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Musicais







20-11-2008


Achados e perdidos no cyber-espaço



Recebi um e-mail aqui no CORREIO de uma pessoa que achava que me conhecia, que havia “trocado idéia” comigo há muitos anos pelo ICQ, uma espécie de irmão mais velho do MSN, e queria confirmar a informação. Até hoje eu sei de cor o número do meu ICQ, não era tão simples como criar um “nick” no Messenger, ou você salvava o número ou o anotava em algum lugar. Às vezes era mais difícil lembrar o login do que a senha.

Entrei novamente no programa, que até está mais moderno, para tentar me lembrar do rapaz, de Santos (SP). Como ele disse que tinha visto meu nome quando fez uma busca na web e encontrou uma matéria minha, procurei saber o que ele estava procurando. Poderia ser alguma reportagem com bandas gringas, alguma de peso no cenário nacional, mas não era.

Foi grande, e boa, minha surpresa quando ele falou que procurava por uma banda de Uberlândia chamada Beyond the Sanity, que ele viu há muito, muito tempo. Após deixá-lo atualizado sobre os passos de alguns integrantes da banda, também lamentei o fato de não ter nada deles disponível para audição no YouTube ou MySpace e seus equivalentes.
No cenário em que o Beyound the Sanity surgiu com seu doom metal, acho que era essa a definição mais acertada para a banda, a fita demo é que dava as cartas, aquela K7 que, com certeza, algumas pessoas aqui em Uberlândia e também em outras cidades devem ter guardada em uma gaveta ou caixa de sapatos.

Vasculhei minhas gavetas na casa dos meus pais e lá estavam elas. Catalogadas, empoeiradas e, por uma pequena amostragem, percebi que a maioria corre um sério risco de perda total. Achei também um fanzine do Underground Festival 96 original. O que significa: fotos reveladas em preto e branco coladas em folhas de papel sulfite que foram xerocadas posteriormente e distribuídas entre as bandas que fizeram parte do evento.

Toda essa história mostra que na internet quem procura acha e quem tem algo a mostrar só precisa encontrar o .com ou .net ou .mus certo para colocar a cara, ou a música, ou o filme. E, acredite ou não, em Uberlândia tem muita história para ser resgatada e contada quando o assunto é rock and roll.

Adreana Oliveira
Jornalista
adre@correiodeuberlandia.com.br





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13-11-2008


A poesia de Serginho Meriti



Sérgio Roberto Serafim, o Serginho, nasceu em Madureira, mas foi criado em São João do Meriti, no Rio de Janeiro, daí o apelido que o consagrou como um dos grandes compositores da música popular brasileira. Teve como referências musicais, o pai, Felisbino Antônio Serafim, um gaúcho dos pampas, violonista e boêmio, já falecido, e dona Nair Antônio de Oliveira, 80 anos, cantora soprano e compositora de hinos para a Assembléia de Deus.

Aos 27 anos, em 1986, Serginho entrou em estúdio pela primeira vez, ao lado de Neguinho da Beija-flor, Dicró, entre outros, para gravar seu primeiro sucesso: "Balanço do Mar", em parceria com Carlinhos PQD, pela extinta Tape Car. Sempre apaixonado por MPB, fundou, nos anos 70, com Jorge Ben Jor, o conjunto Copa 7 e os Devaneios, e o Movimento Swing, cujas primeiras sementes foram lançadas por Wilson Simonal na década de 60. A aceitação foi tão boa que resultou em dois LPs (estamos falando do vinil), com o título “Som Copa 7”, nº1 e nº2.

Mas o grande salto na carreira, se deu por meio do padrinho musical, Roberto Menescal, que o levou para a gravadora Polygram, em 1989. Daí em diante, o contato com grandes nomes da música brasileira fez com que sua veia poética ficasse cada vez mais apurada. De lá, pra cá, já são quase 400 composições gravadas por nomes como Zeca Pagodinho, Alcione, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Alcir Marques, Bandeira Brasil, Toninho Geraes, Martinho da Vila, Cidade Negra, Belo, Exaltasamba e Evandro Mesquita (ex-Blitz), entre outros. Algumas de suas composições entraram para a história da música brasileira, como "Quando Eu Cantar" (que ficou conhecida como "Iáiá, Iáiá"), gravada por Zeca Pagodinho e "Negra Ângela", na voz de Neguinho da Beija-Flor. Serginho Meriti é, sem dúvida, um dos grandes na arte de compor. Vive buscando o seu espaço como intérprete e acaba de entrar no estúdio para mais uma vez editar um trabalho como cantor. Com produção de Cláudio Guimarães, no novo CD, ele revisita antigos sucessos e capricha em umas tantas composições inéditas.

