vinha por queda natural. Passava pelo bairro Alvorada, seguia em direção ao aeroporto e chegava à Cidade Industrial.
José Pereira Espíndola, após o fim da primeira administração de Renato de Freitas, retornou em sua segunda gestão como vice-prefeito, porém cuidou exclusivamente da água e do esgoto. Retornou também, como diretor do Dmae, o professor Samuel Vital Ferreira.
Espíndola ainda voltou algumas vezes ao serviço público cuidando da água em gestões de Virgílio Galassi e Paulo Ferolla.
Em 1977, foi elaborado pelo Dmae um Plano Diretor dimensionado para atender até um milhão de habitantes. O Plano Diretor para Esgoto saiu 20 anos depois.
Em 1989, gestão de Virgílio Galassi, Sucupira operava com 1.200 litros por segundo. Com o crescimento da cidade, alguns bairros experimentavam pequenas crises. O Dmae comprou da Usiminas três mil toneladas de chapas de aço para a construção da segunda adutora de Sucupira. Na extensão de 14 mil metros, com diâmetro de 960mm. Foram fabricados tubos de aço de 330mm e 480mm e construídas sub-adutoras que resolveram o problema de 22 bairros.
Ainda na gestão de Virgílio Galassi, Espíndola desviou o ribeirão Estiva para ajudar no acionamento das turbinas. Ampliou a estação de tratamento e mandou construir novos filtros na fábrica de tubos do Dmae. Fez a captação do Bom Jardim acima do Clube de Caça e Pesca com uma grande barragem e um canal de desvio com turbinas de onde jogou mais água para o Distrito Industrial. Paralelamente, a barragem regularizou a vazão do Bom Jardim e acabaram as enchentes que incomodavam a população da parte baixa do bairro Patrimônio e destruíam o parque de lazer do Praia Clube. Foi feita uma adutora com filtros revestidos e capacidade dobrada, mais um sistema de floculação e decantação. Nessa época, Sucupira tinha uma capacidade de 2.500 a 2.600 litros/segundo. Com a entrada do Bom Jardim, com a mesma capacidade, a captação e distribuição dobraram.
Na gestão seguinte de Virgílio Galassi, Espíndola construiu uma nova adutora para o Distrito Industrial. Para melhorar o abastecimento da cidade, foram construídos três grandes reservatórios com capacidade para 6 milhões de litros cada um.