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Frente e Verso







16-11-2008


Odelmo e o PMDB



Quem circulava pela Prefeitura na quinta-feira pela manhã presenciou uma cena inesperada. Quatro lideranças do PMDB local saindo do gabinete do prefeito Odelmo Leão (PP). Aos que se assustaram com a novidade, é bom esclarecer que a reunião não tem nenhuma relação com uma eventual composição entre Odelmo e o PMDB visando ao segundo mandato do prefeito que começa em janeiro. Ou seja, na esfera municipal, os peemedebistas continuarão na oposição. A conversa, por iniciativa de Odelmo, girou em torno das eleições de 2010. O prefeito defendeu uma união entre as forças políticas locais, independentemente de ideologia partidária, no sentido de trabalhar para viabilizar a candidatura do governador Aécio Neves (PSDB) à presidência. Um primeiro contato que, se depender do prefeito, tende a se aprofundar. Os peemedebistas se limitaram a dizer que, caso o governador ingresse no partido, terá todo o apoio da militância local. Em entrevista ao CORREIO TV Debate, o prefeito disse que não acredita que Aécio deixe o PSDB e que a tendência é que ele lute para desbancar o governador José Serra numa eventual convenção tucana. Ou seja, por enquanto, cada grupo no seu quadrado.

Contradição vital

A política é repleta de contradições. Por exemplo: o sonho de qualquer vereador ou deputado é criar uma “bandeira” de luta que lhe proporcione visibilidade e, por conseqüência, votos. A contradição está no fato de que a maioria dos políticos que conseguem uma causa com alto apelo popular normalmente se vê refém da própria história. A ponto de torcer para que o problema não seja totalmente resolvido para que não se torne uma liderança sem causa. Uma solução é buscar uma bandeira permanente como a redução de alguma tarifa pública, por exemplo. Dê uma olhada em volta que você encontrará exemplos concretos.

Um por todos...

A reunião entre o prefeito Odelmo Leão e lideranças do PMDB de Uberlândia serviu também para discutir a necessidade de aumentar a representatividade na Câmara dos Deputados e principalmente na Assembléia Legislativa. Uberlândia tem três federais (Gilmar Machado e Elismar Prado, do PT, e João Bittar, do DEM) e dois estaduais (Weliton Prado, do PT, e Luiz Humberto Carneiro, do PSDB). No passado, com menos eleitores, já tivemos o dobro de deputados na Assembléia. O prefeito quer mobilizar as legendas e as entidades de classe no sentido de tentar limitar o número de candidatos a deputado com o objetivo de potencializar os 400 mil votos que a cidade detém.

Todos por um

No passado, todas as iniciativas no sentido de tentar limitar o número de candidatos a deputado para aumentar a representatividade não tiveram sucesso. Os primeiros a boicotar a idéia são os vereadores que não abrem mão de tentar vôos mais altos como trampolim à reeleição dois anos mais tarde. Mas, como em política tudo é possível, façamos um exercício de futurologia. Considerando que a coligação mais pesada das eleições de 2006 elegeu o último deputado da lista com cerca de 50 mil votos, em uma conta simplista, Uberlândia tem potencial para eleger até oito deputados estaduais, caso haja uma concentração de votos em um número reduzido de candidatos.

Faltou pouco

Nas últimas eleições para a Assembléia, o deputado Carlim (PCdoB) teve o menor número de votos, sendo eleito por 21.048 votos. Para se ter uma idéia, o vereador de Uberlândia Sérgio Lúcio de Almeida, primeiro suplente do PDT, teve 34.394 votos. Faltaram 13.035 votos para se eleger. Para o ex-deputado Leonídio Bouças (foto), a diferença entre a derrota e a vitória foi de exatos 10.394 votos. Dez mil votos não é pouca coisa. A vereadora eleita Liza Prado (PSB), a mais votada nas eleições deste ano, teve 9.217 votos. Mas, numa eleição para deputado num colégio eleitoral de 400 mil votos como Uberlândia, pode se dizer que não faltou muito para conseguirmos aumentar nossa representatividade na capital. Não há dúvidas de que a pulverização dos votos é responsável pela queda na representatividade. Entre a constatação e a mudança de comportamento dos candidatos oportunistas, há um longo caminho a ser percorrido.

