
Grave bem esse nome: José Pacheco. Se você não é da área de educação, provavelmente nunca viu esse nome escrito em algum lugar ou alguém que o tenha pronunciado na sua frente. Mas você vai ouvir muita gente falando dele, muitos livros escreverão sobre ele, pois esse nome está cada vez mais associado a um tipo de educação que todo pai persegue para seus filhos e nunca encontra. Se você é profissional da área de Educação ou uma pessoa que se interessa por Educação, quase certo que já ouviu falar desse homem, mas se não sabe quem é ele, disfarça, corra até a biblioteca ou então digite seu nome no Google, ou então seja humilde e pergunte para um professor quem é esse homem. Mas dou algumas dicas, trata-se de um homem simples como poucos, sua aparência se encaixa naquilo que nosso imaginário suscita quando pensamos em um “Zé”. Baixa estatura, estrábico, saúde frágil, fala pouco e escuta muito. Mas logo você percebe que ele não é um “Zé” qualquer, pois sua presença transmite amor, paz, equilíbrio, proteção. Você sente o quanto sua presença é importante quando ele tem que ir embora, pois cria-se na nossa mente uma sensação de que algo muito bom se afasta de nós e sentimos uma vontade enorme de mantê-lo sempre muito próximo, pois ele mobiliza sentimentos de carinho, proteção e bem-estar e uma certeza que, com homens assim, o mundo se torna melhor.
Você pode não trabalhar com educação, mas convive com crianças todos os dias dentro de casa mesmo ou na rua ou ambiente de trabalho. Também você tem seu coração partido quando vê tantas crianças trocarem a infância por um sinal de trânsito pedindo todos os dias ajuda para o sustento da família. Sempre que vejo uma criança assim me pergunto onde estará sua família, que tipo de amor tem recebido aquele serzinho de olhos assustados, pés descalços e roupa esfarrapada. Onde será sua casa e com quem convive. Quantos cães são mais bem tratados e recebem mais carinho que essas crianças. Muitas delas, em função do total abandono afetivo e sustentação econômica, acabam se envolvendo em pequenos delitos que nos incomoda tanto. Essas crianças estão apenas “retribuindo” à sociedade um pouco daquilo que receberam, vão crescendo assim e já na adolescência ou início da fase adulta muitos deles continuam nas ruas, sobrevivem de pequenos delitos e já tiveram problemas com a polícia. Fazemos de conta que não é com a gente, pois não são nossos filhos ou filhos de parentes ou amigos nossos. Essa visão é apenas mais um dos tantos erros que cometemos em relação à essas crianças. O custo social para todos nós é imenso, primeiro porque um ser humano está se desenvolvendo sem condições alguma em termos afetivos e financeiros, segundo porque teremos todos sérios problemas relacionados com a segurança e bem estar em função do desajuste dessas pessoas.
Em Portugal também tem crianças pobres e muitas delas se desenvolvem em condições semelhantes às que descrevi acima. Existe uma escola pública na cidade do Porto, em uma vila chamada Vila das Aves que tinha como diretor o professor José Pacheco. As crianças rejeitadas por sérios desajustes, quer orgânicos, quer psicológicos, eram recebidas com amor — apenas amor por esse homem que aos poucos foi mudando cada professor e cada funcionário da escola para que conseguissem educar as crianças que chegavam dentro da crença que todas as crianças são boas e apenas boas. Assim todos começaram a lidar com essas crianças vendo apenas bondade e perfeição, enquanto lá fora tinham a cada momento reforçado pela sociedade os comportamentos considerados errados. Todas as vezes que uma criança ou pré-adolescente mostra nessa escola um comportamento desadaptativo, tem imediatamente reforçado seu lado bom, com toda a equipe de professores e funcionários negando qualquer característica que não seja positiva. Também toda organização é mantida pelos alunos e foi extirpada a relação de autoridade da direção e equipe, sendo essa substituída por uma relação de respeito mútuo e amor entre alunos e equipe. Em poucos anos ali estudando e comparecendo por livre e espontânea vontade em turno integral, essas crianças se transformam em cidadãos. Quando visitei a Escola da Ponte, dois garotinhos por volta de 7 anos me mostraram em detalhes e clareza toda a estrutura de funcionamento da escola. A Escola da Ponte se transformou em modelo de educação para o mundo. Parabéns meu querido amigo José Pacheco por esse grande presente à humanidade.