Em 2003 e 2004 ganhou o Grammy Latino e o Prêmio TIM, respectivamente, com a canção "Deixa a Vida me Levar". Para se ter uma idéia do peso e da responsabilidade desses prêmios, Serginho Meriti  disputou as finais com Milton Nascimento e João Bosco. Serginho é nome certo nos CDs de Zeca, é poesia certeira no gosto do brasileiro médio. Serginho Meriti, como compositor, repetindo a frase de Sérgio Cabral, “encontrou a dose certa”. Salve Serginho e São João do Meriti. Salve a cultura popular!




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06-11-2008


Esse tal de hardcore



No próximo domingo acontece no Goma, em Uberlândia, aquele que foi batizado como “1o Uberlândia Hardcore”. É certo que este não é o primeiro encontro do estilo que acontece na cidade, salvo para aqueles nascidos em meados dos anos 90, mas é uma oportunidade para aqueles que são adeptos do faça você mesmo de várias épocas se reunirem e trocarem uma idéia sobre a situação na cidade e até mesmo resgatar a história do que é ser punk em Uberlândia.

Lembrei-me de uma conversa que tive há alguns anos com um ex-namorado sobre anarquia, punk e hardcore. Foi pouco tempo antes da morte de Marcelo Paulo de Freitas, conhecido como “Donald”, vocalista da banda paulista Gritando HC. Donald tinha hepatite. O cara era um exemplo por levar o hardcore como estilo de vida e isso depois de passar a barreira dos 20 anos.

É muito fácil fazer um moicano, arrepiar com a galera e andar de skate por aí, sem rumo, com um “A” cruzado estampado na camiseta rasgada quando se tem 14, 15 anos. O difícil é chegar aos 30 com o mesmo moicano levantado e entrar em qualquer escritório sem constrangimento.

Fora do meio musical, dos artistas tatuadores ou dos body-piercers é difícil achar um punk em qualquer lugar no Brasil. Nos grandes centros e principalmente na periferia paulista, alguns resistem com seus pequenos selos, fábricas caseiras de patch e até mesmo trabalhando em algumas fábricas. Lar de bandas como Olho Seco, Cólera e Ratos de Porão, com Brasília, terra do Aborto Elétrico, Cabelo Duro e Macakongs 2099, mantém o hardcore vivo, independentemente de estar ele na moda ou não.

Em Uberlândia, das bandas que vi ultimamente, as que melhor representam o hardcore local são Animais na Pista e FMI. Eles fazem o que há mais de uma década bandas como Lixo Social e SubUnderground faziam: um som tosco, puro, com severas críticas ao sistema e, às vezes, uma pitada de humor. O que se percebe é que existe uma dificuldade de relacionamento com outros estilos derivados do rock e o apoio do público também sempre deixa a desejar.

Para quem vai entrar neste universo vale lembrar que sem memória não há base que resista. Aqui, muito já se fez pelo underground que agonizou e ressurgiu incontáveis vezes. O coletivo é importante, mas ele só se torna realmente forte quando os membros que o compõem são individualmente íntegros e têm clareza de seus objetivos.
O “1o Hardcore Uberlândia” rola no Goma, a partir das 19h no domingo, dia 11. O ingresso custa R$ 5 até as 19h e R$ 6 após as 19h mais um pacote de macarrão, alimento que será doado à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Uberlândia.





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Coletivo Uberlândia Hardcore
07-11-2008
Olá, Nós do Coletivo Uberlândia Hardcore estamos contentíssimos com a matéria de vocês. Pois, além de demonstrar, no mínimo, consideração e conhecimento sobre o espírito do faça-você-mesmo herdado do punk - traçando, aliás, um esboço histórico de algumas bandas nacionais e locais - acaba por dar, igualmente, visibilidade ao 1º Hardcore Uberlândia. Inegavelmente, esta primeira edição não é a pioneira, pois, por aqui muitas coisas já foram feitas - coisas lendárias, diga-se de passagem. Portanto, estamos nos rastros da história local da "cena" hardcore/punk, relendo e incorporando coisas já produzidas anteriormente. O objetivo do evento é, justamente, dialogar e proporcionar um espaço para debates que, certamente, irão se materializar, ulteriormente, noutras propostas de "eventos", "bandas", "fanzines" etc. Novamente, reiteramos nossos agradecimentos e aproveitamos a oportunidade para convidá-la a comparecer ao evento. E caso sinta-se à vontade, registrar, num segundo momento, por aqui ou noutros canais, as tuas impressões. Visitem nosso blog, www.hardcoreuberlandia.blogspot.com Que conta, inclusive, com uma rádio HC UDI que resgata bandas locais(Animais na Pista, FMI, Lixo Social e outras bandas da "nova leva"). Valeu e até domingo!
















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