Ponto de vista

Tenho ouvido e lido muitas críticas de colegas jornalistas quanto à posição do governo federal diante da crise financeira que assola principalmente os países desenvolvidos. Não concordo com a principal delas. Para mim, está correta a estratégia do presidente Lula de minimizar os reflexos da crise no País. Mesmo considerando os tropeços verbais do nosso líder. Imagine se o principal executivo público do País mostrasse pessimismo ou desespero diante do problema. O importante é que a retórica do presidente está descolada das ações do governo, na medida em que várias ações, sob a batuta do Banco Central e do Ministério da Fazenda, estão em vigor. Ou seja, o presidente mostra tranqüilidade política e preocupação econômica. Mas, para a estratégia ser completa, o governo ainda precisa reduzir os gastos públicos, a parte mais difícil da equação contra a crise.





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09-11-2008


Preparando o terreno



O prefeito Odelmo Leão, reeleito com praticamente 60% dos votos, terá tempo para preparar o segundo mandato. Não deverá ter problemas, a exemplo da primeira gestão, com a oposição na Câmara de Vereadores. Tende a ter uma maioria mais folgada do que nos primeiros quatro anos. Para isto, no entanto, precisará ter atenção ao gerenciar algumas questões diretamente relacionadas ao Legislativo. Terá que usar toda a experiência de ex-deputado federal por quatro mandatos para não deixar que a eleição da mesa diretora cause uma divisão na futura bancada de situação. Naturalmente, além do atual presidente da Casa, Hélio Ferraz, outros aliados do prefeito têm interesse no cargo. Claro que o prefeito procurará manter uma certa distância de um assunto que diz respeito à Câmara. Mas não dá para deixar a disputa totalmente solta a ponto de correr o risco de ver um legislador de oposição pleitear a vaga com alguma chance de vitória. Quando o assunto é a eleição para a mesa, vale mais os interesses de cada parlamentar do que a força do bloco ao qual pertence.

De cá e de lá

Em política geralmente se pede uma coisa querendo outra. Por exemplo, lança-se candidato a presidente da Câmara, de olho num cargo no Executivo. O ditado “quem não chora não mama”, em política, também funciona. A pretensão também pode ser modesta. O vereador diz que sairá candidato a presidente da Casa querendo apenas um bom cargo na mesa ou direito de indicar um ou outro apadrinhado para cargos no próprio Legislativo. O fato é que a eleição da mesa, principalmente para as novas legislaturas, costuma ser decidida momentos após a posse. Por isto, as articulações já estão sendo fermentadas em altíssimas temperaturas. O problema é que não dá para confiar em promessas antecipadas. O acerto, na maioria das vezes, fica para o dia da posse, o que tende a deixar a “fatura” mais cara para os candidatos a presidente.

Poder e palco

O caro leitor pode estar se perguntando por que o interesse em ser presidente da Câmara de Vereadores. Aí vão alguns motivos. Mais visibilidade: representa o Legislativo nos principais eventos e, ao presidir as sessões, aparece mais tempo na TV Legislativa. Mais poder: enquanto um vereador comum pode contratar 15 assessores, o presidente tem o poder de nomear, além dos assessores do próprio gabinete, cerca de 40 pessoas para cargos de confiança nas diversas coordenadorias e diretorias da Casa. Isto somado é igual a uma chance maior de se reeleger em 2012 ou mesmo pleitear uma promoção para a Assembléia Legislativa ou Câmara dos Deputados. Como não há almoço gratuito, boa parte destes privilégios serve como moeda de troca para conseguir os votos necessários para se eleger presidente.