* Psicólogo, Dr. em saúde mental, psicanalista e escritor - Prof. Associado
- Instit. de Psicologia-UFU-Email: cvital@mailcity.com Tel.034-9158-9012

Quando você começa a sentir alguns tipos de dores ou, pior ainda, quando você adoece, seu corpo está acendendo uma luz amarela pedindo ajuda. Quando é algo simples, tipo um resfriado ou dor de cabeça, é apenas um aviso de que seus hábitos não estão em estado adequado para a manutenção de uma boa saúde. Quando é uma doença ou dores fortes e freqüentes, já não se trata de aviso e sim o corpo passa a exigir que mudanças sejam feitas, pois as condições para seu perfeito funcionamento estão comprometidas. Nessas condições, seu corpo não quer saber se você tem tempo para cuidar da sua saúde ou dinheiro para gastar com ela, ele simplesmente ameaça pifar com dores fortes e doenças que te forçam a procurar um médico e quase sempre uma bateria de exames clínicos, a tomar remédios e, às vezes, ser internado em algum hospital e sofrer alguma intervenção cirúrgica. Ou faz alguma coisa ou morre é essa a mensagem do corpo. Nessa hora é que você se dá conta do quanto sua saúde é importante e que a vida toda seus hábitos, principalmente alimentares a foram corrompendo. Às vezes ainda dá tempo para recuperar a saúde, mas nem sempre é assim.
A Organização Mundial de Saúde informa que de cada 10 consultas médicas, pelo menos sete não aconteceriam se os doentes estivessem com uma nutrição saudável. Isso significa que 70% das doenças seriam evitadas, caso as pessoas tivessem uma boa alimentação. Se fossem acrescentados exercícios diários, tais como caminhadas e esportes, esse índice subiria para pelo menos 80%. Assim a ciência afirma que nossas doenças, quase todas, são conseqüências de nossos hábitos, quase todos alimentares.
As indústrias de alimentos, assim como os laboratórios têm interesses em comum e se ajudam mutuamente. Os alimentos que consumimos, grande parte deles é produzida em escala industrial, o que significa que seguem critérios de alta produtividade e não da qualidade nutricional. As hortas caseiras quase se extinguiram e não temos mais controle sobre a produção do que comemos. Para piorar as coisas, fazem campanhas na mídia valorizando o sabor dos alimentos para aumentar o consumo, ignorando que comemos para nutrir nossas células ainda que o hábito de comer também nos dê prazer. Escondem das pessoas que nossas células precisam de 53 elementos essenciais que estão espalhados em muitos alimentos, principalmente frutas, legumes e verduras e nos empurram goela abaixo alimentos muito saborosos, mas de baixíssimo poder nutricional e altamente calóricos, nos desnutrindo e aumentando nosso peso desmesuradamente.
Quando você está com seu peso acima do considerado saudável e vai ao médico ele lhe indica três caminhos para emagrecer. Pode te mandar fechar a boca e comer menos como se você não soubesse disso. Pode te passar vários remédios para inibir o apetite por um processo de indução química. Ou pode sugerir a cirurgia de estômago, como se a mutilação do corpo fosse resolver o problema. Os três métodos emagrecem e todos os que os seguirem conseguirão emagrecer. Mas serão desnutridos não dando os nutrientes para as células que não conseguirão exercer as funções para as quais foram criadas, pois o combustível que recebem é de péssima qualidade.
Os médicos estudam doenças, conhecem drogas para combatê-las e não hesitam em prescrevê-las, quando a prevenção de doenças deveria ser a primeira preocupação de todo médico. Com a descoberta e uso dos antibióticos, a filosofia deles é atacar as doenças, se transformando em profissionais da área da doença e não da área de saúde. Quando se usa um remédio, esse pode ser o caminho adequado naquele momento para que você não morra, mas sua atuação química no corpo que já não estava funcionando perfeitamente bem, apenas vai tornar suas células mais ineficientes na prevenção e no combate a doenças, transferindo essa função para os medicamentos. Seu corpo readquire a saúde na maioria dos casos quando suas células recebem todos os nutrientes que constituem seu combustível. Isso, no entanto, é possível somente com o uso de suplementos nutricionais. Apenas comendo os alimentos, por mais conhecimento nutricional que você tenha ou dieta balanceada que você faça, não é possível dar todos os nutrientes para as células. Pergunte isso para seu médico, mas não se surpreenda se a resposta não for satisfatória. Mostre seus conhecimentos e indique para ele o livro “o que seu médico não sabe sobre medicina nutricional pode estar matando você”, escrito pelo médico, Ray D. Strand(M.D.). A verdade é que com exceção de você mesmo e seus familiares, ninguém mais quer que você seja saudável, pois, se assim o fosse, a maioria dos médicos ficariam desempregados, grande parte dos hospitais fecharia as portas, muitas padarias iam abrir no lugar das farmácias, e os laboratórios quebrariam quase todos.
