

Vida de torcedor realmente não é nada fácil. Mas não existe esperança maior que a de um torcedor. Assim como também não existe sofrimento maior que o de um torcedor. É ele que, com o ouvido colado ao rádio, imagina cada jogada e leva, com o coração, a bola na direção do gol adversário. É o torcedor que se coloca na posição do atacante do seu time e, com a cabeça inchada no travesseiro após uma derrota, se vê fazendo aquele gol que foi perdido e poderia ter dado novos rumos a uma partida.
Pobre torcedor, que economiza centavos para pagar uma entrada para a geral ou arquibancada de um campo de futebol, independentemente do fato de ser um jogo de decisão ou uma simples partida de começo de campeonato. Pior ainda é não ver, em campo, os jogadores que ganham salários várias vezes maiores que o seu, não corresponderem ao seu amor pela equipe.
Quando isso acontece, o torcedor esbraveja, xinga, procura culpados, jura que nunca mais acompanhará os jogos e deixa o campo com o coração partido. Mas desconheço outra espécie da raça humana que tenha a memória tão curta quanto o torcedor de futebol. Bastam alguns dias para que todo o sofrimento seja esquecido e a esperança renasça. Então, chega um novo jogo, uma nova história, e lá está ele, novamente, com o radinho colado ao ouvido ou amassando as nádegas no concreto de uma arquibancada.
Mas ele merece! Quem mandou ser um apaixonado por futebol? Tem até uma frase que diz o seguinte: “Mulher o homem escolhe, apaixona, se casa, descasa, desapaixona e se afasta, mas o time do coração é para toda a vida”. Uma coisa não há como negar: o torcedor é, sem dúvida nenhuma, o principal protagonista desta paixão nacional, o futebol.
Tropeço na Série C
Caiu o último invicto no Campeonato Brasileiro da Série C. O Ituiutaba Esporte vinha fazendo uma campanha acima da regularidade, mas não resistiu à força do Brasil (RS). Quem acompanhou o jogo na cidade gaúcha, questionou algumas decisões do juiz da partida. Mas reclamação de perdedor é comum. O que precisa agora é levantar a cabeça e tentar recuperar o prejuízo. A chance é hoje contra o Guarani (SP) no estádio da Fazendinha. Quem pensa que o jogo será fácil, depois de o Boa já ter vencido dois confrontos contra o time paulista, está redondamente enganado. O Guarani tomou o gostinho da vitória depois de aplicar uma goleada no Marcílio Dias (SC) no meio da semana e não vai dar moleza aos comandados de Ney da Matta.
Mas, em Ituiutaba, a história é sempre um capítulo à parte. O calor sempre foi um grande aliado da equipe tijucana. Não falo apenas da temperatura ambiente, desde o inverno com todas as características de verão escaldante. Falo, sim, do calor humano que vem das arquibancadas e do alambrado. O calor da torcida. A Fazendinha é, sim, um grande alçapão que assusta o time adversário.