Insatisfação

A adesão pública do deputado federal João Bittar Júnior (DEM) ao prefeito Odelmo Leão não significa, necessariamente, o apoio de todos os partidos que integraram a coligação na disputa para prefeito encabeçada pelo democrata. Pelo contrário. A insatisfação é grande pelo fato de Bittar ter procurado o prefeito sem envolver as lideranças das outras legendas. Aparentemente, há total disposição por parte dos vereadores do PDT e PSL em apoiar o prefeito. Estes partidos esperaram ser chamados pelo prefeito para discutir de que forma participarão do novo governo. Claro que a expectativa é ter espaço para nomear representantes das legendas ao menos para o segundo escalão do futuro governo.





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02-11-2008


Gostinho amargo



O tempo de vacas gordas está próximo do fim. Mal deu tempo de sentirmos o gostinho do crescimento econômico. Frente a uma inevitável recessão determinada pela crise econômica mundial, os brasileiros não precisam esperar muito do Papel Noel neste ano e menos ainda em 2009. Por enquanto, a recessão ainda não chegou ao mercado real, mas, com medo, os consumidores tiram o pé do acelerador. O pior é que uma coisa leva a outra. Se não tem consumo, a economia não gira e a geração de emprego fica comprometida. Equação difícil de resolver. Por mais que o governo federal negue, o País não está e não ficará imune à crise. A única dúvida é sobre o grau de atropelamento a que nossa economia está sujeita. Como disse o filósofo Mário Sérgio Cortella, em entrevista publicada na página AX desta edição, estamos no fim do início de uma crise que ainda terá outras bolhas estouradas, como a dos cartões de crédito norte-americanos. Um amigo me contou que a loja que mantém no shopping teve o faturamento reduzido de R$ 30 mil, em média, aos domingos, para cerca de R$ 3 mil no último dia 26.

Efeitos colaterais

Toda e qualquer crise na economia tem reflexos diretos na política. Principalmente no Brasil. Nesta semana, o próprio ministro da Fazendo, Guido Mantega, disse que “a crise terá magnitude inédita”. Depois disse que ela tende a se abrandar na Europa e nos Estados Unidos. A verdade é que ninguém sabe exatamente o que está por vir. Do ponto de vista político, a principal conclusão é a de que os prefeitos que assumirem em janeiro terão muitas dificuldades pela frente. Os reeleitos terão que ser muito criativos na aplicação dos recursos e corajosos para cortar despesas e garantir um segundo mandato melhor ou, ao menos, igual ao primeiro. Aos governadores e ao presidente resta torcer para a situação não piorar a ponto de comprometer os altos índices de popularidade. Com a mesa farta, os elogios fluem naturalmente. Em tempos de carestia, a insatisfação é generalizada. Será que a popularidade do presidente Lula suportaria uma crise econômica? Ninguém quer pagar para saber.

Choque de gestão

Em Uberlândia o prefeito Odelmo Leão (PP) disse, em entrevista ao CORREIO, que não fará alterações na projeção orçamentária para 2009. Em seguida, afirmou que terá cautela nos gastos principalmente nos primeiros meses do ano. Sabe que orçamento não passa de uma expectativa, principalmente em tempos de incertezas econômicas. Ou seja, o orçamento de mais de R$ 1 bilhão para o ano que vem, tão comentado durante a campanha eleitoral, pode não sair do papel. No caso da Administração local, a crise pode ter impacto inclusive na reforma administrativa. Ao invés de aumentar secretarias e, conseqüentemente, despesas, o prefeito pode aproveitar para enxugar ainda mais a máquina preparando a Administração para os tempos difíceis que se avizinham. O que Odelmo não deverá fazer é colocar em risco a realização do plano de governo divulgado durante a campanha que lhe rendeu a adesão de 60% do eleitorado de Uberlândia. A decisão será tomada a partir de uma consultoria a ser prestada por parte da equipe do vice-governador Antônio Anastasia. O trabalho está previsto para começar nesta semana. A julgar pelo choque de gestão realizado pelo governo de Minas, as recomendações tendem a ser no sentido de cortar custos. Veremos





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