* Psicólogo, dr. em saúde mental, psicanalista e escritor - Prof. Associado
Instituto. de Psicologia-UFU cvital@mailcity.com
Tel.34-9158-9012

Uberlândia está de parabéns! O maior congresso na área de psicologia aconteceu nesta semana aqui em nossa cidade e terminou ontem. Estudantes, professores, especialistas e cientistas do todo o Brasil e de alguns outros países compareceram a esse importante evento. Um acontecimento dessa magnitude é motivo de orgulho para nossa cidade e para a UFU pelo apoio. Mas nem tudo é festa ou motivo de comemoração.
Os congressos têm várias funções. A principal delas é permitir um encontro de especialistas da área para que apresentem em primeira mão os frutos de suas pesquisas e trabalhos científicos. Quase sempre o que se publica em revistas especializadas ou mesmo em livros técnicos já foi apresentado pelo autor em algum congresso meses ou mesmo anos antes. Isso agiliza a transmissão dos conhecimentos. Assim, a síntese e a função dos congressos científicos relacionam-se com a pesquisa, com a inovação e com o crescimento. Não faz muito sentido os investimentos altíssimos nesse tipo de evento para que se tenha mais do mesmo e com as mesmas pessoas, com regras burocráticas e pouco transparentes que cerceiam a livre expressão do conhecimento. A ciência se desenvolve pelo trabalho sério de investigação e pela ousadia de alguns pesquisadores.
Quando se cai na vala comum que sedimenta privilégios e delimita conhecimentos, qualquer congresso deixa de ser científico, cumprindo apenas a função de manutenção na mídia de uma imagem de importância que é falsa. Grandes avanços na ciência somente ocorreram pela persistência de alguns pesquisadores que toleraram injustiças e não desistiram, enfrentando forte resistência por parte do poder desempenhado pelos pseudocientistas burocratas de plantão. Freud, o pai da psicanálise, da mesma forma que Mesmer, que lançou as bases da moderna hipnose, viveram esta experiência como muitas outras importantes personalidades que o mundo hoje reverencia, mas que venceram somente porque tiveram persistência e superaram as resistências do poder vigente.
Apresentei há alguns anos um trabalho na Irlanda do Norte, na lindíssima cidade de Dublin, em congresso que congregava diversas entidades européias na área de psicologia. Muitos fatos me chamaram a atenção nesse congresso, mas um em especial me marcou muito que foi o fato de terem sido apresentados mais de 2 mil trabalhos por pesquisadores do mundo todo, nas mais diversas áreas, tais como bruxaria e saúde mental ou mesmo opressão feminina nos países árabes e infelicidade. A abundância de trabalhos e, principalmente, a diversidade de temas enriqueceram sobremaneira o congresso tornando plenamente justificado todo o investimento para se poder participar do evento.
Tive a oportunidade de acompanhar alguns passos da preparação do Congresso da SBP que se encerrou ontem, principalmente no âmbito dos temas abordados, dos trabalhos inscritos e dos conferencistas convidados. Centenas de trabalhos foram inscritos apenas após pagamento de taxa de inscrição, não reembolsável caso o trabalho não fosse aceito. Maravilhoso caça nível. Em verdade, não foi exigido o trabalho pronto e sim um resumo, o que facilitou a vida do pesquisador, mas fragilizou a análise da qualidade. Uma comissão ligada à organização do congresso fez a “seleção” e carimbou os trabalhos que considerou adequados em função de critérios próprios e do currículo do pesquisador. Muitos trabalhos de pesquisadores sérios e titulados foram recusados sob a alegação ou de falta de qualidade ou de inadequação ao tema do congresso ou de falta de título de doutor por parte do autor. Forma interessante de se preservar qualidade, mas mais interessante ainda para a segmentação do conhecimento, para o estabelecimento de “áreas mais científicas” na psicologia e porque não para a manutenção do “status quo” de um grupo que se considera “dono da verdade na ciência”. Chamou-me a atenção em especial a recusa de um trabalho por parte da comissão chamada “científica” em função de o seu autor não ter o título de doutor. Esse mesmo autor foi vetado para dar uma conferência com a mesma alegação da falta de título de doutor e também que era um pesquisador desconhecido. Pois pasmem! Tratava-se apenas do maior educador vivo da atualidade, referência em todo o mundo na área de educação e inclusão social, cuja agenda para os próximos dois anos está lotada para conferências nos mais variados países onde se leva a sério a ciência, o extraordinário José Pacheco, nascido em Portugal, criador da Escola da Ponte na cidade do Porto, e atualmente ajudando aqui no Brasil em nosso sistema educacional capenga. Ganharam os burocratas, perdeu a ciência, a educação e o país. Perguntem por quem os sinos choram!
* Psicólogo, dr. em saúde mental, Psicanalista e escritor - prof. associado
- Instit. de Psicologia - UFU
- cvital@mailcity.com Tel.034-9158-9012